A cadeira de rodas do João

Na cadeira de rodas seguia aquela alma, presa naquele corpo cem por cento deformado. Éramos uma família unida em torno daquele ser que pouco ou quase nada se comunicava.

Nós, irmão e irmãs pouco entendíamos aquela situação. Porque nossos pais teriam gerado aquele ser oblíquo, triste, problema, que só atrapalhava e incomodava a todos. Na minha ideia de caçula aquele irmão mais velho já nascera na cadeira de rodas.

Subimos num ônibus certa ocasião. Papai tirava meu irmão da cadeira de rodas e subia com ele no colo seguido pela família naquelas incursões sofridas. Tudo parava naqueles momentos. Todo mundo dava passagem e atrás seguíamos nós e mamãe. Todos pequenos. Praticamente alterávamos o cenário por onde passávamos.

Naquela tarde havia um médica , não sei bem, uma benzedeira e para longe precisávamos nos deslocar. Só lembro das tristes cenas. Sempre ouvia comentários sobre meu irmão, justo o mais velho, entrevado, retorcido, uma paralisia cerebral grave o assolava desde o nascer, enquanto nós outros três éramos perfeitos, até demais.

Chegamos lá, naquela casa, e aquela mulher me emocionou de pronto. Bastou aparecermos na porta daquela humilde residência, depois de três horas de périplo, e um sorriso que eu nunca tinha visto antes nos recebeu a todos como uma família normal e meu irmão foi recebido como o principal ente da prole. Papai e mamãe choraram do começo ao fim daquele encontro com aquela mulher. Não me lembrava de seu nome, só de seu sorriso e suas palavras.

– Chegou finalmente meu querido João. Como você está bem! Quanto tempo hein, quanto te esperei? Como vão as coisas por aí, e essa família que te recebeu, que benção, que oportunidade para todos. Que linda família você uniu em torno de você meu querido.

Parecia uma conversa fluida. Cada gemido do João, e ele só gemia mesmo o tempo todo, tudo era como um bate-papo e cada palavra dela era correspondida, eles pareciam conversar e se entender num diálogo perfeito. Às vezes ela só ficava passando as mãos no corpo dele como que tirando coisas ou simplesmente aliviando suas dores e seu sofrimento e do rosto de João começaram a brotar lágrimas nunca vistas por nós de sua família. E por um momento achei que via alguém saindo de dentro dele, parecia ele mesmo, eu vi, ele passeou entre nós de mãos dadas com a mulher beijando papai e mamãe, e Lia e Paula que estavam adormecidas  num transe e quando chegaram perto de mim, me deram um abraço que nunca mais vou esquecer. Parecia que flutuavam e chorei até não poder mais. Nossa, meu Deus, que foi aquilo!

Fomos embora de volta para casa na mesma romaria de sempre, toda a dificuldade material que passávamos, mas desde aquele dia muita coisa mudou em nossa família.

Voltávamos quase uma vez por mês à casa daquela mulher e tudo pareceu mudar em nossas vidas. Meus pais aceitaram cada vez mais o João e conversavam mais com ele assim como nós, seus irmãos, aprendemos a respeitar e cuidar mais dele também. Ele dependia de nós mas parece que todos nós é que dependíamos dele na verdade.

Dona Maria era o nome dela. Ela já faleceu e no dia de sua morte o João teve uma forte convulsão que o levou também. Vivemos trinta anos juntos. Nossos pais sofreram bastante,  mas a passagem do João pelas nossas vidas foi essencial para sermos hoje melhores do que antes dele.

      Quinto Zili

805

Boechat

Boechat

Calou-se um certo gênio

A voz sincera, da honestidade já

Não mais ouviremos o generoso Eugênio

Mais conhecido como Ricardo Boechat

 

Muito jovem se vai o querido moço

Jornalista de primeira linha

Da verdade não largava o osso

Radialismo perde o que melhor se tinha

 

Foi do céu que ele caiu

Triste história que se viu

Fez sua própria notícia

News essa que queríamos fake, fictícia

 

Terrível essa fatalidade que nos trava

Voz crítica, bonita e uma risada boa

Um esgrimista da palavra

Ele nunca a usava à toa

 

Se foi Boechat um artista querido

Fácil admirá-lo e acompanhá-lo

Fará toda a falta, crítico destemido

Verdade será sua marca sempre; a guiá-lo

Até logo amigo!

Quinto Zili

 

Sopa

 

Coloqueis tudo na receita

Abundantes ingredientes

Poção de saúde perfeita

Pitadas de vontade apetecentes

Esse prato será completo sabor

Cozido no fogão do amor

 

O jeito de cozinhar é marca

Cada qual tem um estilo e um enredo

Mas pedis por uma sopa farta

Vais ver que a emulsão tem segredo

E cada parte da feitura

Toma aspectos de entrega pura

 

Democrata é a sopa, irreverente

Qualquer acepipe fresco ou bem maduro

Viram quentura de um sabor final diferente

Umas suaves, outras com toque e aroma puro

Faz-se o blend preferido ou um bem requintado

E sopa com pão é essencial, mais queijo ralado

 

No imo desses versos, que importa é o efeito

Mata uma fome e sacia um desejo

Rega uma reunião familiar ou um alimentar perfeito

Sopa une tudo, ingredientes, calor, para tomar de beijo

Quem faz, quem come ou toma, ninguém rejeita

Quente ou fria, parece mesmo de amor ser feita

Quinto Zili

461

Água

A sede que mata e que desata, prostra e desidrata.

Como a fome que também assoma o homem e consome quase a alma, seca o abdômen e encolhe o ser que a tome.

Água da boa, pura e limpa, da melhor fonte que se esconde no mato e montanha, e brota sem receio de matar a que nos mata, essa sede ingrata e tamanha.

Bica, mina que vira veio, que vira regato, riacho, cascata e rio até chegar num oceano. Água, que sem nenhum plano, conhece todos os caminhos, serve a todos ninhos, até encontrar alguém que a sorva e se alimente, que é líquido do bem até na enchente.

Deus não esqueceu de nada neste planeta e nem a água abundante para tudo e para todos, o mais precioso bem material. Ela é o fluido da vida carnal como o amor o é da vida espiritual. Como todos fluidos da vida, a água se une ao cosmo, ao fluido universal.

Água que, se da mão à boca se evapora, virando a chuva que retorna à Terra e colabora, inunda, também mata e arrebata. Reajusta o equilíbrio e os ecossistemas que o homem vem tratando de desajustar há muita data.

Comparar a água ao conhecimento e se terá a compreensão. Ela sempre aparece e brota num canto e varre tudo em aluvião. Percorre todos os caminhos até se encontrar num oceano caudal, que é pura convergência do conhecimento atemporal.

Quinto Zili

511

Lata d’água na cabeça

Filho no banco de traz do carro, pergunta ao pai enquanto este dirigia:

-Pai, você viu aquela mulher?

Pai meio absorto nem responde, trânsito pesado de cidade grande, cansaço, tinha pego o filho na escola, tarefa que não lhe comprazia tanto.

-Pai?

-Que foi?

-Aquela mulher, como ela consegue carregar aquele saco gigante na cabeça e ainda em cada mão uma sacola grande ?

Pai meio sem paciência e além do mais não gostava de passar naquele bairro pobre …

-Ela é artista, ganha muito dinheiro fazendo isso, tá de boa.

-É mesmo?

Pai queria matar o assunto, com aquela brincadeira de humor tosco e desprezo.

-Mas pai, como é que ela consegue ? não deixa cair nada, você viu?

-É artista!

-Você falou que ela é rica?

-É, tá até se divertindo; até lata d’água na cabeça ela também consegue levar.

-Pai, porque você não aprende isso com ela?

-Pra que filho?

-Daí você não precisava mais ir pro seu trabalho, ficaria menos nervoso, brincaria mais comigo e ia ter bastante dinheiro também pra comprar aquele carrão vermelho que você fala que só rico tem, a Ferrari. Quantas que ela deve ter, né?

No primeiro posto de gasolina o homem para o carro, deixa no abastecimento, sai com o filho e entra na loja de conveniência. Tomam sorvete juntos, enquanto o pai ganhava conveniente tempo. Queria mesmo apagar o recente acontecido. Até estava se sentindo meio mal.

Tempos mais tarde, dois anos depois, o pai um pouco mudado, viaja ao nordeste com o filho e a esposa para visitar a família há muito deixada para trás.

Na pequena roça de sertão, na caatinga quente, pobre e humilde, onde os pais viviam da cana e da mandioca, são recebidos e o menino chora ao ver a vó que chegava ao mesmo tempo, vinda de um nada no meio da poeira com uma enorme lata d’água na cabeça para abastecer a casa de taipa e sapé.

O filho pródigo voltou!

Quinto Zili

792

 

Fama

Que não sou famoso, preciso ser esperto, de levar fama e ganhar cama.

Pois cama, leva o famoso lhe deitar, dela acaba sem levantar, quiçá na lama.

 

Quero só a cama. Dela apear após dormir.

 

E fama?

 

Não…desperto, bem esperto, de pé, sem lama.

 

Não…quero só o simples, quero meu filtro de barro, de água fresca bem farto… e luz amarela a lumiar meu quarto.

 

Quinto Zili

784 b

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Correr

Hábito que cura

Descende do caminhar

Excede mais de um limiar

Tem mais pegadura

 

Há  que se ter preparo

Constância e persistência

Desistir não é raro

Sucumbir é má experiência

 

Correr é viciante e traz hormônios do bem

Bichinho te fisga constante e além

Quem começa dificilmente para mais

Começa uma relação de bem estar aliás

 

O peso, inimigo maior; cuidado

Se forçar sem adequar é sinistro

Dieta adequada, bom sono, melhor aliado

Qualquer problema vascular deve-se buscar registro

 

Há que ser meio, não fim

Competições desnecessárias, mas estimulam sim

O que mais importa mesmo é que correr te melhora

Alivio ao espírito e respeito ao corpo como nunca outrora

Quinto Zili

441

Começo

Iniciar e quebrar toda inércia

Ponte a ser construída

Pensando em sair do fim que começa

E tudo espantar que te impeça a saída

 

Bloqueios de vida, quem para, se entorpece

Se for só intervalo cuidar que não dure

Recomeça o trabalho que te enobrece

O tempo não para, melhor te apure

 

O duro começo em tudo é difícil

Mas busca coragem, desejo e vontade

Não se atrapalhe, começa no ceitil

O primeiro passo é quase a metade

 

Ouvir o chamado é de bom alvitre

Não pense que algum dia esteve sozinho

Há sempre um amigo, não recalcitre

No enlevo de ser pioneiro mesquinho

 

Para o início se dar, se coloque humilde

És engrenagem do todo e não podes falhar

Postura de trabalho só terás se te lides

A ele se entregar, se forjar para amar

 

Começar é amar. Trabalhar com Jesus.

O chamado é Dele, que te conduz

Quinto Zili

173

Alimento

 

A gente caçava para comer

E se defendia para não virar comida

Não era fácil sobreviver

Pois tudo era risco em torno da vida

 

Bem antes do fogo, a vida era dura

Inverno se morria de frio e de fome

Caverna era única morada segura

E o verão era mais suportável ao homem

 

Sentimentos eram ainda porto incerto

Alimentos, a batalhar todo dia

Não se contava com amigos por perto

Tudo era busca, tudo utopia

 

O espírito demorou a ser imaginado

E o alimento era mesmo para o corpo material

Demorou o homem a se ver do outro lado

Mas era puro, consciência construindo o ideal

 

Hoje temos o alimento sobre a mesa

Podemos comer voltados à saúde

Para o espírito já temos nova certeza

O alimento é a moral, amor a virtude

Quinto Zili

138

Tempo

 

Galhardia de um ser

Coragem de viver

A fagulha do dever

Aponta o rumo do querer

 

Não ter impulso

Fraco o pulso

Inacabada obra legada

Fato e memória roubada

 

Se deixou para trás

Se quis roubar o tempo

Volúpia do antrax

 

Pouquidade e traição

Com Deus e nosso Mestre atento

Assim se fez o turbilhão

A.Q.

648

Ego

 

Assim se houve

Acontecido

Trágico e entorpecido

A quem o mal se aprouve

 

Outras vidas como aconteceu

Se veio à luta

Para uma prova ininterrupta

Tentames funestos no que se deu

 

Sensações estranhas

Um ego denegado

Exação nas entranhas

 

Ah! que dificuldade

Viés escancarado

Minh’alma em tempestade

A.Q.

 

650

Até o último homem

Até o último homem

(“Hacksaw Ridge”)

Ver esta película forte

Nos expõe aos horrores da guerra

Imagens chocam e nos ferem à morte

A luta de seres, o mal que lhes encerra

 

Mas havia um soldado, Desmond Thomas Doss

Cuja fé levou como única arma, a que não falha

Missionário naquele momento atroz

Resgatou seus pares e até inimigos na batalha

 

Uma história do bem contra o mal

Como estar numa guerra esquecendo o egoísmo

Como fazer caridade em meio a condição brutal

Servindo a Deus no pior cenário, no fogo o batismo

 

Uma bela narrativa, que ali se viu real

Parabéns ao diretor mesmo pelas imagens de choque

Melhorou Mel Gibson, adoçou o mal

Mostrou o bem em ação, até o fuzil de reboque

 

Não vi o filme pela guerra, é evidente

Vi o exemplo de um ser e a caridade em ação

Passo mal só de ver arma, quanto mais tê-la na mão

Vi a vida em tantos conflitos da humana mente

 

Há bons filmes, mesmo os sobre guerras

Frentes de batalha e horror

Qual nosso dia a dia em qualquer terra

Mas há amor e fé, que sempre aliviam a dor

Quinto Zili

770

Sorte II

 

Prêmio à dedicação

Como também a dirão

Sopro de Deus na vida tua

Como que mais

Ungido pela Lua

Ajuda mágica ademais

 

Sorte pode ser tudo

Até falta de azar

Mas o que mesmo é

Na real, só o colher do plantar

 

Colheitas desta vida

De vidas passadas

Refletem a ação

Na forma da reação

 

Sorte não é algo a mais

Pois nada é por acaso

Experimenta começar a fazer só o bem

Muito menos mal sofrerás também

 

Sorte não é luxo

Loteria não é sorte

Pode até ser infortúnio

Espreita do lobo em plenilúnio

 

Queira estar sempre em sintonia

Pense na sorte de havermos Jesus conosco

Nosso planeta Terra ainda em distonia

Esse sim, sem Ele, um universo tosco

Quinto Zili

521

 

 

 

Reclamação

 

Não queria de um jeito

Nem de outro tampouco

Só reclamou do feito

Parecia um louco

 

Tanto exigiu; se refez

Quem entregou se esmerou

Ainda assim se frustrou

Não satisfez o freguês

 

Tanta reclamação

Exagero do cliente

Virou insatisfação

Frustração do atendente

 

Ficou incompleta

Relação inconclusa

Vida, dessa situação repleta

Muita exigência confusa

 

Vaidade, quase esbulho

Apogeus de orgulho

Distante humildade

Exigente se perde em sua realidade

 

Mas esse é só um ponto de vista

Vai que alguém conteste tal tese achista

Dê razão à exigente reclamação

Coitado então do atendente desse balcão

Quinto Zili

764

Vagas

 

Não temos vagas para santo

O anúncio estava na porta do céu

Virou-se o ateu com cara de espanto

Estou na porta errada, mundo cruel

 

Quis chamar alguém acima

Mas não iria blasfemar como bom ateu

Sentiu um certo clima

Que alguém lhe ouvia, mesmo assim não creu

 

Não queria ser santo, só queria entrar

Mas porque o aviso justo a ele estranho

Abriu-se a porta e de puro espanto

Havia muitos amigos e nenhum santo

 

Amigos do bem a quem sempre respeitou

Parentes queridos, olhares generosos

Gente que o respeitava, a quem sempre cuidou

Mas nem o tal ser supremo,  nem santos famosos

 

Todo bem que fez  em vida o lado de lá já percebia

Sem saber porque mas sempre  fez como amor

De repente tudo parou e a todos uma luz invadia

Ser superior surgiu trouxe a todos uma flor

 

O amigo recebeu uma especial das mãos daquele senhor

Nosso Pai te mandou receber a entrar e te dar este presente

Foste um filho exemplar e cuidou de muita dor

Ele viu lhe falavam de Deus, mesmo que foi irreverente

Quinto Zili

201

 

Ruas

Foram de barro

De pedras

Depois asfaltos

Hoje o chão dos autos

 

Das infâncias lembranças

Peladas com bolas de pano

Descalços éramos liberdade

Pés nas ruas sem vaidade

 

Hoje corremos

Maratonas fazemos

Por esporte ou trabalho

Ruas cheias de atalho

 

A vida elas cortam

Enchentes as devoram

No calor almas as repletam

No frio viva alma as secretam

 

Nosso irmão maior Jesus as usava

Por onde andou, ruas por onde orava

Pregava ao mundo enquanto nelas

Ruas e vielas foram seus templos e portelas

 

Nada a negá-las

As ruas são belas

O povo enriquece esses caminhos

A vida faz delas seus grandes ninhos

C.A.

710

Pão

Que nunca nos falte

E a ninguém se negue

Que cada um se fortaleça

E o pão da vida lhe abasteça

 

Fome nos consome

Injustiça entre os homens

Aqueles que privam seus irmãos

Se corrompem pelas mentes e mãos

 

O administrador que falha

O trabalhador que atrapalha

Um manda errado

O outro a tarefa deixa de lado

 

Todos querem o pão

Por vezes até enlouquecem

Lutar todo o dia sem amor no coração

Ferir as leis do Pai lhes acontecem

 

Sem plantio do trigo não haverá pão

Sem moral elevada não há plantação

Que colheita se espera

Escassez na nova era

 

Nem o pão do trigo

Nem o pão da alma, o abrigo

Sem Jesus no coração

Misericórdia divina será só provação

Quinto Zili

715

Fome

Alguma comida sempre tem

Por caridade se consegue

A fome aplacada num vintém

Bucho vazio não prossegue

 

Difícil matar essa fome

Quando vem do coração

A cabeça vira estômago sem pão

Alma que não dorme

 

O sono engana a noite

Corpo vira zumbi

Fome de amor é açoite

Sem paz se pode sucumbir

 

O alimento é o rogo atendido

Com bom tempero a esperança cresce

Daí vem de Jesus o cozido

Servido no prato da prece

 

Cada qual pede o que precisa

Mas se sabe o que Deus provê em amor

Se for prova, coragem e a utiliza

Se for alívio, agradece o passar da dor

Quinto Zili

732

CEIA

Hoje é dia de véspera com ceia natalina

Quando o dia brilha e a noite se ilumina

Que assim feitos nos mostram de onde vem a luz

Senão de quem, do maior, de Maria o Filho Jesus

 

Eis que nos emocionamos muito

Queremos ser diferentes, mesmo que só no intuito

Daquela cruz temos pouco conhecimento

Jesus nos mostrou o amor em puro ensinamento

 

Que Ser foi Aquele, iluminado

O Filho maior do Pai maior

Sua festa amanhã, o dia mais esperado

 

Ele Jesus no entanto nos lembra diariamente

Natal tem que ser o dia a dia melhor

O bem conduzindo ao amor, o verdadeiro presente

Quinto Zili

Controle

Quem controla a Natureza

Um único Deus, na leveza, na beleza

Não o homem carnal

Não o homem espiritual

 

Em verdade abusamos

Nos descontrolamos

O supérfluo se tornou essência

Até o mau uso se faz da ciência

 

Ilusão de termos o controle

Enquanto o caos emerge do nada

Um dia se entorna o bule

Tragédias sem hora marcada

 

Daí nos surpreendemos

A Natureza culpamos

Do todo pouco entendemos

O caldo da vida sequer saboreamos

 

É o aprendizado no limite

O Pai e o Mestre nos aguardando

Enquanto a Natureza nos permite

Ousarmos destruí-la, mesmo ela nos educando

Quinto Zili

748

Esperânsia

Sem como encontrar

Não tem no dicionário

Não carece procurar

Falta no vocabulário

 

Teria um amplo significado

Esperânsia uniria esperançosos e aflitos

Os que velam pelo esperado

E os ansiosos convictos

 

Sim, quem de nós não é assim

Digamos que a maioria

Ansiedade complica enfim

Só esperança, de todo, não traz alforria

 

Não se critique a esperança

Que muita vez é crença e fé

Melhor quando estimula confiança

Que só o trabalho traz sem dar ré

 

Ânsia ou ansiedade

Quando nelas se opera

Traduzem angústia ou até vaidade

Humildade, combate a depressão que desespera

 

O humilde, leia-se, não o pobre

Aquele que trabalha sendo eterno aprendiz

Não o faz só pelo soldo, que não falta ao nobre

Sim, entende o valor do fazer e sabe ser feliz

Quinto Zili

749

Sorrir

Alegrando o dia

Logo cedo

Sem apatia

Sem medo

 

Temer o quê

Se podes sorrir quando quiser

Sofrer porque

Se a vida é o que dela fizer

 

Tristeza bate de surpresa

Alegria foge, simula pobreza

Um sorriso espanta a aspereza

Questão de segundos volta a beleza

 

É a roda gigante brinquedo

A gangorra da vida à mão

Embaixo se passa segurança sem visão

Por cima é vislumbre, excitação e medo

 

Sorrir é mais fácil que chorar

Menos músculos na face a usar

Melhor chorar de alegria

Pois sorrir é o que mais contagia

Quinto Zili

547

Rápido

Vejo teus olhos

Percorrerem essas letras

Correndo o papel

Muito rápido

Sem perder tempo

Estressa à toa

Escoa

Como água

Cascata do assimilar

Com pressa

À beça

Para que

Correr tanto

Vivemos tanto quanto o cágado

Cem anos, por aí

E o homem

Não mais que quarenta mil anos existe

Inteligência quando surgiu

Muito rápido

Nossa vida

Corrida

Para que

 

Deus não tem pressa

Mas é tão rápido quanto não podemos imaginar

Natureza nunca se apressa

O bem ajuda o amor a qualquer um conquistar

 

Caridade é a única necessidade

Compaixão a principal urgência

O amor a máxima qualidade

E o mal é rápido, na sua própria demência

Quinto Zili

570

Terras, 278

Chão de pisar

Por onde ando

Terra de plantar

Colheitando

 

Ciclo de vida

Plantar, colher

Terra servida

Nos dá de comer

 

Terra não é propriedade

Deus não nomeou tabelião

Nada nosso, nem metade

Documentos não vão no caixão

 

Toda terra é de Deus

Natureza é dádiva maior

Retiras dela o sustento dos teus

Tuas cinzas a adubarão melhor

 

Destruir o orbe como o homem faz

Esquecendo de quem é a real propriedade

Talvez um dia seja capaz

Compreender seu papel aqui, pura necessidade

Quinto Zili

Máscaras, 274

Não sendo carnaval

Porque usar todo dia

Cara lavada não faz mal

Ou sinceridade é utopia

 

Nós humanos da Terra

Raça da inteligência

Supremacia em si encerra

Tememos o confronto na essência

 

Ser claro e despojado

Mostrar semblante altero

Orgulho é redobrado

O medo mais sincero

 

Somos dúvida pura

De tudo e todos duvidamos

Orgulho é tese segura

Abrange tudo que pensamos

 

Sem máscaras seria razoável

Alvitre e aceitação sem vaidade

Impera no entanto o insondável

O achar superior, distinta humildade

Quinto Zili

Quem ama não reclama, 110

Amar é para os fortes

Tempestades irão nos abater

Olhar de quem ama sem recortes

Pensar desses seres, eterno viver

 

Todo dia, novas sendas

Novos ramos, nossa árvore a crescer

Natureza abrindo e criando fendas

A nos dar condição de perceber

 

Inseguro mas tendo amor

Temeroso e seguindo a luz

Sofrendo de qualquer dor

Mas confiante em nosso Jesus

 

Percebes que não falo a reclamar

Não te pegues a resmungar

Todos os dias se pode sofrer e lutar

Pois dessa vinha que se alivia

 

Por fim querido irmão

Não se deixe levar debalde

Tome o amor deste refrão

Não se torne sua própria fraude

Quinto Zili

Teto, 290

Relento

Sozinho

Ao vento

 

Entristecido

Esquecido

Desmerecido

 

Acolher este ser

Com ternura de filho

É seu irmão, seu dever

Apenas perdeu seu trilho

 

Um teto é tudo

Para quem não tem nada

Tua casa o deixou mudo

Observa a necessidade velada

 

Agradeças tu pela casa, teu teto

Nunca te faltou nada, nem abrigo

Divides o que podes com afeto

Deus nunca te pediu nada amigo

Quinto Zili

Culpa

Sentimentos de culpa

Ultrajam nossas almas

Que pena morrermos às vezes

Lamentamos sob palmas

 

Já fomos perversos

Espíritos ao bem reversos

Hoje estamos melhorados

Nos sentimos mais amados

 

Fomos algozes

Fomos vítimas

Hoje queremos ser bons e velozes

Fazer caridades legítimas

 

Calma com o andor

O barro desanda e dói

A vida se reconstrói

Nada justifica o temor

 

Umbral, 150

Umbral

Jesus nos inspire, guie, ilumine e proteja!

 

Calvário, expurgo, libertação

Tormenta, expiação e paga

Sofrer de homens, mulheres, crianças

Idosos esquecidos, aleijados, doentes

Universo em mutação e redenção

 

Notícias e aspectos da humanidade

Pensamentos em desalinho

Torpor e sono

 

Beleza morta

Discurso oco

Declarações espúrias

 

Não há rima neste contexto

Não há sinal de união

O umbral é aqui mesmo

O céu é tela pintada da imaginação

                                                                      Deus tenha piedade de nós

Quinto Zili

DRUMMOND

“ Para a virtude da discrição, ou de modo geral qualquer virtude, aparecer em seu fulgor, é necessário que faltemos à sua prática. “

Carlos Drummond de Andrade

 

DRUMMOND

Ele entrou na casa da poesia.

Entrou. Lá viveu e se trancou.

De lá saiu só para ir de vez. Embora.

Deve ter levado a chave ou a jogado fora.

Ou só contou o segredo a uns poucos amigos, outros poetas.

Aqueles que entendiam melhor os seus escritos, escritores atletas.

Que de pronto, sem inveja, com bondade , o viam sem vaidade.

Escrever o amor como ele o fez, desde o cheiro dessa brisa, só quem contemporiza, do mal não se utiliza.

Em sua homenagem e à sua poesia, quem tenta este caminho, tem uma certeza, não haverá outro igual, com o verbo descomunal, pai da escrita, o senhor da letra.

Quinto Zili

Eleições

Eleições

Não são eleições que mudam nossas vidas

Nossas vidas que mudam eleições

Somos políticos em essência

Ainda fazemos política sem excelência

 

Povos precisam de líderes

Vez por outra eles aparecem

Eleições podem trazê-los

Mas eles surgem, vem de sê-los

 

Votar é arte linda

Aceitar o voto do outro mais ainda

Sufrágios no bem

O eleito também

 

Não te queixes de quem o povo elege

Tu és povo e podes também fazer mais

Tua nação é você antes de tudo

Teu voto nunca será grito mudo

 

Moral elevada prescinde eleições

Evolução espiritual da mesma forma

Humildade de um verdadeiro líder

Amor maior, sem condições, retorna

 

Nosso Governador excelso, que a Terra conduz

Não de eleições, nem de partido precisou

Chegou lá, Quem a Deus Se provou

Sem candidato assim para votar, no comando, Jesus

 

Educar, 427

Educar

Tarefa da mais antiga

Educar a si mesmo

Aos filhos nossos

Aos filhos do próximo

 

Professor sim educa

Ensina as lições das matérias

E os pais, as lições da moral

Sem quadro negro; pelos exemplos como tal

 

Educação é progresso

Avesso da perdição

No contexto da Terra

O que não falta em profusão

 

Esquecer o educar

Como faltar água à sêde do amor

Alimento do espírito pensante

Embrutecer da alma no exilio ignorante

 

Sofrimento para educar, se faltar o amor

Alento para quem consegue se dedicar

O ser que pede esse alimento

É seu irmão, não lhe negue tal provento

Quinto Zili

Professor, 683

Professor

Almas dedicadas

Protetoras em Terra

Em a Natureza associadas

Das sementes que cada um encerra

 

São os semeadores, eles e elas

Nossas madrinhas do alfabeto

Como fadas, muitas, de tão belas

Que tudo ensinam em qualquer dialeto

 

Professoras, eles e elas até em reveses

Nas nossas infâncias nos conduziam

Foram mães uma, duas, ene vezes

Tomaram a si filhos que não conheciam

 

Pastoras, pastores de verdade

Das ovelhas em toda parte

Dos primários em infâncias às faculdades

Nos conduziram com fé nessa arte

 

De tudo nos ensinaram

A todos inspiraram

Transformaram frio da ignorância no calor do saber

Deram, se nos faltava à casa, o amor a nosso ser

Quinto Zili

Temperos, 265

Temperos

Fortes ou suaves

Doces, apimentados

Alteram os sabores

Pratos requintados

 

Nem sempre os temperos ajudam

Mas sempre alteram o paladar

Fornecem o que o gosto mudam

Temperam o sonso, melhoram o degustar

 

Na vida conhecemos bons temperos

Paciência, gentileza, doçura e amor

Ingredientes bons de esmeros

Aos chefes gourmets, comida de muito sabor

 

Há porém quem tempere às avessas

Muita pimenta, intensidade e muito sal

Quem não tem mão boa para dosar

Cria os pratos do relacionar pelo mal

 

Quem prova o tempero do amor não quer outro prato

Só olhar sentimos o paladar do tempero de fino trato

Atestar o sabor deste pasto, sorver o amor é de fato

O melhor tempero entre dois , o ideal de um bom contrato

Quinto Zili

Estrutura, 262

Estrutura

O prédio não cair

A viga não desabar

O teto a cobrir

Estrutura sobrestar

 

A mão que executou

O intelecto que projetou

A força que trabalhou

A estrutura suportou

 

Complexas ou simples

Elas moldam no suporte

Em argilas, sem requintes

Mais profundo o corte

 

No cerne do espírito em evolução

Na própria carne que o está a conduzir

Temos o projeto do Pai em ação

Única estrutura híbrida a existir

 

Tudo que existe tem sua estrutura

A Mãe Natureza, arquiteta suprema

Que nos permite haver sem ruptura

Alicerce da vida, estrutura extrema

Quinto Zili

Volta, 512

Volta

 Quando partir

A vida também irá

O corpo ficará

Sensações, tudo mais findará

 

Assim pensava

Chorava de pesar

Tristeza a me amparar

Contrito rogava

 

Onde fui parar

Que lugar é esse

Não há céu

Me cobre denso véu

 

Sim a vida está comigo

Mas faltam os sentidos

Meu Deus, onde vim parar

Só me resta orar

 

Foi assim a minha volta

Cá estou agora melhor, sem revolta

Ainda cego, mas vivo, aqui estou

É o espírito de mim que me restou

 

Acho que ainda vou melhorar

Mas ainda não vejo onde cheguei

Ouço tudo e pouco sinto ainda

Deve ser a volta a anunciar nova vinda

Quinto Zili

Prece do caído, 638

Prece do caído

Contigo me deito

Contigo  me levanto

Mestre divino e perfeito

Acolhe por amor esse meu pranto

 

Me sinto caído

Doído, sofrido

Me ajuda a reerguer

Mais uma vez reviver

 

Sei de minha culpa

Falhei feio de novo

Nem sei se mereço

De ti este apreço

 

Na carne falhamos

Ainda que lá buscamos

Livramento de pecados

De nossos erros gravados

 

Expiação e restrição

Falhar e refazer

Mestre me ajuda a compreensão

Que é meu este dever

 

Eu sei que consigo crescer

Mesmo neste sofrer que eu mesmo me fiz merecer

Rogo de novo que renove sempre o meu querer

A cada dia um pouco mais; Pai me faz assim crer

Quinto Zili

Clarear, 644

Clarear

Na cabeça a inspiração

Um lampejo

Desde lá do Tejo

Como nova iluminação

 

Reverente o ser

Que reluz mesmo morto

Não está mais absorto

Ver e sentir seu renascer

 

Tralhas ficaram para trás

Os porquês se deslindaram

Poder da mente se refaz

 

O passado se foi para marcar

As paisagens se aclararam

O presente já não é mais só recordar

A. Q. 

 

Namorados, 556

Arte por Francesca, 8 anos

NAMORICO

Namorados

A figura de pombinhos aos pares

De corações entrelaçados

Alianças de bodas nos lares

Tons vermelhos abençoados

 

Imaginário estimulante

À guisa de cerimonial

Corpos desejantes

Espíritos em comunhão passional

 

Os namorados

E os enamorados também

Elos quase intocados

Parecem que vem do além

 

Às vezes só paixões

Bom quando transmutam em amor

Do sexo passam pela dor

No fim o amor doma corações

 

O fogo dos namorados

Fervor dos amantes afora

Resignação dos denegados

Amor que venceu o depois sem se perder no agora

Quinto Zili

 

Simples, 621

Simples

Todo estudo em andamento

Farto e dedicado

Uso da mente

Clarear do conhecimento

 

Dá trabalho fazer

Pesquisar a fundo

Meses e anos às vezes

Controlar resultados revezes

 

Começar complexo e intrincado

Distinguir teses de realidades

Hipóteses caem ou viram verdades

Intuição vem como recado

 

Depois da transpiração

Benvinda a inspiração

Resulta  o simples como solução

Para criar o óbvio à população

 

São assim os inventos

As descobertas viram até luxo

Tornam a vida mais simples

Embora o caminho seja árduo fluxo

 

Simples vale lembrar como é o bem

É o que se opera pelo amor

Como a providência da caridade

Como tudo de valor na vida em verdade

Quinto Zili

Gratidão, 471

Gratidão

A minha mão, se toca a sua

Se meus olhos cruzam com os seus

Nossos sentimentos se misturam

Os pensamentos se encontrarão

 

A figura se formará uma só

Um conjunto se estabelecendo

No mesmo diapasão

Uma canção harmoniosa acontecendo

 

Quando gratidão nos inunda

O corpo e a alma transpiram

Exalando um suor de amor

A dor que se sentia perdeu a cor

 

O matiz escuro do sofrer

Migrou, perdeu o tom da amargura

Mágoa escoou e abriu espaço

O ser recriou a aura em fino traço

 

Gratidão abrange todo o ser

Completude maior que o ter

Amplitude dos sentidos que acolhe e bendiz

Entrega no agradecer, o diploma do amor ao aprendiz

Quinto Zili

Prece, 52

Prece

Nos livre dos pecados.

Jesus querido, que suas bênçãos se estendam sobre todos nós e em especial a quem esteja perdido no caminho, nas trevas, no umbral e aqueles que buscam causar o prejuízo aos outros.

Nos ampare pelas sendas. Há todo o mal à solta e toda a violência sem controle na espreita das nossas fraquezas materiais e morais durante o dia a dia. Nossas mentes ainda convivem com espetáculos de horror.

Ajude esses homens encarcerados e seus juízes. Todos vivem um inferno na terra.

Nos inspire a todo momento a ajudarmos os que não entendem a mensagem do amor. Sofrem pelo mal e pela falta do amor. Tudo lhes falta e principalmente a reflexão dos seus atos. Que possam começar a sentir o odor do podre, do fétido do poder das trevas que os dominam as ações e pensamentos. Que se espantem com a luz chegando, que fiquem cegos para o mundo exterior e passem a ver dentro de si e achem Deus ali mesmo.

Serão muitas revelações a todos e sem tempo de dizer não ao Mestre.

Que Deus nos ajude.

Quinto Zili