A cadeira de rodas do João

Na cadeira de rodas seguia aquela alma, presa naquele corpo cem por cento deformado. Éramos uma família unida em torno daquele ser que pouco ou quase nada se comunicava.

Nós, irmão e irmãs pouco entendíamos aquela situação. Porque nossos pais teriam gerado aquele ser oblíquo, triste, problema, que só atrapalhava e incomodava a todos. Na minha ideia de caçula aquele irmão mais velho já nascera na cadeira de rodas.

Subimos num ônibus certa ocasião. Papai tirava meu irmão da cadeira de rodas e subia com ele no colo seguido pela família naquelas incursões sofridas. Tudo parava naqueles momentos. Todo mundo dava passagem e atrás seguíamos nós e mamãe. Todos pequenos. Praticamente alterávamos o cenário por onde passávamos.

Naquela tarde havia um médica , não sei bem, uma benzedeira e para longe precisávamos nos deslocar. Só lembro das tristes cenas. Sempre ouvia comentários sobre meu irmão, justo o mais velho, entrevado, retorcido, uma paralisia cerebral grave o assolava desde o nascer, enquanto nós outros três éramos perfeitos, até demais.

Chegamos lá, naquela casa, e aquela mulher me emocionou de pronto. Bastou aparecermos na porta daquela humilde residência, depois de três horas de périplo, e um sorriso que eu nunca tinha visto antes nos recebeu a todos como uma família normal e meu irmão foi recebido como o principal ente da prole. Papai e mamãe choraram do começo ao fim daquele encontro com aquela mulher. Não me lembrava de seu nome, só de seu sorriso e suas palavras.

– Chegou finalmente meu querido João. Como você está bem! Quanto tempo hein, quanto te esperei? Como vão as coisas por aí, e essa família que te recebeu, que benção, que oportunidade para todos. Que linda família você uniu em torno de você meu querido.

Parecia uma conversa fluida. Cada gemido do João, e ele só gemia mesmo o tempo todo, tudo era como um bate-papo e cada palavra dela era correspondida, eles pareciam conversar e se entender num diálogo perfeito. Às vezes ela só ficava passando as mãos no corpo dele como que tirando coisas ou simplesmente aliviando suas dores e seu sofrimento e do rosto de João começaram a brotar lágrimas nunca vistas por nós de sua família. E por um momento achei que via alguém saindo de dentro dele, parecia ele mesmo, eu vi, ele passeou entre nós de mãos dadas com a mulher beijando papai e mamãe, e Lia e Paula que estavam adormecidas  num transe e quando chegaram perto de mim, me deram um abraço que nunca mais vou esquecer. Parecia que flutuavam e chorei até não poder mais. Nossa, meu Deus, que foi aquilo!

Fomos embora de volta para casa na mesma romaria de sempre, toda a dificuldade material que passávamos, mas desde aquele dia muita coisa mudou em nossa família.

Voltávamos quase uma vez por mês à casa daquela mulher e tudo pareceu mudar em nossas vidas. Meus pais aceitaram cada vez mais o João e conversavam mais com ele assim como nós, seus irmãos, aprendemos a respeitar e cuidar mais dele também. Ele dependia de nós mas parece que todos nós é que dependíamos dele na verdade.

Dona Maria era o nome dela. Ela já faleceu e no dia de sua morte o João teve uma forte convulsão que o levou também. Vivemos trinta anos juntos. Nossos pais sofreram bastante,  mas a passagem do João pelas nossas vidas foi essencial para sermos hoje melhores do que antes dele.

      Quinto Zili

805

Boechat

Boechat

Calou-se um certo gênio

A voz sincera, da honestidade já

Não mais ouviremos o generoso Eugênio

Mais conhecido como Ricardo Boechat

 

Muito jovem se vai o querido moço

Jornalista de primeira linha

Da verdade não largava o osso

Radialismo perde o que melhor se tinha

 

Foi do céu que ele caiu

Triste história que se viu

Fez sua própria notícia

News essa que queríamos fake, fictícia

 

Terrível essa fatalidade que nos trava

Voz crítica, bonita e uma risada boa

Um esgrimista da palavra

Ele nunca a usava à toa

 

Se foi Boechat um artista querido

Fácil admirá-lo e acompanhá-lo

Fará toda a falta, crítico destemido

Verdade será sua marca sempre; a guiá-lo

Até logo amigo!

Quinto Zili

 

Sopa

 

Coloqueis tudo na receita

Abundantes ingredientes

Poção de saúde perfeita

Pitadas de vontade apetecentes

Esse prato será completo sabor

Cozido no fogão do amor

 

O jeito de cozinhar é marca

Cada qual tem um estilo e um enredo

Mas pedis por uma sopa farta

Vais ver que a emulsão tem segredo

E cada parte da feitura

Toma aspectos de entrega pura

 

Democrata é a sopa, irreverente

Qualquer acepipe fresco ou bem maduro

Viram quentura de um sabor final diferente

Umas suaves, outras com toque e aroma puro

Faz-se o blend preferido ou um bem requintado

E sopa com pão é essencial, mais queijo ralado

 

No imo desses versos, que importa é o efeito

Mata uma fome e sacia um desejo

Rega uma reunião familiar ou um alimentar perfeito

Sopa une tudo, ingredientes, calor, para tomar de beijo

Quem faz, quem come ou toma, ninguém rejeita

Quente ou fria, parece mesmo de amor ser feita

Quinto Zili

461

Água

A sede que mata e que desata, prostra e desidrata.

Como a fome que também assoma o homem e consome quase a alma, seca o abdômen e encolhe o ser que a tome.

Água da boa, pura e limpa, da melhor fonte que se esconde no mato e montanha, e brota sem receio de matar a que nos mata, essa sede ingrata e tamanha.

Bica, mina que vira veio, que vira regato, riacho, cascata e rio até chegar num oceano. Água, que sem nenhum plano, conhece todos os caminhos, serve a todos ninhos, até encontrar alguém que a sorva e se alimente, que é líquido do bem até na enchente.

Deus não esqueceu de nada neste planeta e nem a água abundante para tudo e para todos, o mais precioso bem material. Ela é o fluido da vida carnal como o amor o é da vida espiritual. Como todos fluidos da vida, a água se une ao cosmo, ao fluido universal.

Água que, se da mão à boca se evapora, virando a chuva que retorna à Terra e colabora, inunda, também mata e arrebata. Reajusta o equilíbrio e os ecossistemas que o homem vem tratando de desajustar há muita data.

Comparar a água ao conhecimento e se terá a compreensão. Ela sempre aparece e brota num canto e varre tudo em aluvião. Percorre todos os caminhos até se encontrar num oceano caudal, que é pura convergência do conhecimento atemporal.

Quinto Zili

511

Lata d’água na cabeça

Filho no banco de traz do carro, pergunta ao pai enquanto este dirigia:

-Pai, você viu aquela mulher?

Pai meio absorto nem responde, trânsito pesado de cidade grande, cansaço, tinha pego o filho na escola, tarefa que não lhe comprazia tanto.

-Pai?

-Que foi?

-Aquela mulher, como ela consegue carregar aquele saco gigante na cabeça e ainda em cada mão uma sacola grande ?

Pai meio sem paciência e além do mais não gostava de passar naquele bairro pobre …

-Ela é artista, ganha muito dinheiro fazendo isso, tá de boa.

-É mesmo?

Pai queria matar o assunto, com aquela brincadeira de humor tosco e desprezo.

-Mas pai, como é que ela consegue ? não deixa cair nada, você viu?

-É artista!

-Você falou que ela é rica?

-É, tá até se divertindo; até lata d’água na cabeça ela também consegue levar.

-Pai, porque você não aprende isso com ela?

-Pra que filho?

-Daí você não precisava mais ir pro seu trabalho, ficaria menos nervoso, brincaria mais comigo e ia ter bastante dinheiro também pra comprar aquele carrão vermelho que você fala que só rico tem, a Ferrari. Quantas que ela deve ter, né?

No primeiro posto de gasolina o homem para o carro, deixa no abastecimento, sai com o filho e entra na loja de conveniência. Tomam sorvete juntos, enquanto o pai ganhava conveniente tempo. Queria mesmo apagar o recente acontecido. Até estava se sentindo meio mal.

Tempos mais tarde, dois anos depois, o pai um pouco mudado, viaja ao nordeste com o filho e a esposa para visitar a família há muito deixada para trás.

Na pequena roça de sertão, na caatinga quente, pobre e humilde, onde os pais viviam da cana e da mandioca, são recebidos e o menino chora ao ver a vó que chegava ao mesmo tempo, vinda de um nada no meio da poeira com uma enorme lata d’água na cabeça para abastecer a casa de taipa e sapé.

O filho pródigo voltou!

Quinto Zili

792

 

Fama

Que não sou famoso, preciso ser esperto, de levar fama e ganhar cama.

Pois cama, leva o famoso lhe deitar, dela acaba sem levantar, quiçá na lama.

 

Quero só a cama. Dela apear após dormir.

 

E fama?

 

Não…desperto, bem esperto, de pé, sem lama.

 

Não…quero só o simples, quero meu filtro de barro, de água fresca bem farto… e luz amarela a lumiar meu quarto.

 

Quinto Zili

784 b

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Correr

Hábito que cura

Descende do caminhar

Excede mais de um limiar

Tem mais pegadura

 

Há  que se ter preparo

Constância e persistência

Desistir não é raro

Sucumbir é má experiência

 

Correr é viciante e traz hormônios do bem

Bichinho te fisga constante e além

Quem começa dificilmente para mais

Começa uma relação de bem estar aliás

 

O peso, inimigo maior; cuidado

Se forçar sem adequar é sinistro

Dieta adequada, bom sono, melhor aliado

Qualquer problema vascular deve-se buscar registro

 

Há que ser meio, não fim

Competições desnecessárias, mas estimulam sim

O que mais importa mesmo é que correr te melhora

Alivio ao espírito e respeito ao corpo como nunca outrora

Quinto Zili

441

Começo

Iniciar e quebrar toda inércia

Ponte a ser construída

Pensando em sair do fim que começa

E tudo espantar que te impeça a saída

 

Bloqueios de vida, quem para, se entorpece

Se for só intervalo cuidar que não dure

Recomeça o trabalho que te enobrece

O tempo não para, melhor te apure

 

O duro começo em tudo é difícil

Mas busca coragem, desejo e vontade

Não se atrapalhe, começa no ceitil

O primeiro passo é quase a metade

 

Ouvir o chamado é de bom alvitre

Não pense que algum dia esteve sozinho

Há sempre um amigo, não recalcitre

No enlevo de ser pioneiro mesquinho

 

Para o início se dar, se coloque humilde

És engrenagem do todo e não podes falhar

Postura de trabalho só terás se te lides

A ele se entregar, se forjar para amar

 

Começar é amar. Trabalhar com Jesus.

O chamado é Dele, que te conduz

Quinto Zili

173

Alimento

 

A gente caçava para comer

E se defendia para não virar comida

Não era fácil sobreviver

Pois tudo era risco em torno da vida

 

Bem antes do fogo, a vida era dura

Inverno se morria de frio e de fome

Caverna era única morada segura

E o verão era mais suportável ao homem

 

Sentimentos eram ainda porto incerto

Alimentos, a batalhar todo dia

Não se contava com amigos por perto

Tudo era busca, tudo utopia

 

O espírito demorou a ser imaginado

E o alimento era mesmo para o corpo material

Demorou o homem a se ver do outro lado

Mas era puro, consciência construindo o ideal

 

Hoje temos o alimento sobre a mesa

Podemos comer voltados à saúde

Para o espírito já temos nova certeza

O alimento é a moral, amor a virtude

Quinto Zili

138

Tempo

 

Galhardia de um ser

Coragem de viver

A fagulha do dever

Aponta o rumo do querer

 

Não ter impulso

Fraco o pulso

Inacabada obra legada

Fato e memória roubada

 

Se deixou para trás

Se quis roubar o tempo

Volúpia do antrax

 

Pouquidade e traição

Com Deus e nosso Mestre atento

Assim se fez o turbilhão

A.Q.

648

Ego

 

Assim se houve

Acontecido

Trágico e entorpecido

A quem o mal se aprouve

 

Outras vidas como aconteceu

Se veio à luta

Para uma prova ininterrupta

Tentames funestos no que se deu

 

Sensações estranhas

Um ego denegado

Exação nas entranhas

 

Ah! que dificuldade

Viés escancarado

Minh’alma em tempestade

A.Q.

 

650

Até o último homem

Até o último homem

(“Hacksaw Ridge”)

Ver esta película forte

Nos expõe aos horrores da guerra

Imagens chocam e nos ferem à morte

A luta de seres, o mal que lhes encerra

 

Mas havia um soldado, Desmond Thomas Doss

Cuja fé levou como única arma, a que não falha

Missionário naquele momento atroz

Resgatou seus pares e até inimigos na batalha

 

Uma história do bem contra o mal

Como estar numa guerra esquecendo o egoísmo

Como fazer caridade em meio a condição brutal

Servindo a Deus no pior cenário, no fogo o batismo

 

Uma bela narrativa, que ali se viu real

Parabéns ao diretor mesmo pelas imagens de choque

Melhorou Mel Gibson, adoçou o mal

Mostrou o bem em ação, até o fuzil de reboque

 

Não vi o filme pela guerra, é evidente

Vi o exemplo de um ser e a caridade em ação

Passo mal só de ver arma, quanto mais tê-la na mão

Vi a vida em tantos conflitos da humana mente

 

Há bons filmes, mesmo os sobre guerras

Frentes de batalha e horror

Qual nosso dia a dia em qualquer terra

Mas há amor e fé, que sempre aliviam a dor

Quinto Zili

770

Sorte II

 

Prêmio à dedicação

Como também a dirão

Sopro de Deus na vida tua

Como que mais

Ungido pela Lua

Ajuda mágica ademais

 

Sorte pode ser tudo

Até falta de azar

Mas o que mesmo é

Na real, só o colher do plantar

 

Colheitas desta vida

De vidas passadas

Refletem a ação

Na forma da reação

 

Sorte não é algo a mais

Pois nada é por acaso

Experimenta começar a fazer só o bem

Muito menos mal sofrerás também

 

Sorte não é luxo

Loteria não é sorte

Pode até ser infortúnio

Espreita do lobo em plenilúnio

 

Queira estar sempre em sintonia

Pense na sorte de havermos Jesus conosco

Nosso planeta Terra ainda em distonia

Esse sim, sem Ele, um universo tosco

Quinto Zili

521

 

 

 

Reclamação

 

Não queria de um jeito

Nem de outro tampouco

Só reclamou do feito

Parecia um louco

 

Tanto exigiu; se refez

Quem entregou se esmerou

Ainda assim se frustrou

Não satisfez o freguês

 

Tanta reclamação

Exagero do cliente

Virou insatisfação

Frustração do atendente

 

Ficou incompleta

Relação inconclusa

Vida, dessa situação repleta

Muita exigência confusa

 

Vaidade, quase esbulho

Apogeus de orgulho

Distante humildade

Exigente se perde em sua realidade

 

Mas esse é só um ponto de vista

Vai que alguém conteste tal tese achista

Dê razão à exigente reclamação

Coitado então do atendente desse balcão

Quinto Zili

764

Vagas

 

Não temos vagas para santo

O anúncio estava na porta do céu

Virou-se o ateu com cara de espanto

Estou na porta errada, mundo cruel

 

Quis chamar alguém acima

Mas não iria blasfemar como bom ateu

Sentiu um certo clima

Que alguém lhe ouvia, mesmo assim não creu

 

Não queria ser santo, só queria entrar

Mas porque o aviso justo a ele estranho

Abriu-se a porta e de puro espanto

Havia muitos amigos e nenhum santo

 

Amigos do bem a quem sempre respeitou

Parentes queridos, olhares generosos

Gente que o respeitava, a quem sempre cuidou

Mas nem o tal ser supremo,  nem santos famosos

 

Todo bem que fez  em vida o lado de lá já percebia

Sem saber porque mas sempre  fez como amor

De repente tudo parou e a todos uma luz invadia

Ser superior surgiu trouxe a todos uma flor

 

O amigo recebeu uma especial das mãos daquele senhor

Nosso Pai te mandou receber a entrar e te dar este presente

Foste um filho exemplar e cuidou de muita dor

Ele viu lhe falavam de Deus, mesmo que foi irreverente

Quinto Zili

201

 

Ruas

Foram de barro

De pedras

Depois asfaltos

Hoje o chão dos autos

 

Das infâncias lembranças

Peladas com bolas de pano

Descalços éramos liberdade

Pés nas ruas sem vaidade

 

Hoje corremos

Maratonas fazemos

Por esporte ou trabalho

Ruas cheias de atalho

 

A vida elas cortam

Enchentes as devoram

No calor almas as repletam

No frio viva alma as secretam

 

Nosso irmão maior Jesus as usava

Por onde andou, ruas por onde orava

Pregava ao mundo enquanto nelas

Ruas e vielas foram seus templos e portelas

 

Nada a negá-las

As ruas são belas

O povo enriquece esses caminhos

A vida faz delas seus grandes ninhos

C.A.

710

Pão

Que nunca nos falte

E a ninguém se negue

Que cada um se fortaleça

E o pão da vida lhe abasteça

 

Fome nos consome

Injustiça entre os homens

Aqueles que privam seus irmãos

Se corrompem pelas mentes e mãos

 

O administrador que falha

O trabalhador que atrapalha

Um manda errado

O outro a tarefa deixa de lado

 

Todos querem o pão

Por vezes até enlouquecem

Lutar todo o dia sem amor no coração

Ferir as leis do Pai lhes acontecem

 

Sem plantio do trigo não haverá pão

Sem moral elevada não há plantação

Que colheita se espera

Escassez na nova era

 

Nem o pão do trigo

Nem o pão da alma, o abrigo

Sem Jesus no coração

Misericórdia divina será só provação

Quinto Zili

715

Fome

Alguma comida sempre tem

Por caridade se consegue

A fome aplacada num vintém

Bucho vazio não prossegue

 

Difícil matar essa fome

Quando vem do coração

A cabeça vira estômago sem pão

Alma que não dorme

 

O sono engana a noite

Corpo vira zumbi

Fome de amor é açoite

Sem paz se pode sucumbir

 

O alimento é o rogo atendido

Com bom tempero a esperança cresce

Daí vem de Jesus o cozido

Servido no prato da prece

 

Cada qual pede o que precisa

Mas se sabe o que Deus provê em amor

Se for prova, coragem e a utiliza

Se for alívio, agradece o passar da dor

Quinto Zili

732

CEIA

Hoje é dia de véspera com ceia natalina

Quando o dia brilha e a noite se ilumina

Que assim feitos nos mostram de onde vem a luz

Senão de quem, do maior, de Maria o Filho Jesus

 

Eis que nos emocionamos muito

Queremos ser diferentes, mesmo que só no intuito

Daquela cruz temos pouco conhecimento

Jesus nos mostrou o amor em puro ensinamento

 

Que Ser foi Aquele, iluminado

O Filho maior do Pai maior

Sua festa amanhã, o dia mais esperado

 

Ele Jesus no entanto nos lembra diariamente

Natal tem que ser o dia a dia melhor

O bem conduzindo ao amor, o verdadeiro presente

Quinto Zili

Controle

Quem controla a Natureza

Um único Deus, na leveza, na beleza

Não o homem carnal

Não o homem espiritual

 

Em verdade abusamos

Nos descontrolamos

O supérfluo se tornou essência

Até o mau uso se faz da ciência

 

Ilusão de termos o controle

Enquanto o caos emerge do nada

Um dia se entorna o bule

Tragédias sem hora marcada

 

Daí nos surpreendemos

A Natureza culpamos

Do todo pouco entendemos

O caldo da vida sequer saboreamos

 

É o aprendizado no limite

O Pai e o Mestre nos aguardando

Enquanto a Natureza nos permite

Ousarmos destruí-la, mesmo ela nos educando

Quinto Zili

748

Esperânsia

Sem como encontrar

Não tem no dicionário

Não carece procurar

Falta no vocabulário

 

Teria um amplo significado

Esperânsia uniria esperançosos e aflitos

Os que velam pelo esperado

E os ansiosos convictos

 

Sim, quem de nós não é assim

Digamos que a maioria

Ansiedade complica enfim

Só esperança, de todo, não traz alforria

 

Não se critique a esperança

Que muita vez é crença e fé

Melhor quando estimula confiança

Que só o trabalho traz sem dar ré

 

Ânsia ou ansiedade

Quando nelas se opera

Traduzem angústia ou até vaidade

Humildade, combate a depressão que desespera

 

O humilde, leia-se, não o pobre

Aquele que trabalha sendo eterno aprendiz

Não o faz só pelo soldo, que não falta ao nobre

Sim, entende o valor do fazer e sabe ser feliz

Quinto Zili

749

Sorrir

Alegrando o dia

Logo cedo

Sem apatia

Sem medo

 

Temer o quê

Se podes sorrir quando quiser

Sofrer porque

Se a vida é o que dela fizer

 

Tristeza bate de surpresa

Alegria foge, simula pobreza

Um sorriso espanta a aspereza

Questão de segundos volta a beleza

 

É a roda gigante brinquedo

A gangorra da vida à mão

Embaixo se passa segurança sem visão

Por cima é vislumbre, excitação e medo

 

Sorrir é mais fácil que chorar

Menos músculos na face a usar

Melhor chorar de alegria

Pois sorrir é o que mais contagia

Quinto Zili

547

Outros

Alguém pede esmola

Tu pedes ajuda, implora

Vem por qualquer lado

Parecem chamado velado

 

Teia da caridade

Como funciona de verdade

Um ao outro ajuda oferece

Na tua vez , te emudece

 

Outros é ampla figura

Tu e eu, claro, o somos

Ao Pai, outros é filiação segura

Misericórdia suprema, aceita o que somos

 

Tratar irmãos como outros é pouco

Gritar contra isso até ficar rouco

Amor é dosagem de remédio  ou placebo

Para tu que doas  e para mim que recebo

 

Caridade não exige d’outros se mostre a face

Não tem cara nem idade quem doa

É casamento do bem sem enlace

É amor que move a popa ou vem de proa

Quinto Zili

735

Rápido

Vejo teus olhos

Percorrerem essas letras

Correndo o papel

Muito rápido

Sem perder tempo

Estressa à toa

Escoa

Como água

Cascata do assimilar

Com pressa

À beça

Para que

Correr tanto

Vivemos tanto quanto o cágado

Cem anos, por aí

E o homem

Não mais que quarenta mil anos existe

Inteligência quando surgiu

Muito rápido

Nossa vida

Corrida

Para que

 

Deus não tem pressa

Mas é tão rápido quanto não podemos imaginar

Natureza nunca se apressa

O bem ajuda o amor a qualquer um conquistar

 

Caridade é a única necessidade

Compaixão a principal urgência

O amor a máxima qualidade

E o mal é rápido, na sua própria demência

Quinto Zili

570

Terras, 278

Chão de pisar

Por onde ando

Terra de plantar

Colheitando

 

Ciclo de vida

Plantar, colher

Terra servida

Nos dá de comer

 

Terra não é propriedade

Deus não nomeou tabelião

Nada nosso, nem metade

Documentos não vão no caixão

 

Toda terra é de Deus

Natureza é dádiva maior

Retiras dela o sustento dos teus

Tuas cinzas a adubarão melhor

 

Destruir o orbe como o homem faz

Esquecendo de quem é a real propriedade

Talvez um dia seja capaz

Compreender seu papel aqui, pura necessidade

Quinto Zili

Máscaras, 274

Não sendo carnaval

Porque usar todo dia

Cara lavada não faz mal

Ou sinceridade é utopia

 

Nós humanos da Terra

Raça da inteligência

Supremacia em si encerra

Tememos o confronto na essência

 

Ser claro e despojado

Mostrar semblante altero

Orgulho é redobrado

O medo mais sincero

 

Somos dúvida pura

De tudo e todos duvidamos

Orgulho é tese segura

Abrange tudo que pensamos

 

Sem máscaras seria razoável

Alvitre e aceitação sem vaidade

Impera no entanto o insondável

O achar superior, distinta humildade

Quinto Zili

Quem ama não reclama, 110

Amar é para os fortes

Tempestades irão nos abater

Olhar de quem ama sem recortes

Pensar desses seres, eterno viver

 

Todo dia, novas sendas

Novos ramos, nossa árvore a crescer

Natureza abrindo e criando fendas

A nos dar condição de perceber

 

Inseguro mas tendo amor

Temeroso e seguindo a luz

Sofrendo de qualquer dor

Mas confiante em nosso Jesus

 

Percebes que não falo a reclamar

Não te pegues a resmungar

Todos os dias se pode sofrer e lutar

Pois dessa vinha que se alivia

 

Por fim querido irmão

Não se deixe levar debalde

Tome o amor deste refrão

Não se torne sua própria fraude

Quinto Zili

Restrições, 282

Nos modificam

Alteram hábitos

Nos retificam

Mudam hálitos

 

Se queres dar valor

Privas o uso de uma mão

Ao voltares no pleno labor

É comum externares gratidão

 

Sim é assim mesmo

Perdes um órgão do corpo são

Nunca mais ages a esmo

Notas os diferentes, não mais os fita em vão

 

Restrições são caroços na fruta doce

É esmola do universo para tu, pedinte

Luz que falta na caverna sem posse

Cego no circo, só como ouvinte

 

Se te faltas, apuras a percepção

Humildade a te recolocar no eixo

A inteligência a explorar intuição

És filho de Deus tanto como o freixo

Quinto Zili

Teto, 290

Relento

Sozinho

Ao vento

 

Entristecido

Esquecido

Desmerecido

 

Acolher este ser

Com ternura de filho

É seu irmão, seu dever

Apenas perdeu seu trilho

 

Um teto é tudo

Para quem não tem nada

Tua casa o deixou mudo

Observa a necessidade velada

 

Agradeças tu pela casa, teu teto

Nunca te faltou nada, nem abrigo

Divides o que podes com afeto

Deus nunca te pediu nada amigo

Quinto Zili

Culpa

Sentimentos de culpa

Ultrajam nossas almas

Que pena morrermos às vezes

Lamentamos sob palmas

 

Já fomos perversos

Espíritos ao bem reversos

Hoje estamos melhorados

Nos sentimos mais amados

 

Fomos algozes

Fomos vítimas

Hoje queremos ser bons e velozes

Fazer caridades legítimas

 

Calma com o andor

O barro desanda e dói

A vida se reconstrói

Nada justifica o temor

 

Umbral, 150

Umbral

Jesus nos inspire, guie, ilumine e proteja!

 

Calvário, expurgo, libertação

Tormenta, expiação e paga

Sofrer de homens, mulheres, crianças

Idosos esquecidos, aleijados, doentes

Universo em mutação e redenção

 

Notícias e aspectos da humanidade

Pensamentos em desalinho

Torpor e sono

 

Beleza morta

Discurso oco

Declarações espúrias

 

Não há rima neste contexto

Não há sinal de união

O umbral é aqui mesmo

O céu é tela pintada da imaginação

                                                                      Deus tenha piedade de nós

Quinto Zili

DRUMMOND

“ Para a virtude da discrição, ou de modo geral qualquer virtude, aparecer em seu fulgor, é necessário que faltemos à sua prática. “

Carlos Drummond de Andrade

 

DRUMMOND

Ele entrou na casa da poesia.

Entrou. Lá viveu e se trancou.

De lá saiu só para ir de vez. Embora.

Deve ter levado a chave ou a jogado fora.

Ou só contou o segredo a uns poucos amigos, outros poetas.

Aqueles que entendiam melhor os seus escritos, escritores atletas.

Que de pronto, sem inveja, com bondade , o viam sem vaidade.

Escrever o amor como ele o fez, desde o cheiro dessa brisa, só quem contemporiza, do mal não se utiliza.

Em sua homenagem e à sua poesia, quem tenta este caminho, tem uma certeza, não haverá outro igual, com o verbo descomunal, pai da escrita, o senhor da letra.

Quinto Zili

Eleições

Eleições

Não são eleições que mudam nossas vidas

Nossas vidas que mudam eleições

Somos políticos em essência

Ainda fazemos política sem excelência

 

Povos precisam de líderes

Vez por outra eles aparecem

Eleições podem trazê-los

Mas eles surgem, vem de sê-los

 

Votar é arte linda

Aceitar o voto do outro mais ainda

Sufrágios no bem

O eleito também

 

Não te queixes de quem o povo elege

Tu és povo e podes também fazer mais

Tua nação é você antes de tudo

Teu voto nunca será grito mudo

 

Moral elevada prescinde eleições

Evolução espiritual da mesma forma

Humildade de um verdadeiro líder

Amor maior, sem condições, retorna

 

Nosso Governador excelso, que a Terra conduz

Não de eleições, nem de partido precisou

Chegou lá, Quem a Deus Se provou

Sem candidato assim para votar, no comando, Jesus

 

Educar, 427

Educar

Tarefa da mais antiga

Educar a si mesmo

Aos filhos nossos

Aos filhos do próximo

 

Professor sim educa

Ensina as lições das matérias

E os pais, as lições da moral

Sem quadro negro; pelos exemplos como tal

 

Educação é progresso

Avesso da perdição

No contexto da Terra

O que não falta em profusão

 

Esquecer o educar

Como faltar água à sêde do amor

Alimento do espírito pensante

Embrutecer da alma no exilio ignorante

 

Sofrimento para educar, se faltar o amor

Alento para quem consegue se dedicar

O ser que pede esse alimento

É seu irmão, não lhe negue tal provento

Quinto Zili

Professor, 683

Professor

Almas dedicadas

Protetoras em Terra

Em a Natureza associadas

Das sementes que cada um encerra

 

São os semeadores, eles e elas

Nossas madrinhas do alfabeto

Como fadas, muitas, de tão belas

Que tudo ensinam em qualquer dialeto

 

Professoras, eles e elas até em reveses

Nas nossas infâncias nos conduziam

Foram mães uma, duas, ene vezes

Tomaram a si filhos que não conheciam

 

Pastoras, pastores de verdade

Das ovelhas em toda parte

Dos primários em infâncias às faculdades

Nos conduziram com fé nessa arte

 

De tudo nos ensinaram

A todos inspiraram

Transformaram frio da ignorância no calor do saber

Deram, se nos faltava à casa, o amor a nosso ser

Quinto Zili

Temperos, 265

Temperos

Fortes ou suaves

Doces, apimentados

Alteram os sabores

Pratos requintados

 

Nem sempre os temperos ajudam

Mas sempre alteram o paladar

Fornecem o que o gosto mudam

Temperam o sonso, melhoram o degustar

 

Na vida conhecemos bons temperos

Paciência, gentileza, doçura e amor

Ingredientes bons de esmeros

Aos chefes gourmets, comida de muito sabor

 

Há porém quem tempere às avessas

Muita pimenta, intensidade e muito sal

Quem não tem mão boa para dosar

Cria os pratos do relacionar pelo mal

 

Quem prova o tempero do amor não quer outro prato

Só olhar sentimos o paladar do tempero de fino trato

Atestar o sabor deste pasto, sorver o amor é de fato

O melhor tempero entre dois , o ideal de um bom contrato

Quinto Zili

Estrutura, 262

Estrutura

O prédio não cair

A viga não desabar

O teto a cobrir

Estrutura sobrestar

 

A mão que executou

O intelecto que projetou

A força que trabalhou

A estrutura suportou

 

Complexas ou simples

Elas moldam no suporte

Em argilas, sem requintes

Mais profundo o corte

 

No cerne do espírito em evolução

Na própria carne que o está a conduzir

Temos o projeto do Pai em ação

Única estrutura híbrida a existir

 

Tudo que existe tem sua estrutura

A Mãe Natureza, arquiteta suprema

Que nos permite haver sem ruptura

Alicerce da vida, estrutura extrema

Quinto Zili

Volta, 512

Volta

 Quando partir

A vida também irá

O corpo ficará

Sensações, tudo mais findará

 

Assim pensava

Chorava de pesar

Tristeza a me amparar

Contrito rogava

 

Onde fui parar

Que lugar é esse

Não há céu

Me cobre denso véu

 

Sim a vida está comigo

Mas faltam os sentidos

Meu Deus, onde vim parar

Só me resta orar

 

Foi assim a minha volta

Cá estou agora melhor, sem revolta

Ainda cego, mas vivo, aqui estou

É o espírito de mim que me restou

 

Acho que ainda vou melhorar

Mas ainda não vejo onde cheguei

Ouço tudo e pouco sinto ainda

Deve ser a volta a anunciar nova vinda

Quinto Zili

Prece do caído, 638

Prece do caído

Contigo me deito

Contigo  me levanto

Mestre divino e perfeito

Acolhe por amor esse meu pranto

 

Me sinto caído

Doído, sofrido

Me ajuda a reerguer

Mais uma vez reviver

 

Sei de minha culpa

Falhei feio de novo

Nem sei se mereço

De ti este apreço

 

Na carne falhamos

Ainda que lá buscamos

Livramento de pecados

De nossos erros gravados

 

Expiação e restrição

Falhar e refazer

Mestre me ajuda a compreensão

Que é meu este dever

 

Eu sei que consigo crescer

Mesmo neste sofrer que eu mesmo me fiz merecer

Rogo de novo que renove sempre o meu querer

A cada dia um pouco mais; Pai me faz assim crer

Quinto Zili

Passado, 577

Passado

Paixões fazem borboletas no plexo

Medo, dor de barriga

O amor uma entrega que abriga

A compaixão, algo mais complexo

 

O corpo vestindo o espírito imaterial

Reage a tudo e a todos

Auras se entrelaçam em bodas

Num artesanato divino surreal

 

Vida é pureza e simplicidade

Da natureza recebemos o amar

Mas complicado é nosso pensar

Querer de dominar, total ansiedade

 

Passado se esconde das atuais jornadas

Bendito o véu do olvidamento

Lembramos apenas de algum sentimento

Insuportável seria conhecer vidas passadas

 

Busquemos o bem afinal de contas

Este será maior hoje e amanhã com certeza

Levemos nossas vidas hoje com mais leveza

Aos males do passado, resgates às montas

Quinto Zili

Clarear, 644

Clarear

Na cabeça a inspiração

Um lampejo

Desde lá do Tejo

Como nova iluminação

 

Reverente o ser

Que reluz mesmo morto

Não está mais absorto

Ver e sentir seu renascer

 

Tralhas ficaram para trás

Os porquês se deslindaram

Poder da mente se refaz

 

O passado se foi para marcar

As paisagens se aclararam

O presente já não é mais só recordar

A. Q. 

 

Namorados, 556

Arte por Francesca, 8 anos

NAMORICO

Namorados

A figura de pombinhos aos pares

De corações entrelaçados

Alianças de bodas nos lares

Tons vermelhos abençoados

 

Imaginário estimulante

À guisa de cerimonial

Corpos desejantes

Espíritos em comunhão passional

 

Os namorados

E os enamorados também

Elos quase intocados

Parecem que vem do além

 

Às vezes só paixões

Bom quando transmutam em amor

Do sexo passam pela dor

No fim o amor doma corações

 

O fogo dos namorados

Fervor dos amantes afora

Resignação dos denegados

Amor que venceu o depois sem se perder no agora

Quinto Zili

 

Simples, 621

Simples

Todo estudo em andamento

Farto e dedicado

Uso da mente

Clarear do conhecimento

 

Dá trabalho fazer

Pesquisar a fundo

Meses e anos às vezes

Controlar resultados revezes

 

Começar complexo e intrincado

Distinguir teses de realidades

Hipóteses caem ou viram verdades

Intuição vem como recado

 

Depois da transpiração

Benvinda a inspiração

Resulta  o simples como solução

Para criar o óbvio à população

 

São assim os inventos

As descobertas viram até luxo

Tornam a vida mais simples

Embora o caminho seja árduo fluxo

 

Simples vale lembrar como é o bem

É o que se opera pelo amor

Como a providência da caridade

Como tudo de valor na vida em verdade

Quinto Zili

Doce, 624

Doce

Como a mão de uma mãe

Sua voz e seu colo

Como bendito fosse

Aquele seu olhar doce

 

Carinho e compreensão

De sobra, de montão

Dedicação e desprender

Seu abraço querido do acolher

 

A mim e a todos nós

Sente-se falta delas

Singela, doce mãe e sua voz

Tudo nos representam, que belas

 

Até seu grito doce era

Quem não levou um relho da fera

Que tudo fazia pela sua cria

Até mesmo o que não queria

 

É doce como a natureza

Sensata e paciente

Onipresente

Nos escuta os sentimentos e a tristeza

 

Minha e tua doce mãe

Nossas doces candeias

Nos deram a luz

São a mão em nossa cabeça como Jesus

Quinto Zili

Gratidão, 471

Gratidão

A minha mão, se toca a sua

Se meus olhos cruzam com os seus

Nossos sentimentos se misturam

Os pensamentos se encontrarão

 

A figura se formará uma só

Um conjunto se estabelecendo

No mesmo diapasão

Uma canção harmoniosa acontecendo

 

Quando gratidão nos inunda

O corpo e a alma transpiram

Exalando um suor de amor

A dor que se sentia perdeu a cor

 

O matiz escuro do sofrer

Migrou, perdeu o tom da amargura

Mágoa escoou e abriu espaço

O ser recriou a aura em fino traço

 

Gratidão abrange todo o ser

Completude maior que o ter

Amplitude dos sentidos que acolhe e bendiz

Entrega no agradecer, o diploma do amor ao aprendiz

Quinto Zili

Nossos pais

Nossos pais

Meus queridos grandes amigos

E seus queridos pais

Quanto tempo se passou

Como eles foram especiais

 

Do mais velho entre nós

Nosso querido Baurú e seu Miranda

Ele nos foi um exemplo de albatroz

Ele dizia enquanto entre nós

Respeitem sua velha, ela quem manda

Tragam o pão da casa com garra

Sejam pais fortes e respeitem a farra

 

Do grande amigo Marcão e seu Jamil

Cuja gargalhada é quase a mesma, digo

Hoje ela soa da garganta do amigo

Seu Jamil olhava e falava como O engenheiro civil

Esteve presente naquela salona na Paulista

Onde juntos estudamos em prol de conquista

Seríamos melhores, esses pais nos diziam como pista

 

E seu José, do nosso querido amigo Goes

Quanto carinho aquele pai dedicou a nós

Seus sanduíches alimentaram nossas famintas almas

Quanta fome naquele quarto da edícula compartilhamos

Quanta vida ali passada enquanto estudamos

Às vezes simplesmente cantávamos para disfarçar

Relaxando, mas suportados por pais a nos amparar

 

Do meu querido pai Octavio

Sei que vocês tem poucas lembranças

Era o mais velho dos pais heranças

Aquele que nos olhava apenas à distância

 

Mas cá entre nós, amigos e hoje pais

Também somos muito do que nossos pais foram

Cada um de nós herdou bons princípios

Que deles nos brotaram como benefícios

 

Rendamos homenagens a nossos amados pais

Lembremos com emoções puras e sinceras

Não se tratam apenas de pobres quimeras

O que nos legaram, caros engenheiros, é concreto demais

Quinto Zili

Pai

Pouco escrevi sobre meu pai

Mas muito guardo de sua lembrança

Moral e a ética que não me trai

Me deixou nobre e cristã  herança

 

Tenho orgulho de seu filho ser

É espírito humilde e de valor

Meu pai deixou em mim um querer

Ser homem de bem, no coração amor

 

Não se foi cedo ou tarde

Seu último suspiro foi leve

Nunca foi de fazer alarde

Sua aura devia ser branca como neve

 

Em mais um dia dos pais

Em que já venho como avô depor

Que todo pai não esqueça de seu filho jamais

Para não ser olvidado quando um dia se for

 

Preces para meu querido pai Octavio

Que esteja por perto da amada Yolanda

Esse querido par de meu querido amor

Me ensinaram a ver na dor também valor

Quinto Zili

Riscos, 242

Riscos

O risco de vida que leva à morte é mais vivo e presente do que percebe a mente no ser.

Morte como passagem, toda a vida no risco de viver.

Se morrer é todo dia um pouco, viver também é o risco de deixar de ser.

Quando a vida é só um risco, a morte não é um traço. Se a vida é só um traço o risco de morte acaba em laço.

Traçar a vida sem risco sem rabiscar a morte.

Quando correr o risco pode ser mais fácil que traçar a vida sem risco sendo forte.

A linha da vida é melhor do que o risco da morte. No traço sem risco falta no ser o norte.

Alinhar a vida sem pensar no risco da morte e traçar no pensamento que o risco de vida é grande comparado com a linha da sorte.

“O traçado da vida é o risco de viver, alinhando o traço do ser sem medo de morrer.“

Quinto Zili

Cansaço, 425

Cansaço

 Por que ele bate tão forte na gente

Às vezes é difícil entender como pode

Tanta madorra

Tanto bode

 

Por principio, se você está em forma

Deveria ter bastante pique

No entanto o que se sente

O corpo apaga sem nenhum clique

 

Excessos provocam cansaço

Falta de atividades também

O corpo bem condicionado

É o que em geral faz  bem

 

Para assim poder ser

É preciso ter vontade

Por que então padecer

Basta a ti mesmo, ter caridade

 

Ajuda teu corpo com mais carinho

Melhor sem vaidade

Pensa que ele mesmo nada resolve sozinho

Cansaço é para quem perdeu a vontade

Quinto Zili

Tempestades, 419

Tempestades

Tempos difíceis quando despenca o céu

Tormentas da natureza sem véu

Arrebatamentos das águas e ventos

Tempestades provocam desalentos

 

De tempos em tempos

Uma catástrofe pode acontecer

Sem preparo adequado

Não se entende o perecer

 

Quando os ventos eclodem

Se vê a fúria da natureza

Tempestade arruína

Tudo que pode extermina

 

A varredura evoca nosso Deus

Porque tantos estão a padecer

Sabedoria e amor que reconstruirá

Reerguem-se cenários, tudo renascerá

 

Como a tempestade moral

Varrem-se preconceitos e demências

Aplacam-se defeitos e más tendências

Soergue-se o ser renovado no amor real

 

Jesus foi a tempestade do bem sobre o mal

Varreu maus pensamentos

Deixou reais ensinamentos

Ao ser humano, ao ser espiritual

Quinto Zili

Compromisso, 144

Compromisso

Parar e pensar; compromisso; qual o maior, o principal, o essencial.

Não é com a sociedade.

Não com o outro.

Não com o trabalho.

Não com o tempo, nem com a agenda.

É consigo mesmo pois é com Deus e com Jesus, Quem mesmo nos afirmou isso , de que somos Deus em essência.

Compromisso e comprometimento,  bons e complementares.

O universo não caminha sem essa engrenagem. Ou roda em falso por assim dizer. Cada um de nós entendendo  sua importância no contexto e sabendo que não chegaremos a lugar nenhum sem nos ajudarmos todos.

Não há uma só alma que será deixada para traz.

Entendimento e compreensão são as bases do grande compromisso coletivo, esse mais intenso, além do individual.

Te compromete a pensar desse jeito. Quem sabe tudo não melhora.

Amar o próximo como a ti mesmo e a Deus acima de tudo.

Fiquemos em Deus

Quinto Zili

Conversas, 253

Conversas

Convívio, relacionamento

Comportamentos do ser

Em todo tempo

De cedo ao anoitecer

 

O que se diz por aí

E o  que se ouve falar

Faz sentido a ti

Me remete também a pensar

 

Os fatos que se conta e se escuta

E isso  vira e repete

Que entre dois é permuta

Um só tête à tête

 

Se séria é conselho

Se branda é ajuda

Mas se for como relho

É conversa muda

 

Falar e ouvir é bem natural

Espontâneo aos corpos afinados

Parece coisa material

Mas é o espírito  a reter significados

Quinto Zili

Cego,220

MENSAGEM ESPÍRITA, POEMA, PRECE & POESIA

Cego

Tempo faz que tempo voa, da minha janela vejo que o sino soa, mas fico à toa se não vejo o céu, parece que sou cego, no meu olho um véu. Me apego no que não me torna morto, ou nego, não me quero torto, e saber que só sou cego quando quero, ou no aborto de quando me altero.

Viver não é fácil não. Ser são é bom, mas na verdade, de antemão, o melhor mesmo é ser sem defeito e dar-se um jeito de bater no peito e dizer sou bom de alma e não só do que sou feito. Deus me fez todo perfeito, mas sempre causo efeito, ousando no desrespeito a esse Pai que me deu o leito. E o pão a que tenho direito é feito tudo para que eu seja bom e perfeito.

Se eu fosse cego do meu corpo, talvez desse mais…

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Crescer, 402

Crescer

Almejar a felicidade

Pungir a dor

Contemplar a totalidade

Plenitude de valor

 

Conquistando e evoluindo

Assim queremos ser no crescer

Vivendo no conforto

Desfrutando do bem absorto

 

Contradição elementar

As provas que buscamos

Antes de aqui chegar

É a evolução da qual vislumbramos

 

Sem dor será difícil crescer

Sem adaptações quase impossível

Melhor caminho requer dedicação

Ajudas de bons amigos essencial então

 

Turvam-se as vistas do espírito

Embasbacam-se nossas premissas

Perdemos o rumo, deixamos seguir

Nossa correção virá no porvir

 

Acertar o prumo

Virá por certeza o rumo

Gastar mal o livre arbítrio

Retomar o eixo será com atrito

Quinto Zili

Frutos, 394

Frutos

Rebentos da natureza

Ofertas de Deus, caridade

Eles nos alimentam

Além da necessidade

 

A essência dos frutos

Com tudo que se oferece da terra

Vem com o fluido

A água, o meio que os encerra

 

Linhagem é a essência

Do que cada um pode ser

Cada árvore guarda do que ter

Maça não é tomate por excelência

 

Do ventre pode-se o mesmo afirmar

Mas é da matéria que se pode falar

Cada alma ser espiritual

Legado de Deus, cada ser universal

 Quinto Zili

 

Luxo, 473

Luxo

Pode parecer exagero

E mero supérfluo

O luxo como tempero

O contraponto do lixo

 

Sofisticar e ousar

Às vezes foi preciso

Para diferenciar

O apagado do elísio

 

Demonstrar na aparência

Pode ser necessário

Às vistas impressionar

O peixe vender sem o precário

 

Não foi esse o luxo de Jesus

O impusemos o lixo na cruz

Mas o que Ele veio nos trazer

Nada tinha a ver com esse tipo de crer

 

Ele nos trouxe sim o maior luxo

Nos mostrou Deus verdadeiro

Em todos os sentidos, no total fluxo

Até a beleza no significado daquele madeiro

 

Só nós mesmos que não fomos capazes

De entender o que o luxo para o Mestre representava

Fomos ignorantes pertinazes

Olhamos o exterior, menos o que realmente importava

Quinto Zili

Púlpito, 536

Púlpito

Acima do povo se encerra

Majestoso, ao orador donde se falar

Dizer maravilhas a seu público

Fazendo todos calar

 

Odes e provérbios

Estrofes e discursos emocionantes

Orgulhos da palavra

Pungindo tudo que veio antes

 

Público muito atento

Parecia um sábio a se expressar

Quase nada de entendimento

Palmas soaram ao terminar

 

Assim são os púlpitos

Públicos e impressionantes

Por si só tocam os súditos

Sabem que lá o orador será sempre marcante

 

Jesus porém não ia a púlpito nenhum

Pregou mesmo ao rés do chão

Falava sempre ao povão

Pareceu como Deus se passando por ser comum

Quinto Zili

 

Evany, irmã querida

Oi Evany, hoje estive aqui

Feliz em te ver como a vi

Como você está bem

Como sua vida segue bem e além

 

Sim, você foi além das provas

Superou as expiações

Venceu seus resgates com sobras

Teu espírito distribuiu perdões

 

Assim é você minha querida

Que também me criou como filho

Minha irmã nesta vida

Que linda! Que vingaste no trilho

 

Tens muita sensibilidade

Nossos pais enxergaram bem isso

E o Chico te ajudou em verdade

E venceste até o corpo enfermiço

 

Teus mentores se alegram

Nossa família também

Todos que hoje te cuidam

Terão recompensas que convém

 Quinto Zili

Sorte

 

Sorte

Ganhar ou perder, dinheiro na certa

Apostar pouco ou apostar muito

Vício ou não, tentativa esperta

Atalho pedido, desejo fortuito

 

Te enganas saber do desejo maior

Pedes com o empenho de motivo justo

Precisas da ajuda que venha superior

Para realizar promessas de mais alto custo

 

De verdade o que queres é folga da vida

Que caia do céu o premio geral

E exorta que vai se manter na sua lida

De humilde ricaço, não demonstrando tal

 

Bem entende o Pai que tu pedes errado

Teu desejo te distrai de teu melhor caminho

Mas com a tua insistência tomas cuidado

Sorte ou azar, porás tua vida em definho

Quinto Zili

157

 

Poema para minha filha, 153

Poema para minha filha

Querida pequena, doce boneca minha

Nasceu do amor, feita bela princesa

Chorou de bebê, nasceu pequenina

No ventre da mãe era chama acesa

 

A vida nos trouxe você a nossos braços

Pra cuidar e velar, educar pra crescer

Veio ao mundo por nós pra guiarmos seus passos

De filhinha bondosa, olhos verdes de ver

 

Nosso amor é imenso por teu existir

Trouxe mais compreensão entre nós, podes crer

Todo dia é surpresa, conviver, te sentir

Temos toda certeza, teu futuro é crescer

 

Nos faz bem repetir, olhos verdes chegou

Com furinho no queixo, chama nossa atenção

Faz estrela e pula, uma artista em ação

 

Seus desenhos, que poesia, você mesmo os cria

Trouxe muita pureza para o meu coração

Será sempre a filha de nossa paixão

 

Cara Francesca, la nostra principessa.

Quinto Zili

Lixo mental II, 152

Lixo mental II

Nosso lixo mental sortido

Variamos os temas, sofisticamos

Além do agir errado

Por traz muito pensamento fermentamos

 

Tudo vai bem num belo dia

Então vem o apelo por mais um querer

Bastava continuar no vigiar que havia

Não frustrar, inquietar, nem rondar a agonia

 

Incompleto ou repleto, passamos viver

De um momento a outro tensão do nada

Vislumbrar um querer, criar o temer

O só ser agora, não satisfaz a jornada

 

Pensar por pensar é bobeira na certa

Fosse assim, melhor seria nada fazer

Criar fantasia embaça a alma desperta

O lixo criamos na mente, no ser

 

Lixo mental não é só o do mal

Muito sonhar à toa deixa o mesmo resíduo

Pensamento do bem sem trabalho braçal

Vira entulho também ao nosso indivíduo

 

Muito lixo mental, maior que o material.

Psicosfera poluída.

 

 

 

 

Lixo mental, 151

Lixo mental

Pensamento solto, elo frágil

Ideias tolas, vigília quebrada

Não tolera o serpenteio

Mente que opera contaminada

 

Entre espasmos de saúde

Uma e outra pincelada

Leva e traz revolta amiúde

Já no ódio foi tragada

 

Superar o fel da ira

Suportar pressão demasiada

Quase chama, fogo  em pira

Quebra o lacre, explosão deflagrada

 

Se não te agrada estes versos

Faz de conta que não é contigo

Sofre e clama por gestos reversos

Do algoz que parece inimigo

 

Triste mote deste pensamento

Que é tóxico e insuportável convívio

Falta a via do saudável alento

Lixo mental destruir para o alívio

Quinto Zili

Costumes, 244

Costumes 

O hábito faz o monge

Ditos, provérbios, costumes à tona

Andando se vai ao longe

Quem tem boca vai a Roma

 

Para ser feliz não precisa muito

Para muitos basta pouco, só o dinheiro

Para poucos só o amor como intuito

Para a maioria falta tudo, o tempo inteiro

 

Hábito se cria como o acontecer

Força se espalha ao envolver da alma

Quando ela mergulha no rio do saber

Que a leva fora dos costumes com calma

 

Alvoroço da descoberta

Os costumes bloqueavam tudo

Criou-se o caos na mente aberta

Abriu-se o lacre, novo conteúdo

 

Afinal porque toda essa mudança

Sem mudar não se descobre

O que vale é a alternância

Pois que um rico um dia vira pobre

Quinto Zili

Amores, 531

Amores

Entre campos e pastos

Nos planaltos e serras

Sem limites e vastos

Até mesmo nas guerras

 

Onde se plante o olhar

Sempre encontraremos flores

Às vezes como pedras raras

Nos revelam veios de amores

 

Homens garimpam em minas profundas

Buscando as riquezas materiais

Como seriam se nas lavras imundas

Só procurassem os bens espirituais

 

As pepitas sempre são encontradas

Não importa onde sejam buscadas

Os amores são como tais

Riquezas superiores, mais colossais

 

Esqueçamos os rancores

Plantemos alianças e compreensão

Colheremos muitos amores

Além das belas flores de Deus a paixão

Quinto Zili

Companhia, 532

Companhia

Que bom, você está aí

Me lendo

Olhando palavra por palavra

Me absorvendo

 

Agora, neste exato momento

Sou tua companhia

Você me escolheu por que quis

Não vire a página ainda, só por um triz

 

Escuta, vamos conversar

Só por um pouco

Estou sozinho também

Não dão por mim um vintém

 

Pois é , você e eu agora estamos em  companhia

E já que é assim, é bom que saiba

Sou bem como você, enquanto me lia

Me entendeu e vi teu sorriso  e empatia

 

Então, resumindo, já que me leu

Agora me compreendeu

Virou meu amigo, se atreveu

Me despeço, te digo, esse poema é teu

Quinto Zili

 

Tudo ll, 405

Tudo II

Ainda que nada falte

Mesmo que de nada se esqueça

A vida cá neste planeta

Pode só passar de leve esmalte

 

Vida plena material

Pouco fala da moral

De que vale ter-se tudo nela

Falo daquilo que não é querela

 

Digo do ser não de carne

Sem a veste após desencarne

Tudo que parecia ser alguém

Mal cai em si ao ver-se no além

 

Num átimo tudo vira nada

O vazio se expande

Pode parecer só um buraco fundo

E se ver de repente um pobre imundo

 

Todo mundo é igual

Tudo e todos ao natural

A desigualdade que se vê na vida material

Se revela outra e se nivela na vida espiritual

Quinto Zili

 

 

 

Tempo e amor, 4

Tempo e amor.

Dois campos da vida.

Um existente em abundância e o outro só existe em nós quando queremos que ele exista.

Tempo e amor convivem conosco mas só se quisermos.  Um faz e o outro leva. Um fica só se o outro deixar.

Não nos falta nenhum, mas um só existe se o outro permitir.

O amor pode levar todo o tempo do mundo para dominar nossas existências e o tempo sem amor é como faltar o ar para respirar.

Mas por assim acontecer só sobreviverá nosso espírito que acordará para a luz quando o tempo chegar e o amor deixar.

Quinto Zili

Escolhas, 186

Escolhas

O céu escolhe o mar no horizonte

As estrelas escolhem o céu no infinito

Nossos pés escolhem o chão rasante

Nossa mente o saber, o mais bonito

 

Criança prefere a mãe logo que nasce

A mãe dá leite ao filho, do próprio peito

Pai e mãe se escolhem e vem o enlace

Família monta a casa do seu jeito

 

A gente escolhe um deus que imaginamos

No bem um velhinho como um Noel

No mal um bruto com quem nos estranhamos

E a vida nos mostra o real sem o véu

 

Que Deus, o Único, também te escolheu

Te criou e Te deu todas as oportunidades

Escolhestes umas boas, outras nem mexeu

Recolhe os bons frutos e deixa as maldades

 

Acolhe e não escolhe de agora em diante

Faz o que o Cristo deixou em exemplo

Não perdes mais tempo ficando distante

Melhor das escolhas, o amor como templo

Quinto Zili

Sujeira, 261

Sujeira

A Mãe Natureza reclama

O Pai Moral nos reprova

Sujeira material se derrama

Lixo mental nos estorva

 

Tudo isso é o que fazemos

Por nossas mãos e almas mesmas

Sem limites do que podemos

Ruir e alcançar situações extremas

 

Quase sem retorno na destruição da Terra

Abalo moral não tem ficado pra traz

É certo que hoje somos melhores e menos guerras

Porém batalhas muito que hoje se faz

 

Muitas chagas expostas no claro e no escuro

As feridas abertas vão se purgando

Um mar de sofrer, violência e ódio puro

Mãe Natureza e Pai Celestial só observando

 

Nosso arbítrio é nossa lei contra o lixo

Sujeira são cavacos da forja do ser

Poluímos a Terra com largo capricho

Nossas almas se depuram no próprio crescer

Quinto Zili

 

Tontices, 381

Tontices

Quando se tem pouco a fazer

Vagos pensamentos

Falsos sonhos se ter

Aviltamentos

 

Descuidos, desleixos em pilha

Formam a armadilha

Cuidado, há perigo no ar

Na curva poderás capotar

 

Nossas tontices são muitas

Qualquer relaxar

Total descuidar

Ameaças fortuitas

 

Forçar a melhor conduta

Parece piegas

Mas se resoluta

Assim não te entregas

Quinto Zili

Gentileza, 384

Gentileza

Homem das cavernas

Constantes ameaças

Medo lhe corria as pernas

Natureza só lhe trazia trapaças

 

Milhares de anos a finco

Passado longínquo

Lar e família eram distantes

Pouco do hoje havia no antes

 

Percebeu o ser um dia

Depois de muita dureza

Habilidade quase não se via

Agir por impulso de uma gentileza

 

Noutro dia nasceu como sutileza

Descobriu um valor novo

Um gesto foi assumido entre o povo

Se tornou hábito traduzindo pureza

 

Hoje temos mais dessa atitude

Que convidam as relações à gentileza

Muitos a servem com cuidado amiúde

Nem todos entendem sua beleza com certeza

Quinto Zili

Nada mesmo, 120

Nada mesmo

Às vezes nos percebemos como imperceptíveis seres no universo. Olhamos o céu à noite e enxergamos uma imensidão de escuro pilhado de outros mundos e vem uma noção de insignificância , de pequenez , de um não ser nada. Nada mesmo. Um nada no meio de um tudo.

Isso porque ainda achamos que o único planeta habitado e com gente inteligente é a Terra.

E quando pensamos na vastidão dos mundos também vem essa sensação  de atraso no tempo. Ainda matamos para comer. Matamos também por ódio e por vingança. Produzimos guerras. O único planeta habitado no universo destrói  sua própria natureza para sobreviver. Quanta demonstração de inteligência… Que adianta a filosofia sobre as galáxias se estamos acabando com a própria água e onde crianças morrem de fome e pela violência.

Nada mesmo. Somos nada e ainda nos falta humildade para reconhecer.

Mas temos solução e salvação. A consciência nos trará o caminho e devemos educar nossos filhos para isso. E tudo mudará. A única verdade.

Quinto Zili

 

 

Nada, 112

Nada

Ao universo estelar lançamos olhar profundo

Ou ao fundo  de nosso corpo mergulhamos

Tentamos entender todo esse vasto mundo

Buscamos compreender como funcionamos

 

Tudo está de frente à nossa cara

Podemos tocar muita coisa até mesmo

No entanto o amor ainda é coisa rara

Porque nada sabemos e falseamos à esmo

 

Queremos ter todas provas na vida

De onde termina o fim do mundo

De onde viemos para essa lida

Mas ainda o nada é mistério fecundo

 

Certeza só há mesmo de morrer todo dia

Nascer, renascer é tarefa diária

Entendermos o todo, prova que irradia

Nada saber de outras vidas na teia planetária

 

Tudo ou nada é dilema eterno

Saber o não saber eis a questão

Só o que é certo é que sem amor fraterno

Longe de Deus estaremos então

Quinto Zili

Haveres, 436

Haveres

Escrituras

Objetos

Dinheiros

Haveres

 

Seres que os acumulam em abundância

Tédio e intolerância

Preocupação do ter

Esquecimento do ser

 

Haveres materiais

Sem dúvida importantes

Mas o quanto necessário

Um porquê lendário

 

Quem os tem e se apega

O mesmo quem não os tem e não os nega

Sofre quem tem muito mas quer mais

Pena quem tem pouco e luta demais

 

Haveres e só prazeres de quantidade

Mundana concepção

Inverso da caridade como qualidade

Único caminho da salvação

Quinto Zili

Se, Mas, 435

Se, Mas

Aquilo que não deu certo

Que mudou sem direção

Avisado foi ao esperto

Alterou-se o então

 

Se tivesse acertado parelho

Se fosse feito de outro jeito

Pudesse ter seguido o conselho

O resultado fosse melhor proveito

 

O Se e o Mas,  por vezes, são dementais

Condições externas desleais

Um tanto artificiais

Que nos impomos demais

 

Nota que para tudo temos um Se

Percebe que também exigimos o Mas blasé

Quando não achamos desculpas boas

Fácil colocarmos os pés em duas canoas

 

Duvidar é bom, faz bem

Melhor seria só contestar o mal

Fugir dele quando se disfarça de bem

Quando o Se é útil para enxergar além

Quinto Zili

 

Chuva, 401

Chuva 

Molhada de água

De neve ou de granizo

Tempestades

Ou chuvisco improviso

 

Então não se sabe

Quando vem ou vai

Mas há quem estude

Poder antecipar, uai

 

A chuva traz de volta frio

A água evaporada que já foi chovida

Tudo que no tempo se transforma em rio

Nossa existência enriquecida

 

Esse fenômeno da natureza

Nos salva de tragédias fatais

Secas e desertos só seriam

Cidades em que hoje morais

Quinto Zili

Diabo, 423

Diabo

Pior fantasia do homem

Alegoria da destruição

Que o ser humano veste

Quanto e quando quer parecer a peste

 

Pintam o diabo de vermelho

Quem ele é, o macabro

Onde mora e tal

Longe da casa moral

 

Fetiches e basbaques

Ignóbeis retoques

Quanto mais o retratam

Menos se faz destruí-lo

 

No fundo é o mal

Fantasiado de tudo

Passa por bom, por amigo

Deixa o rastro sempre de perigo

 

Espanta crianças, moços e velhos

Existe forte em nossa imaginação

Como figura e ser nada é

Mas como possibilidade é tudo até

 

Se o diabo fosse só o que pintamos

O bem já o teria vencido

É pior, mais forte, pelo fel movido

Feito do mal que nós mesmos praticamos

Quinto Zili

Bem-te-vi, 434

 

Bem-te-vi

 

Passarada

Amanhecer

Cantos

Acordar e crer

 

Bem-te-vi

Bem-te-vi

Também canários

Outros cantos ouvi

 

É a natureza que vive

Acordando o homem

Todo dia se repetindo

Incansável, como é lindo

 

Bem-te-vi, Bem-te-vi

Todos os dia estamos aqui

Assim Deus nos chama à vida crer

Com música e um Sol para cada ser

 

E a luz sempre é trazida

Há cheiros de mato e vida

Contemplar a grande oportunidade

De sentirmos o Pai em nossa identidade

Quinto Zili

 

Segurança, 245

Segurança

Respira fundo

Pede paz

Pede o mundo

O universo traz

 

Conspira a teu favor

O que focas na respiração

Te traz o bem, não a dor

Te faz melhor em inspiração

 

Inspira saúde entrar

Expira doença sair

Mentaliza paz encontrar

Mentaliza o medo expelir

 

Foco, desejo e meditação

Amizade, segurança e amor

Sentindo plenitude e compaixão

Afastando orgulho e a dor

Quinto Zili

Sentir, 396

Sentir

Estou aqui

Às vezes podes me sentir

Quem sou não importa

Nem tampouco porque abriu-se a porta

 

Cada qual segue o seu

Não releva quem seja

Mas deve ser pelo bem

De fato o bem que se almeja

 

O pensar é nossa união

Sem saber é fio de comunicação

Sentir é ainda mais

Quase trocar nossos sais

 

Misericórdia divina nos religa

Aqui volto em missão

Tropeços mútuos e fadiga

Nossos espíritos em comunhão

 

Deus supremo assim permite

Que se pague, se quite

Com o bem da ajuda limite

Nada mais separa o que é bom alvitre

Quinto Zili

Peste, 439

Peste

Forte expressão

Dá medo e dor

Pragas e sofridão

Traz mau cheiro e fedor

 

E não só ser física

Também se referir à moral

Corrupção de ambas

Assolam feito ondas

 

Peste já é palavra feia

Fugir dela que se esconde

Tem pernas e braços longos

Um abraço sem saber de onde

 

Mas temos melhor visão

Os espíritos nos trouxeram explicação

Doutrina reveladora, provedora

Consertos maiores vem como prova expiadora

 

Se é coletiva uma peste é solução

Nada é casual

Tudo tem relação

Em verdade tudo é causal

 

Doutrina trazida pelos Espíritos de Luz

Com Kardec, maestro a codificar

Nos cabe muito agora estudar

É caminho aberto até Jesus

Quinto Zili

Sujeira ll, 411

Sujeira

Porcarias

Besteiras

Nojeiras

E tudo de sujeiras

 

Diferente de nogueiras

Cerejeiras

Abacateiros

E todos os fruteiros

 

Dizer que sujeira é ruim encontrar

Ruim é o que não se pode arrumar

Da sujeira resta limpá-la

Trabalhar para aplacá-la

 

Quem gosta de sujeira

Não conhece o outro lado

Vive em situação precária

Padece de porca indumentária

 

Olheiras combinam com sujeiras

Tristeza e pura aspereza

Mágoas de si mesmo e de mais gente

Conferem ao sujo seu pendão de demente

 

Ora então, sai sujeira

Não te quero para mim

Não te quero no mundo

E ajudo a qualquer um a limpá-la até o fundo

Quinto Zili

Tudo, 100

Tudo

Sem dúvida é uma vida feliz e importante a que vivemos.

Sem sombra de dúvida poder amar e ser amado é uma sensação inalienável.

E sem a menor dúvida conhecer o universo, suas leis e crer em Deus é a marca do ser humano pleno.

A possibilidade simples de sermos todos irmãos movimenta por si só um complexo sistema de equilíbrio que ainda não aquilatamos. E de sermos um só nesse Deus é entendimento mais difícil para nós. Mas estamos cada vez mais próximos de perceber que tudo que fazemos e sentimos em relação ao próximo estamos por realizar em nós mesmos e talvez essa sustentabilidade do cosmo universal percebida dentro de nós nos abra a visão dos mundos. Não só nossa curiosidade mas a necessidade nos trará as percepções necessárias.

Deus maior de tudo e de todos.

Quinto Zili

Bençãos, 94

Bençãos

Somos apaixonados pelos santos e santidades e buscamos suas bênçãos a todo momento e por todos os motivos.

Mas se Deus está em nós e somos seus frutos e Jesus nos afirmou dessa maneira, teríamos que mais abençoar do que as pedi-las.

Paradoxo ou não nos falta fé nessa paixão viciada. Nos falta atitude. O bem e o amor já deveriam ter produzido seus efeitos em nós.

A falta de vontade e coragem de entender o amor e o bem nos vem da preguiça espiritual e é marca de nosso corpo carnal que se finge de vítima de si próprio.

Abençoemos com fé e humildade e nos livremos das paixões insanas buscando a vivência do bem e do amor.

Jesus nos ilumine.

DEUS Pai nos abençoe, seus filhos.

Quinto Zili

Cozinha, 88

Cozinha

Alimentação é o mais ancestral de nossos hábitos. Cozido ou crú, comemos desde sempre.

A agregação maior entre nós se deveu à criação dos espaços arquitetônicos, engenheirísticos e prazerosos da cozinha.

Queira ou não, evolução entre nós ou não, o fato é que o que mais une as pessoas e dentro das famílias é o hábito de cozinhar e comer juntos.

Os gourmets então, nem se fale. Como parecem ser cada vez mais desenvolvidos estes especialistas.

Mas o que podemos dizer é que  em planetas verdadeiramente mais evoluídos a alimentação é frugal e mesmo etérea e o que une as pessoas é o convívio  sincero, amoroso e fraterno. Em torno de temas os mais diversos, menos o cozinhar e comer.

Então!

Como transmutar essas nossas premências, hoje de sobrevivência, para uma vivência sobre e além das necessidades básicas?

Sublimar pelo amor e aprender com os ensinamentos de Jesus.

Quinto Zili

Apreço, 86

Apreço

Tal como carinho e amor, apreço é do time dos bons sentimentos.

Por alguém ou algo, é como ter uma dedicação especial. Se envolver e querer ter uma relação.

Então acabamos por nos sentir próximos e isso nos faz bem.

Porque não termos esse sentimento por tudo e todos pode ser a chave do futuro de cada um de nós.

Temos ensinamentos de sobra para nos tornarmos essas pessoas como Jesus e seus apóstolos.

Porque é tão difícil? Porque colocamos outros sentimentos antes do mínimo apreço? Admirar sem invejar é difícil? Olhar sem desejo de posse é complicado? Respeitar o sentimento e a situação do outro pela empatia, mais difícil ainda? E ouvir o outro sem julgar, impossível?

No mais das vezes somos apenas simpáticos e isso menos resolve.

Voltemos ao nosso jardim de infância e tentemos os sentimentos puros. Fazer o outro feliz porque estamos apenas brincando juntos e também ficamos felizes. Isso já bastaria para um excelente recomeço.

Recomecemos amigos.

Quinto Zili

Sonolência, 80

Sonolência

Muitas pessoas estão sofrendo de um mal estranho trazido pelos excessos.

Caem em prostração e ficam anestesiadas. Baixa produtividade, impaciência, irritabilidade e momentos de torpor e sono aparecem do nada.

Não são doentes, mas padecem e seu viço cai assim como contraponto do feérico ritmo que levam amiúde.

Pura falta de organização e prioridades com perda do senso maior de aprumo espiritual. A sanha da carne, da matéria, irrefreável, tem sido extrapolada pelos estímulos das novidades tecnológicas e dos apelos constantes aos impulsos do consumo. Estratégias de fomento aos nossos sentidos do prazer efêmero se sustentam muito facilmente contrariamente ao que deveria ser feito que seria o relaxamento e a distensão de nossos centros de força e de comando, para o descansar combatendo o sono na hora errada.

Temos que retomar o comando de nós mesmos. Só isso!

Quinto Zili

Olhar, 430

Olhar

Que não seja um pedido falado

Ou gestual atado

Acaso não atenderás tal pleito

Movido pelo olhar tem maior efeito

 

Profundo

Carente

Sem palavras e eloquente

Olhar ardente

 

E o teu olhar

O que dirá

Chorarás em agonia

Ou te moverás  o corpo em sintonia

 

Correspondido um olhar

Entendido o problema

Passemos à solução do tema

Ajudar e fazer melhorar

 

Compaixão no olhar

Não é ter pena nem dó

É na verdade não pilhar

Nem fazer da caridade um nó

Quinto Zili

Gentilezas, 126

Gentilezas

Podemos, se queremos, demonstrar e sermos gentis

Quando nos convém, no mais das vezes fazer

A pureza de um gesto, vem de dentro se diz

 

E não adianta só trejeito, se só demonstras teu não querer

Ser verdadeiro é traço da atitude respeitosa

O homem bom, a todo momento, pode educado ser

 

Se sente bem a testar suas reações a toda prova

E não se desgasta ao transformar furacão em simples brisa

Queira ou não temos dificuldades em demonstrar brandura que ameniza

 

Podemos mais no esforço da boa vontade

Há de um dia chegar nossos movimentos serão só ternura

Que logo chegue então junto com a leal bondade

Luzes para todos

Quinto Zili

Mãe querida, 83

Mãe querida

Quantas vezes depois de sua partida chorei de saudade.

Da falta do seu carinho e de sua bondade.

Como era tranquilo todo o meu dia.

Pois sabia que ao chegar em casa, sua acolhida sempre teria.

Seu beijo, sua benção, suas mãos macias e quentes me tocando o rosto.

Me dizendo sempre palavras de bom gosto.

Queria mãe, voltar no tempo.

Bem criança me lembro, as dorzinhas de barriga que às vezes eram só medos que você pacientemente me ajudava e fazia a enfrentar com um toque, sempre que  me benzia.

Bastava um gemido e seu olhar me acalmava.

No frio seu calor é que me acalentava.

Papai impunha e você encobria.

Mas também era dura porém sempre com brandura.

A coisa melhor da vida, é lembrar da mãe querida.

Não acredito que um ser possa ser indiferente.

Não crer na magia que isso carrega em nossa mente.

Te amo minha mãe e que todas como você e tua fé, sejam abençoadas por Maria de Nazaré.

Quinto Zili

Padroeira, 312

À suprema Mãe neste dia de todas as mães!

MENSAGEM ESPÍRITA, POEMA, PRECE & POESIA

Padroeira

Maria Mãe querida!

Anjo maior desta vida

Geraste o príncipe do amor

Criaste o rei deste planeta

Não houve fogos nem trombetas

Mas sim o anúncio pelas estrelas

Deus assim pôs em prática

Plano maior a salvar todas ovelhas

Vosso filho Cristo, Padroeira

Que comanda esta Terra prometida

Só quem vos chama de mãe verdadeira

Tem amor tão grande, sem medida

Somos vossos filhos ausentes de paz

Todos carentes a vos chamar

Clamando pela vossa ação tenaz

Que todo mal desfaz ao vosso simples olhar

Quinto Zili

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