Paralelo

Paralelo

Apenas o outro lado

Um mundo associado

O que não vemos

O paralelo que não cremos

 

Almas em convívio

Para quem for o alívio

Não se sabe de antemão

Compartilhar em profusão

 

Um mundo inteiro

Paralelo e real

Pouco nítido mas lindeiro

Não nos atina o espiritual

 

Só partindo para ver

Sentir, verificar e comprovar

Encarnado é difícil de crer

Como aqui é aí, sem por nem tirar

 

Morre para ver

Faço contigo aposta

Aí, temos dúvida de entender

Aqui, tudo vira resposta

Quinto Zili

890

Sopa

Sopa

Coloqueis tudo na receita

Abundantes ingredientes

Poção de saúde perfeita

Pitadas de vontade apetecentes

Esse prato será completo sabor

Cozido no fogão do amor

 

O jeito de cozinhar é marca

Cada qual tem um estilo e um enredo

Mas pedis por uma sopa farta

Vais ver que a emulsão tem segredo

E cada parte da feitura

Toma aspectos de entrega pura

 

Democrata é a sopa, irreverente

Qualquer acepipe fresco ou bem maduro

Viram quentura de um sabor final diferente

Umas suaves, outras com toque e aroma puro

Faz-se o blend preferido ou um bem requintado

E sopa com pão é essencial, mais queijo ralado

 

No imo desses versos, que importa é o efeito

Mata uma fome e sacia um desejo

Rega uma reunião familiar num alimentar perfeito

Sopa une tudo, ingredientes, calor, para tomar de beijo

Quem faz, quem come ou toma, ninguém rejeita

Quente ou fria, parece mesmo de amor ser feita

Quinto Zili

461

Tentativa

Tentativa

Aquela postura

De desespero

De desânimo

O pânico

 

Síndromes à vista

Falha de conquista

Quase irreversível

Situação temível

 

Talvez falte tentativa

Buscar alternativa

Dentro do próprio mergulho

Ao se encontrar com o orgulho

 

Aproveitar o momento

Na máxima crise

No fundo do poço havido

Lá está o tesouro escondido

 

Não lhe falte tentativa

Não existe morte altiva

Só existe vida, em tudo

Deus nos ama demais, vivos sobretudo

Quinto Zili

523

Casamento

Casamento

 

Quero amar-te nesta vida

Vejo o tempo à nossa frente

Seremos um do outro guarida

 

Tu me trazes novas sensações

Quero ter-te cada vez mais

Seremos um só de dois corações

 

Tanto tempo procurei

Alguém me desse seu amor

E achei pra dar meu calor

A quem me trata como um rei

 

Que bela é a vida

Tão longe está a morte

Hoje temos um ao outro

E não reclamamos da sorte

 

Que Deus permita para sempre

Nossa relação bela e segura

Pois só quem ama é quem sente

A verdadeira relação de ternura

 

Ame sempre caro amigo

Voe e alce a luz da sua paz

Mas leve sempre junto contigo

Semente do amor não se deixa pra trás

Quinto Zili

103

Perfeição

Perfeição

Ainda não sabemos o que é

Como é

Onde se encontra

Em quem desponta

 

Ou melhor, o mais próximo que seja

Até onde se perceba e se veja

Só aquele que pisou na Terra há dois mil anos

O espírito mais perfeito, Jesus entre nazarenos

 

Mas ainda assim, de perfeição nada entendemos

Sem poder avaliar sua extensão sofremos

Até mesmo nossa noção de perfeição é imperfeita

De irmãos maiores, somos apenas nossa colheita

 

E o que seria então a perfeição

O bem, o amor, o perdão e a caridade

Tudo junto em harmonioso diapasão

O próprio sofrer como outra realidade

 

Até nossas preces são imperfeitas em tese

Por certo deveríamos entoar mais agradecimentos

Mesmo que não pareça, Deus dá todos suprimentos

E ainda nos brinda com Jesus na catequese

Quinto Zili

790

Dia das Mães

Dia das Mães

Não sei se mãe já fui uma vez

Quem sabe nalguma encarnação

Mas se fui, obra de Deus me fez

E hoje aqui sou homem em ação

 

Nos lembrássemos de outras vidas

Que experiências iríamos encontrar

Seriam graças ou memórias sofridas

O véu do esquecer é dádiva do amar

 

No Dia das Mães quem se lembra se comove

Quem não queria estar com a sua mãe por perto

Quem não quer a benção que se renove

Chorar e rir no colo de amor único e certo

 

Quem consegue amar incontinente

Cuidar desde o primeiro dia de vida

Antes mesmo na barriga quente

Que pari feliz até na dor sofrida

 

Quem cuida até o último dia de um ser

Quem sofre quando um filho perde ou se vai

Que adota outros quantos pode ter

Que chora por amor, dor, alegria, sofrer e nunca cai

 

Mãe é pilar, é altar, é igreja

De joelhos devemos lhes prestar homenagem

Que Mãe Maria nos ouça, Vossa benção que assim seja

Dia das Mães é todo dia nesta sagrada romagem

Quinto Zili

 

 

Orai e vigiai

Orai e vigiai

Ao longo de uma vida

E também na eternidade

Seja de gozo ou sofrida

Seja na saúde ou enfermidade

 

Jesus nos ensinou à abastança

Do concreto ao sensorial

Que havendo esta aliança

Matéria bem usada eleva o espiritual

 

Que cuidados devemos ter

A  vigília como obrigação

Cada qual e o todo perceber

Quanto bem ser posto em ação

 

Se o mal nos visita

Se é incúria indevida

Sem oração é desdita

Sem vigia vida invadida

 

Filhas e filhos, se me permitem

Deus Quem nos criou e nos deu vida

Com Jesus Boa Nova não é só mero item

Mas linha mestra da evolução prometida

Zili

883

Caboclo

Caboclo

Minha mãe do céu, Ele ainda nos deu o perdão

Será que isso mesmo que aconteceu

O Homem veio em nome de Deus

Crucificamos o Cristo, ao lado de ladrão

 

Se Ele alguma coisa roubou

Foi o mal dos corações

Mas nem mesmo isso fez

Só o bem plantou, nada levou

 

Sou um caboclo destemido

Sofrido e carcomido

Vim de longe para dizer

Como é lindo esse fazer

 

Escrever nunca me foi fácil

Eu não saberia esse conhecer

Hoje sou até professor

Mas o que ensino é o bem querer

 

Aprendi com Ele Jesus

Que já de longe é pura luz

Depois de eu muito errar

Na graça de Deus pude Ele encontrar

 

E deixo abraço de caboclo matuto

Quem lembrar de mim não carece luto

Aqui se vive mais e se trabalha bem mais que aí

Olha para o céu, quanto amor e quanto bem vem daqui

Quinto Zili

545

Elo com Deus: Páscoa

Elo com Deus: Páscoa

Doce olhar de Jesus.

Nos confunde. Tanto poder e tanta verdade. Tanto amor e nenhuma vaidade. Tanta vida e viveu tão pouco entre nós.

Quando veio o tempo parou. A natureza mãe se fez de palco para sua passagem e o céu deve ter ficado mais iluminado por trinta e três anos seguidos. Era muita energia concentrada num só corpo.

Imaginar que um espírito pleno de luz se fez passar por gente como nós para que apenas iniciássemos nossa crença em algo realmente puro, maior e pleno. A fonte da própria luz divina veio até nós encurtando nosso esforço em descobri-la.

Até isso Deus permitiu acontecer para nós, seus pobres filhos, tivéssemos uma oportunidade entre tantas, porém, de sublime diferença.

O elo com Deus.

O Espírito da Verdade.

Jesus, a páscoa de todos os dias.

Graças a Deus.

Arte

Arte

Um pincel na mão

Uma talhadeira

Uma ideia em execução

Arte se tornando inteira

 

Uma poesia de toque

Uma canção melodiosa

O esculpir sem retoque

Mesmo a arte religiosa

 

A alma transbordando

Dobrando a fronteira

Rompendo, ultrapassando

Sentidos em fogueira

 

Liberdade à arte

Comunhão espiritual

Todo mal à parte

Do veio do bem descomunal

 

Ousar-se pintar o sete

Quando Deus nos tem compaixão

O feio na arte não se repete

Pequeno registro da má inspiração

 

Pintura maior, o infinito do céu

Onde os outros mundos viram estrelas

Arte suprema por Deus o pincel

Beleza sem fim, de podermos vê-las

Quinto Zili

856

Amores

Amores

Entre campos e pastos

Nos planaltos e serras

Sem limites e vastos

Até mesmo nas guerras

 

Onde se plante o olhar

Sempre encontraremos flores

Às vezes como pedras raras

Revelando veios de amores

 

Homens garimpam minas profundas

Buscando riquezas materiais

Como seriam se nas lavras imundas

Só procurassem os bens espirituais

 

As pepitas sempre são encontradas

Não importa onde sejam buscadas

Os amores são como tais

Riquezas superiores, mais colossais

 

Esqueçamos os rancores

Plantemos alianças e compreensão

Colheremos muitos amores

Belas flores de Deus ao coração

Quinto Zili

531

Chamado

Chamado

Vem do outro lado do muro

Do muro de dentro do teu coração

De que lado vem o som puro

Prestar melhor atenção

 

O vizinho já escutou

Não foi você quem chamou

Outros vizinhos ouviram também

Há algo diferente na linha do trem

 

O caminho está assegurado

Vem sendo feito o chamado

Pode a mente furtar-se entender

Vacilar o pensar e se arrepender

 

Chamamento provocante

Acontecendo a todo instante

Não escuta quem tapa o ouvido

Palavras são do Mestre querido

 

Ele não altera o tom

Não muda o discurso bom

Nós que damos de ombros

E terminamos em escombros

 

O chamado na verdade é hino doce

Como cântico de anjos fosse

Daí sofremos na alma e o corpo se reduz

Sem atender a Jesus, único sábio da luz

Quinto Zili

499

Por que Poesia Espírita

Por que Poesia Espírita

Merece uma explicação

Porque adjetivei a poesia

Quando pura e de isenção

Arte prescinde de categoria

 

Foi uma escolha minha

De como divulgar uma filosofia de vida

Poemas, mensagens, o que me vinha

Da doutrina consoladora pelos Espíritos trazida

 

Por humildade e respeito, ainda foi definido

Que se tivesse prévia noção do que se leria

Em que o leitor seria envolvido

Mostrar, de antemão, do que a poesia trataria

 

Quem não aprecia ou desgosta

Descarta antes sem problema

Não quero incomodar, nem a quero imposta

Permitir assim bater o olho e não lê-la

 

E se a Poesia Espírita ferir alguém

Que fira antes a mim, pobre escritor

Ela falará só do amor e do bem

Será minha a licença poética como seu tutor

 

Afinado em Jesus sobre os  variados temas

Humanidade nada perde com esta poesia

Só ganhamos mais meios de entender problemas

No mais, dos Espíritos, é o que se pretendia

Quinto Zili

Naquele viaduto, vidas

Naquele viaduto, vidas

Aquele pequeno espaço tinha servido de casa. De um cômodo, por onde passou e dormiu uma família. Maria, Pedro, três filhos pequenos e dois cachorros.

Uma enchente histórica levou a casa, tudo que tinham e fugindo do perigo, à noite,  acabaram nesse buraco sob um viaduto.

Cidade grande, calamidade, emergência e mais uma família assim como tantas outras se vê em completo abandono.

-Mãe tô com fome, mãããe!

-Quero dormir, não vamos voltar?

-Tenho frio mãe.

As sete bocas nada tinham com o que se alimentar e só tinham um galão de água. O local era úmido, sujo e frio. Mesmo sendo verão de enchentes, o calor esquecera daquele lugar.

-Pai tô com medo, ninguém vai ajudar a gente?

Apesar do desespero, pelo menos as crianças dormiram no calor do colo dos pais e grudados aos cachorrinhos. Pedro antes de amanhecer olhou para Maria e se entenderam quase sem falar. Saiu desesperado para buscar ajuda, alimentos e avisou Maria que se não retornasse até o final daquele dia ela teria que sair dali e levar todos até achar um abrigo de prefeitura. Um dos cachorros simplesmente o acompanhou enquanto o outro montou guarda ficando, com o que pareciam entender o drama e colaborando na segurança.

Pedro saiu bastante desesperado. Caminhava, corria, suava, chorava, pensava e orava em voz alta como a convocar o Teco, seu amigo cão a fazer o mesmo “não posso deixar minha família sofrer desse jeito meu Jesus; me ajuda pelo amor de Deus”.

Subiu e desceu ruas, quilômetros, horas caminhando. Gente olhando para ele com desconfiança. Parecia um indigente, sujo e cansado. Num dado momento viu o Teco inquieto que sai correndo em direção a uma cena pouco distante, dois homens atacando alguém. O cão chega mordendo um deles enquanto o outro ainda tentava tirar pertences da senhora machucada deitada no chão, e antes que Pedro os alcançasse eles fogem covardemente. A velhinha muito machucada, sangrando na cabeça e nos braços sem conseguir se levantar começa a falar:

-Ai minha Nossa Senhora, graças a Deus alguém apareceu. Me ajuda aqui moço. Ai! Ai! Pega ali meus óculos. Os danados me levaram tudo, olha só!

-Eu ajudo a senhora…

-Olinda, filho.

-Pedro, dona Olinda

Ele a carregou por mais de um quilômetro até onde ela morava. Sua casa pequena, mas muito arrumada, se destacava na rua estreita e de poucas árvores. Entraram e ele a levou ao quarto onde repousava seu marido doente numa das duas camas. Apareceram vizinhas que acudiram a senhora. Falavam com ele Pedro, para saberem do acontecido, ao que pacientemente relatava.

Pedro apesar de já inquieto e preocupado  ficou mais um tempo por perto, quase duas horas pois se compadecera da senhora, mas precisava ir embora para continuar sua missão e ao pedir um copo d’água para sair alguém lhe acenou com um prato de comida e um pouco de ração para seu amigo e lhe pediram que fosse ao quarto da senhorinha.

– Coma Pedro. Você deve estar com fome. Carregou muito peso (Risos). Para onde ia, quem é você?

Ele, enquanto engolia a comida e ia olhando pelas paredes os retratos de uma família linda, acabou contando seu drama. Dona Olinda se emociona e ao som daquela narrativa também olha para um pequeno quadro sobre seu criado mudo.

-Quem são dona Olinda?

-Meu filho, nora e meus 3 netos.

-São lindos, que bela família a senhora tem.

-Eram sim. Há dois anos perdi todos num acidente de carro.

Pedro não sabia o que dizer. Ficou mudo, estarrecido. Seu corpo estremeceu e sentiu muita tristeza, a mesma que estava vivendo com sua família em risco.

-Pedro, vá imediatamente buscar sua mulher e seus filhos. Traga-os para cá. Tenho um quarto nos fundos que vocês podem usar por enquanto.

O homem se ajoelhou perante a senhora, beijou suas mãos, olhou para o velho da cama ao lado, que lhe sorria. Saiu em disparada, correndo. Depois de três horas chega com a família mais Teca e Teco.

A vida naquela casa depois de dois meses mostrava o que é se encontrar um oásis em pleno deserto. O casal de velhos entendeu que Deus lhes devolveu a família. Pedro e sua família entenderam que Deus lhes enviou um par de anjos protetores.

Pedro era um faz de tudo na casa e pelos velhos, além de conseguir fazer bicos e conseguir ganhar a vida honestamente e Maria uma pessoa extremamente caridosa que cuidava dos velhos com amor, o mesmo que dedicava aos seus filhos com esmero.

Em seis meses o velho marido de Dona Olinda falece. Ela na sequência também começa a adoecer e por não terem parentes a quem deixar o pouco que tinham, avisa Pedro que se ela morresse ele deveria procurar um tal senhor no cartório do centro.

Dona Olinda havia sido importante professora de uma escola da região e acabou conseguindo lá mesmo matricular os três filhos do casal, Ana, Clara e Junior, 9, 7 e 5 anos. Ensinou tudo o que podia a Maria, inclusive a costurar numa máquina que possuía. Em um ano ela se vai, deixando tudo que tinha para o casal. A casa, economias e uma gratidão enorme pois Pedro e Maria cuidaram dos velhos como se seus pais fossem.

 

Cidade grande, desumana, trágica.

Gente boa, calor humano.

Providência divina.

Desespero e medo.

Amor e compaixão.

Tudo se mistura numa grande cidade. Inclusive vidas”

Quinto Zili

829

 

Apelo

Apelo

Insisto com esse meu apelo

Já há muito lhes faço

Para mim tem sido um pesadelo

Podem crer no meu embaraço

 

É recorrente e digno

Qualquer pedinte o faz

Meu apelo é benigno

Mormente daqui onde se jaz

 

Só uma prece

Uma lembrança pela minha alma

Nada mais me aquece

Fiquei perdido, me findei sem calma

 

E como eu há muitos semelhantes

Parentes, amigos, conhecidos

Apelo por todos cambaleantes

Somos irmãos, não frutos desconhecidos

 

O amor acende uma luz

Mesmo à distância se produz

Um jorro de esperança a quem se conduz

Elo distante até reencontrar Jesus

Quinto Zili

557

Mulher

De onde veio essa coisa de que homem é superior à mulher, sendo que no máximo, na realidade, ele tentar lhe ser igual ainda seria precário. Quando os homens pensavam que elas evoluiriam até atingir o nível deles. Quando tudo, de verdade, se passava ao contrário.

Por excelência de seu existir, ou na dose superior de resignação, as mulheres se curvaram à violência e ao orgulho dos machos de sua raça. Até hoje ainda, elas, em número equivalente porém melhores, os admitem, homens de toscas falhas, a atuarem como os responsáveis pelo mundo. Mera concessão e de graça.

Ora, ora, acreditem ou não, está terminando esse ciclo. O homem finalmente está começando a perceber sua ruidosa e vaidosa condição, de força e violência, truculência e orgulho, e em tendo agora que fazer tarefas erroneamente classificadas como femininas, vai percebendo sua real posição.

E a questão se mostra mais clara aos olhos do espírito, em que não se distingue sexo. No corpo de carne é uma injunção decisiva, de provas, de necessidades, de múltiplas experiências. Perante Deus, somos todos iguais. Corpo e alma. Sempre fomos, sempre seremos. E o homem pleno, esse nunca se viu nem acima nem melhor que a mulher, ao contrário, sempre lhe rendeu reverência pela sua melhor condição de sensibilidade e amor de mãe inatas, que são diferenças naturais criadas por Deus. Elas são superiores aqui na Terra. Elas dão o equilíbrio às relações, pregam paz em vez de guerra.

Rendamos, homens, nossas humildes homenagens à elas. Às nossas mães, esposas, irmãs, filhas, sogras, e à todas indistintamente, que até hoje tentamos subjugar pela força e menos pela inteligência, que sempre nos faltou à mente.

A evolução foi da mulher e do homem, mas elas sempre estiveram à frente. O homem é que saindo da inferioridade, hoje melhorado e menos nocivo, passa a entender agora o seu papel e sua falha milenar de esbulho possessivo.

VIVA AS MULHERES, HOJE E TODOS OS DIAS!!

Quinto Zili

A roda dos expostos e Zeca

Sim, foi naquela roda. Lá que ele nasceu, que o encontraram. Só lhe contaram isso quase no final da vida. Abandono é o sentimento mais duro de suportar. Rejeição.

-Olá, bom dia seu Zeca.

-Bom dia minha filha.

-Trouxe um pouco de comida e leite. Não consegui o seu remédio.

-Você já é um remédio para mim, lembrando desse velho, minha querida.

E essa era a rotina dos últimos dias de Zeca, aos setenta anos, vivendo na rua de dia e se recolhendo à noite ao abrigo da cidade que o acolheu desde criança. À essa altura já sofria de doença reumática degenerativa. Perdera sua pequena oficina e nem podia morar sozinho devido suas precárias condições de saúde e vivia praticamente de doações e ajudas de pessoas amigas.

Foi criado numa creche de Santa Casa porque quando foi achado na roda dos expostos logo surgiu aquela senhora do convento que o levou ao padre da cidade. E assim ele cresceu pelas mãos de pessoas abnegadas. Se tornou jovem, aprendeu ser sapateiro e foi como trabalhou toda a vida, ficando conhecido por toda a redondeza pelas suas habilidades. Por vezes pessoas o procuravam por achar que pelas suas mãos habilidosas no couro, também aconteciam alívios de dores e até curas, segundo muitas testemunhas. Mulheres levavam seus sapatos, sandálias e joanetes e depois de tempos se sentiam livres de dor. Até pés deformados por artrite e dor apareciam curados ao serem tocados por suas mãos. Mas também era mau visto por maridos ciumentos e muitas pessoas descrentes.

Zeca era pessoa calma, bondosa e paciente. Entendia de misericórdia como poucos. Nunca teve curiosidade de conhecer seus pais. Acreditava mesmo que não os tivesse ou os merecesse ter. Seus pais na prática foram as freiras do convento, voluntários da Santa Casa e pessoas de bom coração da cidade. Seus irmãos, todos os outros abandonados, rejeitados como ele.

Teve sua pequena oficina atrás da igreja em cantinho arrumado pela prefeitura e ganhou suas ferramentas do dono da rádio da cidade, seu primeiro freguês. Lá morou e viveu sozinho até se adoecer e não mais conseguir lidar com a bigorna e a turquesa. Suas mãos atrofiaram.

Um dia antes de sua partida para o céu do Senhor Jesus, e ele chorava toda a vez que rezava para Ele e Nossa Senhora Sua Mãe, recebeu uma visita de uma senhora. Logo cedo, já estava na calçada da praça como de costume e ela se aproximou. Ele achou que estava sonhando e não deu de olhos. Sentiu um aroma intenso de incenso de igreja mas não conseguia fixar sua atenção. Ela pousou a mão sobre sua cabeça dizendo:

– Meu filho, vamos agora, chegou a hora de partir e encontrar sua família.

O homem começou a tremer e chorar e tentava descobrir atinando os pensamentos, quem era que lhe falava assim de maneira doce mas firme e então ela mais uma vez lhe falou:

– Sou sua avó meu Zeca querido; estou com você desde o primeiro dia de sua vida aqui nesta cidade.

Zeca chorando compulsivamente, respondeu:

– Mas minha avó, como é seu nome, e minha mãe, meu pai onde estão?

Zeca até então em toda sua vida nunca lembrara dessas figuras e menos ainda que poderia ter uma avó.

– Noêmia e seu avô José, estamos aqui agora para te receber e te levar. Seus pais, você irá encontrá-los quando for do merecimento deles. Fique tranquilo e que Deus o abençoe.

Zeca viveu esse último dia na Terra muito intensamente e foi o mais excitante de sua vida. Seu coração levado por tantas emoções e alegria bateu descompassado e parou naquela noite.  Como ele não apareceu no abrigo, pela manhã o encontraram deitado e no rosto um sorriso, os olhos vidrados como quem vira o passarinho verde.

Essa foi a vida do Zeca, setenta anos de simplicidade, humildade e resignação. Distribuiu amor e caridade. Na verdade retribuiu a caridade e o amor que ele mesmo recebeu apesar da ausência dos pais. A roda o expôs à vida e Deus não o abandonou. Zeca, no seu íntimo, sabia disso.

Quinto Zili

821

Cruz

O tamanho do teu calvário

Revela tua senda anterior

Ou tua entrega ao precário

Do trabalho para o Senhor

 

Dois os meios, uma finalidade

Quem foste no passado

Quem tu serás em verdade

Onde o final não é a cruz do pecado

 

Jesus sim foi à cruz

E demonstrou o bem sofrer

Foi escolha maior, se deduz

Nos ensinou o perdão no limite do ser

 

Se tua cruz é pequena

Calvário é humano benefício

O que importa e vale à pena

Tua ajuda ao próximo com ou sem sacrifício

Quinto Zili

248

 

 

Sorriso

Antipático um rosto

Outro, doce e afável

Uma cara agradável

Outra que só revela desgosto

 

Muitas são as faces

Nem sempre gentis

Talvez muitos disfarces

Angústias em perfis

 

Sorriso de aberto semblante

Nem sempre é alegria

Mas ainda assim alivia

A quem o olhar é desconcertante

 

Exercício de fazer melhorar

No rosto um sorriso leve plantar

O que custa o esforço de demonstrar

Pelo menos educação quando outro lhe fitar

 

Ainda notarás o benefício

Te tornarás mais bonito

Quem te olhar agradecerá tal resquício

Colherás do bem com teu suave fito

Quinto Zili

484

 

Diabo

Pior fantasia do homem

Alegoria da destruição

Que o ser humano veste

Quanto e quando quer parecer a peste

 

Pintam o diabo de vermelho

Quem ele é, o macabro

Onde mora e tal

Longe da casa moral

 

Fetiches e basbaques

Ignóbeis retoques

Quanto mais retratá-lo

Menos se faz destruí-lo

 

No fundo é o mal

Fantasiado de tudo

Passa por bom, por amigo

Deixa o rastro sempre de perigo

 

Espanta crianças, moços e velhos

Existe forte em nossa imaginação

Como figura e ser nada é

Mas como possibilidade é tudo até

 

Se o diabo fosse só o que pintamos

O bem já o teria vencido

É pior, mais forte, pelo fel movido

Feito do mal que nós mesmos praticamos

Quinto Zili

423

Poesia

Leve poesia

Me leva

Me alivia

Me eleva

 

Feito cometa que o céu risca

Arrisca minha alma dura

Me apura, me revista

Depura essa dor que me fura

 

Romanceia minha vida

Muda meu veio

Me torna atrevida

Afaga meu seio

 

Alegra minha tristeza

Poesia riqueza

Atravessa o espaço

Me traz um abraço

 

Quando chegar

Um dia o meu dia

É só me levar

Morrer também é poesia

G.M.

809

Meu teto em Brumadinho

A casa caiu

Foi levada

Lavada, tragada

Sumiu

 

Meu teto se foi

Construção desabou

Nada sobrou

Até morreu meu boi

 

E a plantação

Tudo findou

A lama desolou

Me resta a renovação

 

Mas, de mim, onde estou

O pesadelo é real

Meu corpo também passou

Acho que estou em outro astral

 

Está difícil entender

O que devo fazer

Me socorre meu Deus

E a todos os meus

 

Não sou coitadinho

Não vale assim me ter

E meu teto em Brumadinho

Esse nunca mais irei ver

Quinto Zili

A cadeira de rodas do João

Na cadeira de rodas seguia aquela alma, presa naquele corpo cem por cento deformado. Éramos uma família unida em torno daquele ser que pouco ou quase nada se comunicava.

Nós, irmão e irmãs pouco entendíamos aquela situação. Porque nossos pais teriam gerado aquele ser oblíquo, triste, problema, que só atrapalhava e incomodava a todos. Na minha ideia de caçula aquele irmão mais velho já nascera na cadeira de rodas.

Subimos num ônibus certa ocasião. Papai tirava meu irmão da cadeira de rodas e subia com ele no colo seguido pela família naquelas incursões sofridas. Tudo parava naqueles momentos. Todo mundo dava passagem e atrás seguíamos nós e mamãe. Todos pequenos. Praticamente alterávamos o cenário por onde passávamos.

Naquela tarde havia um médica , não sei bem, uma benzedeira e para longe precisávamos nos deslocar. Só lembro das tristes cenas. Sempre ouvia comentários sobre meu irmão, justo o mais velho, entrevado, retorcido, uma paralisia cerebral grave o assolava desde o nascer, enquanto nós outros três éramos perfeitos, até demais.

Chegamos lá, naquela casa, e aquela mulher me emocionou de pronto. Bastou aparecermos na porta daquela humilde residência, depois de três horas de périplo, e um sorriso que eu nunca tinha visto antes nos recebeu a todos como uma família normal e meu irmão foi recebido como o principal ente da prole. Papai e mamãe choraram do começo ao fim daquele encontro com aquela mulher. Não me lembrava de seu nome, só de seu sorriso e suas palavras.

– Chegou finalmente meu querido João. Como você está bem! Quanto tempo hein, quanto te esperei? Como vão as coisas por aí, e essa família que te recebeu, que benção, que oportunidade para todos. Que linda família você uniu em torno de você meu querido.

Parecia uma conversa fluida. Cada gemido do João, e ele só gemia mesmo o tempo todo, tudo era como um bate-papo e cada palavra dela era correspondida, eles pareciam conversar e se entender num diálogo perfeito. Às vezes ela só ficava passando as mãos no corpo dele como que tirando coisas ou simplesmente aliviando suas dores e seu sofrimento e do rosto de João começaram a brotar lágrimas nunca vistas por nós de sua família. E por um momento achei que via alguém saindo de dentro dele, parecia ele mesmo, eu vi, ele passeou entre nós de mãos dadas com a mulher beijando papai e mamãe, e Lia e Paula que estavam adormecidas  num transe e quando chegaram perto de mim, me deram um abraço que nunca mais vou esquecer. Parecia que flutuavam e chorei até não poder mais. Nossa, meu Deus, que foi aquilo!

Fomos embora de volta para casa na mesma romaria de sempre, toda a dificuldade material que passávamos, mas desde aquele dia muita coisa mudou em nossa família.

Voltávamos quase uma vez por mês à casa daquela mulher e tudo pareceu mudar em nossas vidas. Meus pais aceitaram cada vez mais o João e conversavam mais com ele assim como nós, seus irmãos, aprendemos a respeitar e cuidar mais dele também. Ele dependia de nós mas parece que todos nós é que dependíamos dele na verdade.

Dona Maria era o nome dela. Ela já faleceu e no dia de sua morte o João teve uma forte convulsão que o levou também. Vivemos trinta anos juntos. Nossos pais sofreram bastante,  mas a passagem do João pelas nossas vidas foi essencial para sermos hoje melhores do que antes dele.

      Quinto Zili

805

Boechat

Boechat

Calou-se um certo gênio

A voz sincera, da honestidade já

Não mais ouviremos o generoso Eugênio

Mais conhecido como Ricardo Boechat

 

Muito jovem se vai o querido moço

Jornalista de primeira linha

Da verdade não largava o osso

Radialismo perde o que melhor se tinha

 

Foi do céu que ele caiu

Triste história que se viu

Fez sua própria notícia

News essa que queríamos fake, fictícia

 

Terrível essa fatalidade que nos trava

Voz crítica, bonita e uma risada boa

Um esgrimista da palavra

Ele nunca a usava à toa

 

Se foi Boechat um artista querido

Fácil admirá-lo e acompanhá-lo

Fará toda a falta, crítico destemido

Verdade será sua marca sempre; a guiá-lo

Até logo amigo!

Quinto Zili

 

Sopa

 

Coloqueis tudo na receita

Abundantes ingredientes

Poção de saúde perfeita

Pitadas de vontade apetecentes

Esse prato será completo sabor

Cozido no fogão do amor

 

O jeito de cozinhar é marca

Cada qual tem um estilo e um enredo

Mas pedis por uma sopa farta

Vais ver que a emulsão tem segredo

E cada parte da feitura

Toma aspectos de entrega pura

 

Democrata é a sopa, irreverente

Qualquer acepipe fresco ou bem maduro

Viram quentura de um sabor final diferente

Umas suaves, outras com toque e aroma puro

Faz-se o blend preferido ou um bem requintado

E sopa com pão é essencial, mais queijo ralado

 

No imo desses versos, que importa é o efeito

Mata uma fome e sacia um desejo

Rega uma reunião familiar num alimentar perfeito

Sopa une tudo, ingredientes, calor, para tomar de beijo

Quem faz, quem come ou toma, ninguém rejeita

Quente ou fria, parece mesmo de amor ser feita

Quinto Zili

461

Água

A sede que mata e que desata, prostra e desidrata.

Como a fome que também assoma o homem e consome quase a alma, seca o abdômen e encolhe o ser que a tome.

Água da boa, pura e limpa, da melhor fonte que se esconde no mato e montanha, e brota sem receio de matar a que nos mata, essa sede ingrata e tamanha.

Bica, mina que vira veio, que vira regato, riacho, cascata e rio até chegar num oceano. Água, que sem nenhum plano, conhece todos os caminhos, serve a todos ninhos, até encontrar alguém que a sorva e se alimente, que é líquido do bem até na enchente.

Deus não esqueceu de nada neste planeta e nem a água abundante para tudo e para todos, o mais precioso bem material. Ela é o fluido da vida carnal como o amor o é da vida espiritual. Como todos fluidos da vida, a água se une ao cosmo, ao fluido universal.

Água que, se da mão à boca se evapora, virando a chuva que retorna à Terra e colabora, inunda, também mata e arrebata. Reajusta o equilíbrio e os ecossistemas que o homem vem tratando de desajustar há muita data.

Comparar a água ao conhecimento e se terá a compreensão. Ela sempre aparece e brota num canto e varre tudo em aluvião. Percorre todos os caminhos até se encontrar num oceano caudal, que é pura convergência do conhecimento atemporal.

Quinto Zili

511

Lata d’água na cabeça

Filho no banco de traz do carro, pergunta ao pai enquanto este dirigia:

-Pai, você viu aquela mulher?

Pai meio absorto nem responde, trânsito pesado de cidade grande, cansaço, tinha pego o filho na escola, tarefa que não lhe comprazia tanto.

-Pai?

-Que foi?

-Aquela mulher, como ela consegue carregar aquele saco gigante na cabeça e ainda em cada mão uma sacola grande ?

Pai meio sem paciência e além do mais não gostava de passar naquele bairro pobre …

-Ela é artista, ganha muito dinheiro fazendo isso, tá de boa.

-É mesmo?

Pai queria matar o assunto, com aquela brincadeira de humor tosco e desprezo.

-Mas pai, como é que ela consegue ? não deixa cair nada, você viu?

-É artista!

-Você falou que ela é rica?

-É, tá até se divertindo; até lata d’água na cabeça ela também consegue levar.

-Pai, porque você não aprende isso com ela?

-Pra que filho?

-Daí você não precisava mais ir pro seu trabalho, ficaria menos nervoso, brincaria mais comigo e ia ter bastante dinheiro também pra comprar aquele carrão vermelho que você fala que só rico tem, a Ferrari. Quantas que ela deve ter, né?

No primeiro posto de gasolina o homem para o carro, deixa no abastecimento, sai com o filho e entra na loja de conveniência. Tomam sorvete juntos, enquanto o pai ganhava conveniente tempo. Queria mesmo apagar o recente acontecido. Até estava se sentindo meio mal.

Tempos mais tarde, dois anos depois, o pai um pouco mudado, viaja ao nordeste com o filho e a esposa para visitar a família há muito deixada para trás.

Na pequena roça de sertão, na caatinga quente, pobre e humilde, onde os pais viviam da cana e da mandioca, são recebidos e o menino chora ao ver a vó que chegava ao mesmo tempo, vinda de um nada no meio da poeira com uma enorme lata d’água na cabeça para abastecer a casa de taipa e sapé.

O filho pródigo voltou!

Quinto Zili

792

 

Fama

Que não sou famoso, preciso ser esperto, de levar fama e ganhar cama.

Pois cama, leva o famoso lhe deitar, dela acaba sem levantar, quiçá na lama.

 

Quero só a cama. Dela apear após dormir.

 

E fama?

 

Não…desperto, bem esperto, de pé, sem lama.

 

Não…quero só o simples, quero meu filtro de barro, de água fresca bem farto… e luz amarela a lumiar meu quarto.

 

Quinto Zili

784 b

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Correr

Hábito que cura

Descende do caminhar

Excede mais de um limiar

Tem mais pegadura

 

Há  que se ter preparo

Constância e persistência

Desistir não é raro

Sucumbir é má experiência

 

Correr é viciante e traz hormônios do bem

Bichinho te fisga constante e além

Quem começa dificilmente para mais

Começa uma relação de bem estar aliás

 

O peso, inimigo maior; cuidado

Se forçar sem adequar é sinistro

Dieta adequada, bom sono, melhor aliado

Qualquer problema vascular deve-se buscar registro

 

Há que ser meio, não fim

Competições desnecessárias, mas estimulam sim

O que mais importa mesmo é que correr te melhora

Alivio ao espírito e respeito ao corpo como nunca outrora

Quinto Zili

441

Começo

Iniciar e quebrar toda inércia

Ponte a ser construída

Pensando em sair do fim que começa

E tudo espantar que te impeça a saída

 

Bloqueios de vida, quem para, se entorpece

Se for só intervalo cuidar que não dure

Recomeça o trabalho que te enobrece

O tempo não para, melhor te apure

 

O duro começo em tudo é difícil

Mas busca coragem, desejo e vontade

Não se atrapalhe, começa no ceitil

O primeiro passo é quase a metade

 

Ouvir o chamado é de bom alvitre

Não pense que algum dia esteve sozinho

Há sempre um amigo, não recalcitre

No enlevo de ser pioneiro mesquinho

 

Para o início se dar, se coloque humilde

És engrenagem do todo e não podes falhar

Postura de trabalho só terás se te lides

A ele se entregar, se forjar para amar

 

Começar é amar. Trabalhar com Jesus.

O chamado é Dele, que te conduz

Quinto Zili

173

Alimento

 

A gente caçava para comer

E se defendia para não virar comida

Não era fácil sobreviver

Pois tudo era risco em torno da vida

 

Bem antes do fogo, a vida era dura

Inverno se morria de frio e de fome

Caverna era única morada segura

E o verão era mais suportável ao homem

 

Sentimentos eram ainda porto incerto

Alimentos, a batalhar todo dia

Não se contava com amigos por perto

Tudo era busca, tudo utopia

 

O espírito demorou a ser imaginado

E o alimento era mesmo para o corpo material

Demorou o homem a se ver do outro lado

Mas era puro, consciência construindo o ideal

 

Hoje temos o alimento sobre a mesa

Podemos comer voltados à saúde

Para o espírito já temos nova certeza

O alimento é a moral, amor a virtude

Quinto Zili

138

Tempo

 

Galhardia de um ser

Coragem de viver

A fagulha do dever

Aponta o rumo do querer

 

Não ter impulso

Fraco o pulso

Inacabada obra legada

Fato e memória roubada

 

Se deixou para trás

Se quis roubar o tempo

Volúpia do antrax

 

Pouquidade e traição

Com Deus e nosso Mestre atento

Assim se fez o turbilhão

A.Q.

648

Ego

 

Assim se houve

Acontecido

Trágico e entorpecido

A quem o mal se aprouve

 

Outras vidas como aconteceu

Se veio à luta

Para uma prova ininterrupta

Tentames funestos no que se deu

 

Sensações estranhas

Um ego denegado

Exação nas entranhas

 

Ah! que dificuldade

Viés escancarado

Minh’alma em tempestade

A.Q.

 

650

Até o último homem

Até o último homem

(“Hacksaw Ridge”)

Ver esta película forte

Nos expõe aos horrores da guerra

Imagens chocam e nos ferem à morte

A luta de seres, o mal que lhes encerra

 

Mas havia um soldado, Desmond Thomas Doss

Cuja fé levou como única arma, a que não falha

Missionário naquele momento atroz

Resgatou seus pares e até inimigos na batalha

 

Uma história do bem contra o mal

Como estar numa guerra esquecendo o egoísmo

Como fazer caridade em meio a condição brutal

Servindo a Deus no pior cenário, no fogo o batismo

 

Uma bela narrativa, que ali se viu real

Parabéns ao diretor mesmo pelas imagens de choque

Melhorou Mel Gibson, adoçou o mal

Mostrou o bem em ação, até o fuzil de reboque

 

Não vi o filme pela guerra, é evidente

Vi o exemplo de um ser e a caridade em ação

Passo mal só de ver arma, quanto mais tê-la na mão

Vi a vida em tantos conflitos da humana mente

 

Há bons filmes, mesmo os sobre guerras

Frentes de batalha e horror

Qual nosso dia a dia em qualquer terra

Mas há amor e fé, que sempre aliviam a dor

Quinto Zili

770

Sorte II

 

Prêmio à dedicação

Como também a dirão

Sopro de Deus na vida tua

Como que mais

Ungido pela Lua

Ajuda mágica ademais

 

Sorte pode ser tudo

Até falta de azar

Mas o que mesmo é

Na real, só o colher do plantar

 

Colheitas desta vida

De vidas passadas

Refletem a ação

Na forma da reação

 

Sorte não é algo a mais

Pois nada é por acaso

Experimenta começar a fazer só o bem

Muito menos mal sofrerás também

 

Sorte não é luxo

Loteria não é sorte

Pode até ser infortúnio

Espreita do lobo em plenilúnio

 

Queira estar sempre em sintonia

Pense na sorte de havermos Jesus conosco

Nosso planeta Terra ainda em distonia

Esse sim, sem Ele, um universo tosco

Quinto Zili

521

 

 

 

Reclamação

 

Não queria de um jeito

Nem de outro tampouco

Só reclamou do feito

Parecia um louco

 

Tanto exigiu; se refez

Quem entregou se esmerou

Ainda assim se frustrou

Não satisfez o freguês

 

Tanta reclamação

Exagero do cliente

Virou insatisfação

Frustração do atendente

 

Ficou incompleta

Relação inconclusa

Vida, dessa situação repleta

Muita exigência confusa

 

Vaidade, quase esbulho

Apogeus de orgulho

Distante humildade

Exigente se perde em sua realidade

 

Mas esse é só um ponto de vista

Vai que alguém conteste tal tese achista

Dê razão à exigente reclamação

Coitado então do atendente desse balcão

Quinto Zili

764

Vagas

 

Não temos vagas para santo

O anúncio estava na porta do céu

Virou-se o ateu com cara de espanto

Estou na porta errada, mundo cruel

 

Quis chamar alguém acima

Mas não iria blasfemar como bom ateu

Sentiu um certo clima

Que alguém lhe ouvia, mesmo assim não creu

 

Não queria ser santo, só queria entrar

Mas porque o aviso justo a ele estranho

Abriu-se a porta e de puro espanto

Havia muitos amigos e nenhum santo

 

Amigos do bem a quem sempre respeitou

Parentes queridos, olhares generosos

Gente que o respeitava, a quem sempre cuidou

Mas nem o tal ser supremo,  nem santos famosos

 

Todo bem que fez  em vida o lado de lá já percebia

Sem saber porque mas sempre  fez como amor

De repente tudo parou e a todos uma luz invadia

Ser superior surgiu trouxe a todos uma flor

 

O amigo recebeu uma especial das mãos daquele senhor

Nosso Pai te mandou receber a entrar e te dar este presente

Foste um filho exemplar e cuidou de muita dor

Ele viu lhe falavam de Deus, mesmo que foi irreverente

Quinto Zili

201

 

Ruas

Foram de barro

De pedras

Depois asfaltos

Hoje o chão dos autos

 

Das infâncias lembranças

Peladas com bolas de pano

Descalços éramos liberdade

Pés nas ruas sem vaidade

 

Hoje corremos

Maratonas fazemos

Por esporte ou trabalho

Ruas cheias de atalho

 

A vida elas cortam

Enchentes as devoram

No calor almas as repletam

No frio viva alma as secretam

 

Nosso irmão maior Jesus as usava

Por onde andou, ruas por onde orava

Pregava ao mundo enquanto nelas

Ruas e vielas foram seus templos e portelas

 

Nada a negá-las

As ruas são belas

O povo enriquece esses caminhos

A vida faz delas seus grandes ninhos

C.A.

710

Pão

Que nunca nos falte

E a ninguém se negue

Que cada um se fortaleça

E o pão da vida lhe abasteça

 

Fome nos consome

Injustiça entre os homens

Aqueles que privam seus irmãos

Se corrompem pelas mentes e mãos

 

O administrador que falha

O trabalhador que atrapalha

Um manda errado

O outro a tarefa deixa de lado

 

Todos querem o pão

Por vezes até enlouquecem

Lutar todo o dia sem amor no coração

Ferir as leis do Pai lhes acontecem

 

Sem plantio do trigo não haverá pão

Sem moral elevada não há plantação

Que colheita se espera

Escassez na nova era

 

Nem o pão do trigo

Nem o pão da alma, o abrigo

Sem Jesus no coração

Misericórdia divina será só provação

Quinto Zili

715

Fome

Alguma comida sempre tem

Por caridade se consegue

A fome aplacada num vintém

Bucho vazio não prossegue

 

Difícil matar essa fome

Quando vem do coração

A cabeça vira estômago sem pão

Alma que não dorme

 

O sono engana a noite

Corpo vira zumbi

Fome de amor é açoite

Sem paz se pode sucumbir

 

O alimento é o rogo atendido

Com bom tempero a esperança cresce

Daí vem de Jesus o cozido

Servido no prato da prece

 

Cada qual pede o que precisa

Mas se sabe o que Deus provê em amor

Se for prova, coragem e a utiliza

Se for alívio, agradece o passar da dor

Quinto Zili

732

CEIA

Hoje é dia de véspera com ceia natalina

Quando o dia brilha e a noite se ilumina

Que assim feitos nos mostram de onde vem a luz

Senão de quem, do maior, de Maria o Filho Jesus

 

Eis que nos emocionamos muito

Queremos ser diferentes, mesmo que só no intuito

Daquela cruz temos pouco conhecimento

Jesus nos mostrou o amor em puro ensinamento

 

Que Ser foi Aquele, iluminado

O Filho maior do Pai maior

Sua festa amanhã, o dia mais esperado

 

Ele Jesus no entanto nos lembra diariamente

Natal tem que ser o dia a dia melhor

O bem conduzindo ao amor, o verdadeiro presente

Quinto Zili

Controle

Quem controla a Natureza

Um único Deus, na leveza, na beleza

Não o homem carnal

Não o homem espiritual

 

Em verdade abusamos

Nos descontrolamos

O supérfluo se tornou essência

Até o mau uso se faz da ciência

 

Ilusão de termos o controle

Enquanto o caos emerge do nada

Um dia se entorna o bule

Tragédias sem hora marcada

 

Daí nos surpreendemos

A Natureza culpamos

Do todo pouco entendemos

O caldo da vida sequer saboreamos

 

É o aprendizado no limite

O Pai e o Mestre nos aguardando

Enquanto a Natureza nos permite

Ousarmos destruí-la, mesmo ela nos educando

Quinto Zili

748

Esperânsia

Sem como encontrar

Não tem no dicionário

Não carece procurar

Falta no vocabulário

 

Teria um amplo significado

Esperânsia uniria esperançosos e aflitos

Os que velam pelo esperado

E os ansiosos convictos

 

Sim, quem de nós não é assim

Digamos que a maioria

Ansiedade complica enfim

Só esperança, de todo, não traz alforria

 

Não se critique a esperança

Que muita vez é crença e fé

Melhor quando estimula confiança

Que só o trabalho traz sem dar ré

 

Ânsia ou ansiedade

Quando nelas se opera

Traduzem angústia ou até vaidade

Humildade, combate a depressão que desespera

 

O humilde, leia-se, não o pobre

Aquele que trabalha sendo eterno aprendiz

Não o faz só pelo soldo, que não falta ao nobre

Sim, entende o valor do fazer e sabe ser feliz

Quinto Zili

749

Sorrir

Alegrando o dia

Logo cedo

Sem apatia

Sem medo

 

Temer o quê

Se podes sorrir quando quiser

Sofrer porque

Se a vida é o que dela fizer

 

Tristeza bate de surpresa

Alegria foge, simula pobreza

Um sorriso espanta a aspereza

Questão de segundos volta a beleza

 

É a roda gigante brinquedo

A gangorra da vida à mão

Embaixo se passa segurança sem visão

Por cima é vislumbre, excitação e medo

 

Sorrir é mais fácil que chorar

Menos músculos na face a usar

Melhor chorar de alegria

Mas sorrir é o que mais contagia

Quinto Zili

547

Outros

Alguém pede esmola

Tu pedes ajuda, implora

Vem por qualquer lado

Parecem chamado velado

 

Teia da caridade

Como funciona de verdade

Um ao outro ajuda oferece

Na tua vez , te emudece

 

Outros é ampla figura

Tu e eu, claro, o somos

Ao Pai, outros é filiação segura

Misericórdia suprema, aceita o que somos

 

Tratar irmãos como outros é pouco

Gritar contra isso até ficar rouco

Amor é dosagem de remédio  ou placebo

Para tu que doas  e para mim que recebo

 

Caridade não exige d’outros se mostre a face

Não tem cara nem idade quem doa

É casamento do bem sem enlace

É amor que move a popa ou vem de proa

Quinto Zili

735

Rápido

Vejo teus olhos

Percorrerem essas letras

Correndo o papel

Muito rápido

Sem perder tempo

Estressa à toa

Escoa

Como água

Cascata do assimilar

Com pressa

À beça

Para que

Correr tanto

Vivemos tanto quanto o cágado

Cem anos, por aí

E o homem

Não mais que quarenta mil anos existe

Inteligência quando surgiu

Muito rápido

Nossa vida

Corrida

Para que

 

Deus não tem pressa

Mas é tão rápido quanto não podemos imaginar

Natureza nunca se apressa

O bem ajuda o amor a qualquer um conquistar

 

Caridade é a única necessidade

Compaixão a principal urgência

O amor a máxima qualidade

E o mal é rápido, na sua própria demência

Quinto Zili

570

Terras, 278

Chão de pisar

Por onde ando

Terra de plantar

Colheitando

 

Ciclo de vida

Plantar, colher

Terra servida

Nos dá de comer

 

Terra não é propriedade

Deus não nomeou tabelião

Nada nosso, nem metade

Documentos não vão no caixão

 

Toda terra é de Deus

Natureza é dádiva maior

Retiras dela o sustento dos teus

Tuas cinzas a adubarão melhor

 

Destruir o orbe como o homem faz

Esquecendo de quem é a real propriedade

Talvez um dia seja capaz

Compreender seu papel aqui, pura necessidade

Quinto Zili

Máscaras, 274

Não sendo carnaval

Porque usar todo dia

Cara lavada não faz mal

Ou sinceridade é utopia

 

Nós humanos da Terra

Raça da inteligência

Supremacia em si encerra

Tememos o confronto na essência

 

Ser claro e despojado

Mostrar semblante altero

Orgulho é redobrado

O medo mais sincero

 

Somos dúvida pura

De tudo e todos duvidamos

Orgulho é tese segura

Abrange tudo que pensamos

 

Sem máscaras seria razoável

Alvitre e aceitação sem vaidade

Impera no entanto o insondável

O achar superior, distinta humildade

Quinto Zili

Quem ama não reclama, 110

Amar é para os fortes

Tempestades irão nos abater

Olhar de quem ama sem recortes

Pensar desses seres, eterno viver

 

Todo dia, novas sendas

Novos ramos, nossa árvore a crescer

Natureza abrindo e criando fendas

A nos dar condição de perceber

 

Inseguro mas tendo amor

Temeroso e seguindo a luz

Sofrendo de qualquer dor

Mas confiante em nosso Jesus

 

Percebes que não falo a reclamar

Não te pegues a resmungar

Todos os dias se pode sofrer e lutar

Pois dessa vinha que se alivia

 

Por fim querido irmão

Não se deixe levar debalde

Tome o amor deste refrão

Não se torne sua própria fraude

Quinto Zili

Restrições, 282

Nos modificam

Alteram hábitos

Nos retificam

Mudam hálitos

 

Se queres dar valor

Privas o uso de uma mão

Ao voltares no pleno labor

É comum externares gratidão

 

Sim é assim mesmo

Perdes um órgão do corpo são

Nunca mais ages a esmo

Notas os diferentes, não mais os fita em vão

 

Restrições são caroços na fruta doce

É esmola do universo para tu, pedinte

Luz que falta na caverna sem posse

Cego no circo, só como ouvinte

 

Se te faltas, apuras a percepção

Humildade a te recolocar no eixo

A inteligência a explorar intuição

És filho de Deus tanto como o freixo

Quinto Zili

Teto, 290

Relento

Sozinho

Ao vento

 

Entristecido

Esquecido

Desmerecido

 

Acolher este ser

Com ternura de filho

É seu irmão, seu dever

Apenas perdeu seu trilho

 

Um teto é tudo

Para quem não tem nada

Tua casa o deixou mudo

Observa a necessidade velada

 

Agradeças tu pela casa, teu teto

Nunca te faltou nada, nem abrigo

Divides o que podes com afeto

Deus nunca te pediu nada amigo

Quinto Zili

Culpa

Sentimentos de culpa

Ultrajam nossas almas

Que pena morrermos às vezes

Lamentamos sob palmas

 

Já fomos perversos

Espíritos ao bem reversos

Hoje estamos melhorados

Nos sentimos mais amados

 

Fomos algozes

Fomos vítimas

Hoje queremos ser bons e velozes

Fazer caridades legítimas

 

Calma com o andor

O barro desanda e dói

A vida se reconstrói

Nada justifica o temor

 

Umbral, 150

Umbral

Jesus nos inspire, guie, ilumine e proteja!

 

Calvário, expurgo, libertação

Tormenta, expiação e paga

Sofrer de homens, mulheres, crianças

Idosos esquecidos, aleijados, doentes

Universo em mutação e redenção

 

Notícias e aspectos da humanidade

Pensamentos em desalinho

Torpor e sono

 

Beleza morta

Discurso oco

Declarações espúrias

 

Não há rima neste contexto

Não há sinal de união

O umbral é aqui mesmo

O céu é tela pintada da imaginação

                                                                      Deus tenha piedade de nós

Quinto Zili

DRUMMOND

“ Para a virtude da discrição, ou de modo geral qualquer virtude, aparecer em seu fulgor, é necessário que faltemos à sua prática. “

Carlos Drummond de Andrade

 

DRUMMOND

Ele entrou na casa da poesia.

Entrou. Lá viveu e se trancou.

De lá saiu só para ir de vez. Embora.

Deve ter levado a chave ou a jogado fora.

Ou só contou o segredo a uns poucos amigos, outros poetas.

Aqueles que entendiam melhor os seus escritos, escritores atletas.

Que de pronto, sem inveja, com bondade , o viam sem vaidade.

Escrever o amor como ele o fez, desde o cheiro dessa brisa, só quem contemporiza, do mal não se utiliza.

Em sua homenagem e à sua poesia, quem tenta este caminho, tem uma certeza, não haverá outro igual, com o verbo descomunal, pai da escrita, o senhor da letra.

Quinto Zili

Eleições

Eleições

Não são eleições que mudam nossas vidas

Nossas vidas que mudam eleições

Somos políticos em essência

Ainda fazemos política sem excelência

 

Povos precisam de líderes

Vez por outra eles aparecem

Eleições podem trazê-los

Mas eles surgem, vem de sê-los

 

Votar é arte linda

Aceitar o voto do outro mais ainda

Sufrágios no bem

O eleito também

 

Não te queixes de quem o povo elege

Tu és povo e podes também fazer mais

Tua nação é você antes de tudo

Teu voto nunca será grito mudo

 

Moral elevada prescinde eleições

Evolução espiritual da mesma forma

Humildade de um verdadeiro líder

Amor maior, sem condições, retorna

 

Nosso Governador excelso, que a Terra conduz

Não de eleições, nem de partido precisou

Chegou lá, Quem a Deus Se provou

Sem candidato assim para votar, no comando, Jesus

 

Educar, 427

Educar

Tarefa da mais antiga

Educar a si mesmo

Aos filhos nossos

Aos filhos do próximo

 

Professor sim educa

Ensina as lições das matérias

E os pais, as lições da moral

Sem quadro negro; pelos exemplos como tal

 

Educação é progresso

Avesso da perdição

No contexto da Terra

O que não falta em profusão

 

Esquecer o educar

Como faltar água à sêde do amor

Alimento do espírito pensante

Embrutecer da alma no exilio ignorante

 

Sofrimento para educar, se faltar o amor

Alento para quem consegue se dedicar

O ser que pede esse alimento

É seu irmão, não lhe negue tal provento

Quinto Zili

Professor, 683

Professor

Almas dedicadas

Protetoras em Terra

Em a Natureza associadas

Das sementes que cada um encerra

 

São os semeadores, eles e elas

Nossas madrinhas do alfabeto

Como fadas, muitas, de tão belas

Que tudo ensinam em qualquer dialeto

 

Professoras, eles e elas até em reveses

Nas nossas infâncias nos conduziam

Foram mães uma, duas, ene vezes

Tomaram a si filhos que não conheciam

 

Pastoras, pastores de verdade

Das ovelhas em toda parte

Dos primários em infâncias às faculdades

Nos conduziram com fé nessa arte

 

De tudo nos ensinaram

A todos inspiraram

Transformaram frio da ignorância no calor do saber

Deram, se nos faltava à casa, o amor a nosso ser

Quinto Zili

Temperos, 265

Temperos

Fortes ou suaves

Doces, apimentados

Alteram os sabores

Pratos requintados

 

Nem sempre os temperos ajudam

Mas sempre alteram o paladar

Fornecem o que o gosto mudam

Temperam o sonso, melhoram o degustar

 

Na vida conhecemos bons temperos

Paciência, gentileza, doçura e amor

Ingredientes bons de esmeros

Aos chefes gourmets, comida de muito sabor

 

Há porém quem tempere às avessas

Muita pimenta, intensidade e muito sal

Quem não tem mão boa para dosar

Cria os pratos do relacionar pelo mal

 

Quem prova o tempero do amor não quer outro prato

Só olhar sentimos o paladar do tempero de fino trato

Atestar o sabor deste pasto, sorver o amor é de fato

O melhor tempero entre dois , o ideal de um bom contrato

Quinto Zili

Estrutura, 262

Estrutura

O prédio não cair

A viga não desabar

O teto a cobrir

Estrutura sobrestar

 

A mão que executou

O intelecto que projetou

A força que trabalhou

A estrutura suportou

 

Complexas ou simples

Elas moldam no suporte

Em argilas, sem requintes

Mais profundo o corte

 

No cerne do espírito em evolução

Na própria carne que o está a conduzir

Temos o projeto do Pai em ação

Única estrutura híbrida a existir

 

Tudo que existe tem sua estrutura

A Mãe Natureza, arquiteta suprema

Que nos permite haver sem ruptura

Alicerce da vida, estrutura extrema

Quinto Zili

Volta, 512

Volta

 Quando partir

A vida também irá

O corpo ficará

Sensações, tudo mais findará

 

Assim pensava

Chorava de pesar

Tristeza a me amparar

Contrito rogava

 

Onde fui parar

Que lugar é esse

Não há céu

Me cobre denso véu

 

Sim a vida está comigo

Mas faltam os sentidos

Meu Deus, onde vim parar

Só me resta orar

 

Foi assim a minha volta

Cá estou agora melhor, sem revolta

Ainda cego, mas vivo, aqui estou

É o espírito de mim que me restou

 

Acho que ainda vou melhorar

Mas ainda não vejo onde cheguei

Ouço tudo e pouco sinto ainda

Deve ser a volta a anunciar nova vinda

Quinto Zili

Prece do caído, 638

Prece do caído

Contigo me deito

Contigo  me levanto

Mestre divino e perfeito

Acolhe por amor esse meu pranto

 

Me sinto caído

Doído, sofrido

Me ajuda a reerguer

Mais uma vez reviver

 

Sei de minha culpa

Falhei feio de novo

Nem sei se mereço

De ti este apreço

 

Na carne falhamos

Ainda que lá buscamos

Livramento de pecados

De nossos erros gravados

 

Expiação e restrição

Falhar e refazer

Mestre me ajuda a compreensão

Que é meu este dever

 

Eu sei que consigo crescer

Mesmo neste sofrer que eu mesmo me fiz merecer

Rogo de novo que renove sempre o meu querer

A cada dia um pouco mais; Pai me faz assim crer

Quinto Zili

Passado, 577

Passado

Paixões fazem borboletas no plexo

Medo, dor de barriga

O amor uma entrega que abriga

A compaixão, algo mais complexo

 

O corpo vestindo o espírito imaterial

Reage a tudo e a todos

Auras se entrelaçam em bodas

Num artesanato divino surreal

 

Vida é pureza e simplicidade

Da natureza recebemos o amar

Mas complicado é nosso pensar

Querer de dominar, total ansiedade

 

Passado se esconde das atuais jornadas

Bendito o véu do olvidamento

Lembramos apenas de algum sentimento

Insuportável seria conhecer vidas passadas

 

Busquemos o bem afinal de contas

Este será maior hoje e amanhã com certeza

Levemos nossas vidas hoje com mais leveza

Aos males do passado, resgates às montas

Quinto Zili

Clarear, 644

Clarear

Na cabeça a inspiração

Um lampejo

Desde lá do Tejo

Como nova iluminação

 

Reverente o ser

Que reluz mesmo morto

Não está mais absorto

Ver e sentir seu renascer

 

Tralhas ficaram para trás

Os porquês se deslindaram

Poder da mente se refaz

 

O passado se foi para marcar

As paisagens se aclararam

O presente já não é mais só recordar

A. Q. 

 

Namorados, 556

Arte por Francesca, 8 anos

NAMORICO

Namorados

A figura de pombinhos aos pares

De corações entrelaçados

Alianças de bodas nos lares

Tons vermelhos abençoados

 

Imaginário estimulante

À guisa de cerimonial

Corpos desejantes

Espíritos em comunhão passional

 

Os namorados

E os enamorados também

Elos quase intocados

Parecem que vem do além

 

Às vezes só paixões

Bom quando transmutam em amor

Do sexo passam pela dor

No fim o amor doma corações

 

O fogo dos namorados

Fervor dos amantes afora

Resignação dos denegados

Amor que venceu o depois sem se perder no agora

Quinto Zili

 

Simples, 621

Simples

Todo estudo em andamento

Farto e dedicado

Uso da mente

Clarear do conhecimento

 

Dá trabalho fazer

Pesquisar a fundo

Meses e anos às vezes

Controlar resultados revezes

 

Começar complexo e intrincado

Distinguir teses de realidades

Hipóteses caem ou viram verdades

Intuição vem como recado

 

Depois da transpiração

Benvinda a inspiração

Resulta  o simples como solução

Para criar o óbvio à população

 

São assim os inventos

As descobertas viram até luxo

Tornam a vida mais simples

Embora o caminho seja árduo fluxo

 

Simples vale lembrar como é o bem

É o que se opera pelo amor

Como a providência da caridade

Como tudo de valor na vida em verdade

Quinto Zili

Doce, 624

Doce

Como a mão de uma mãe

Sua voz e seu colo

Como bendito fosse

Aquele seu olhar doce

 

Carinho e compreensão

De sobra, de montão

Dedicação e desprender

Seu abraço querido do acolher

 

A mim e a todos nós

Sente-se falta delas

Singela, doce mãe e sua voz

Tudo nos representam, que belas

 

Até seu grito doce era

Quem não levou um relho da fera

Que tudo fazia pela sua cria

Até mesmo o que não queria

 

É doce como a natureza

Sensata e paciente

Onipresente

Nos escuta os sentimentos e a tristeza

 

Minha e tua doce mãe

Nossas doces candeias

Nos deram a luz

São a mão em nossa cabeça como Jesus

Quinto Zili

Gratidão, 471

Gratidão

A minha mão, se toca a sua

Se meus olhos cruzam com os seus

Nossos sentimentos se misturam

Os pensamentos se encontrarão

 

A figura se formará uma só

Um conjunto se estabelecendo

No mesmo diapasão

Uma canção harmoniosa acontecendo

 

Quando gratidão nos inunda

O corpo e a alma transpiram

Exalando um suor de amor

A dor que se sentia perdeu a cor

 

O matiz escuro do sofrer

Migrou, perdeu o tom da amargura

Mágoa escoou e abriu espaço

O ser recriou a aura em fino traço

 

Gratidão abrange todo o ser

Completude maior que o ter

Amplitude dos sentidos que acolhe e bendiz

Entrega no agradecer, o diploma do amor ao aprendiz

Quinto Zili

Nossos pais

Nossos pais

Meus queridos grandes amigos

E seus queridos pais

Quanto tempo se passou

Como eles foram especiais

 

Do mais velho entre nós

Nosso querido Baurú e seu Miranda

Ele nos foi um exemplo de albatroz

Ele dizia enquanto entre nós

Respeitem sua velha, ela quem manda

Tragam o pão da casa com garra

Sejam pais fortes e respeitem a farra

 

Do grande amigo Marcão e seu Jamil

Cuja gargalhada é quase a mesma, digo

Hoje ela soa da garganta do amigo

Seu Jamil olhava e falava como O engenheiro civil

Esteve presente naquela salona na Paulista

Onde juntos estudamos em prol de conquista

Seríamos melhores, esses pais nos diziam como pista

 

E seu José, do nosso querido amigo Goes

Quanto carinho aquele pai dedicou a nós

Seus sanduíches alimentaram nossas famintas almas

Quanta fome naquele quarto da edícula compartilhamos

Quanta vida ali passada enquanto estudamos

Às vezes simplesmente cantávamos para disfarçar

Relaxando, mas suportados por pais a nos amparar

 

Do meu querido pai Octavio

Sei que vocês tem poucas lembranças

Era o mais velho dos pais heranças

Aquele que nos olhava apenas à distância

 

Mas cá entre nós, amigos e hoje pais

Também somos muito do que nossos pais foram

Cada um de nós herdou bons princípios

Que deles nos brotaram como benefícios

 

Rendamos homenagens a nossos amados pais

Lembremos com emoções puras e sinceras

Não se tratam apenas de pobres quimeras

O que nos legaram, caros engenheiros, é concreto demais

Quinto Zili

Pai

Pouco escrevi sobre meu pai

Mas muito guardo de sua lembrança

Moral e a ética que não me trai

Me deixou nobre e cristã  herança

 

Tenho orgulho de seu filho ser

É espírito humilde e de valor

Meu pai deixou em mim um querer

Ser homem de bem, no coração amor

 

Não se foi cedo ou tarde

Seu último suspiro foi leve

Nunca foi de fazer alarde

Sua aura devia ser branca como neve

 

Em mais um dia dos pais

Em que já venho como avô depor

Que todo pai não esqueça de seu filho jamais

Para não ser olvidado quando um dia se for

 

Preces para meu querido pai Octavio

Que esteja por perto da amada Yolanda

Esse querido par de meu querido amor

Me ensinaram a ver na dor também valor

Quinto Zili

Riscos, 242

Riscos

O risco de vida que leva à morte é mais vivo e presente do que percebe a mente no ser.

Morte como passagem, toda a vida no risco de viver.

Se morrer é todo dia um pouco, viver também é o risco de deixar de ser.

Quando a vida é só um risco, a morte não é um traço. Se a vida é só um traço o risco de morte acaba em laço.

Traçar a vida sem risco sem rabiscar a morte.

Quando correr o risco pode ser mais fácil que traçar a vida sem risco sendo forte.

A linha da vida é melhor do que o risco da morte. No traço sem risco falta no ser o norte.

Alinhar a vida sem pensar no risco da morte e traçar no pensamento que o risco de vida é grande comparado com a linha da sorte.

“O traçado da vida é o risco de viver, alinhando o traço do ser sem medo de morrer.“

Quinto Zili

Cansaço, 425

Cansaço

 Por que ele bate tão forte na gente

Às vezes é difícil entender como pode

Tanta madorra

Tanto bode

 

Por principio, se você está em forma

Deveria ter bastante pique

No entanto o que se sente

O corpo apaga sem nenhum clique

 

Excessos provocam cansaço

Falta de atividades também

O corpo bem condicionado

É o que em geral faz  bem

 

Para assim poder ser

É preciso ter vontade

Por que então padecer

Basta a ti mesmo, ter caridade

 

Ajuda teu corpo com mais carinho

Melhor sem vaidade

Pensa que ele mesmo nada resolve sozinho

Cansaço é para quem perdeu a vontade

Quinto Zili

Tempestades, 419

Tempestades

Tempos difíceis quando despenca o céu

Tormentas da natureza sem véu

Arrebatamentos das águas e ventos

Tempestades provocam desalentos

 

De tempos em tempos

Uma catástrofe pode acontecer

Sem preparo adequado

Não se entende o perecer

 

Quando os ventos eclodem

Se vê a fúria da natureza

Tempestade arruína

Tudo que pode extermina

 

A varredura evoca nosso Deus

Porque tantos estão a padecer

Sabedoria e amor que reconstruirá

Reerguem-se cenários, tudo renascerá

 

Como a tempestade moral

Varrem-se preconceitos e demências

Aplacam-se defeitos e más tendências

Soergue-se o ser renovado no amor real

 

Jesus foi a tempestade do bem sobre o mal

Varreu maus pensamentos

Deixou reais ensinamentos

Ao ser humano, ao ser espiritual

Quinto Zili

Compromisso, 144

Compromisso

Parar e pensar; compromisso; qual o maior, o principal, o essencial.

Não é com a sociedade.

Não com o outro.

Não com o trabalho.

Não com o tempo, nem com a agenda.

É consigo mesmo pois é com Deus e com Jesus, Quem mesmo nos afirmou isso , de que somos Deus em essência.

Compromisso e comprometimento,  bons e complementares.

O universo não caminha sem essa engrenagem. Ou roda em falso por assim dizer. Cada um de nós entendendo  sua importância no contexto e sabendo que não chegaremos a lugar nenhum sem nos ajudarmos todos.

Não há uma só alma que será deixada para traz.

Entendimento e compreensão são as bases do grande compromisso coletivo, esse mais intenso, além do individual.

Te compromete a pensar desse jeito. Quem sabe tudo não melhora.

Amar o próximo como a ti mesmo e a Deus acima de tudo.

Fiquemos em Deus

Quinto Zili

Conversas, 253

Conversas

Convívio, relacionamento

Comportamentos do ser

Em todo tempo

De cedo ao anoitecer

 

O que se diz por aí

E o  que se ouve falar

Faz sentido a ti

Me remete também a pensar

 

Os fatos que se conta e se escuta

E isso  vira e repete

Que entre dois é permuta

Um só tête à tête

 

Se séria é conselho

Se branda é ajuda

Mas se for como relho

É conversa muda

 

Falar e ouvir é bem natural

Espontâneo aos corpos afinados

Parece coisa material

Mas é o espírito  a reter significados

Quinto Zili

Cego,220

MENSAGEM ESPÍRITA, POEMA, PRECE & POESIA

Cego

Tempo faz que tempo voa, da minha janela vejo que o sino soa, mas fico à toa se não vejo o céu, parece que sou cego, no meu olho um véu. Me apego no que não me torna morto, ou nego, não me quero torto, e saber que só sou cego quando quero, ou no aborto de quando me altero.

Viver não é fácil não. Ser são é bom, mas na verdade, de antemão, o melhor mesmo é ser sem defeito e dar-se um jeito de bater no peito e dizer sou bom de alma e não só do que sou feito. Deus me fez todo perfeito, mas sempre causo efeito, ousando no desrespeito a esse Pai que me deu o leito. E o pão a que tenho direito é feito tudo para que eu seja bom e perfeito.

Se eu fosse cego do meu corpo, talvez desse mais…

Ver o post original 68 mais palavras

Crescer, 402

Crescer

Almejar a felicidade

Pungir a dor

Contemplar a totalidade

Plenitude de valor

 

Conquistando e evoluindo

Assim queremos ser no crescer

Vivendo no conforto

Desfrutando do bem absorto

 

Contradição elementar

As provas que buscamos

Antes de aqui chegar

É a evolução da qual vislumbramos

 

Sem dor será difícil crescer

Sem adaptações quase impossível

Melhor caminho requer dedicação

Ajudas de bons amigos essencial então

 

Turvam-se as vistas do espírito

Embasbacam-se nossas premissas

Perdemos o rumo, deixamos seguir

Nossa correção virá no porvir

 

Acertar o prumo

Virá por certeza o rumo

Gastar mal o livre arbítrio

Retomar o eixo será com atrito

Quinto Zili

Frutos, 394

Frutos

Rebentos da natureza

Ofertas de Deus, caridade

Eles nos alimentam

Além da necessidade

 

A essência dos frutos

Com tudo que se oferece da terra

Vem com o fluido

A água, o meio que os encerra

 

Linhagem é a essência

Do que cada um pode ser

Cada árvore guarda do que ter

Maça não é tomate por excelência

 

Do ventre pode-se o mesmo afirmar

Mas é da matéria que se pode falar

Cada alma ser espiritual

Legado de Deus, cada ser universal

 Quinto Zili

 

Luxo, 473

Luxo

Pode parecer exagero

E mero supérfluo

O luxo como tempero

O contraponto do lixo

 

Sofisticar e ousar

Às vezes foi preciso

Para diferenciar

O apagado do elísio

 

Demonstrar na aparência

Pode ser necessário

Às vistas impressionar

O peixe vender sem o precário

 

Não foi esse o luxo de Jesus

O impusemos o lixo na cruz

Mas o que Ele veio nos trazer

Nada tinha a ver com esse tipo de crer

 

Ele nos trouxe sim o maior luxo

Nos mostrou Deus verdadeiro

Em todos os sentidos, no total fluxo

Até a beleza no significado daquele madeiro

 

Só nós mesmos que não fomos capazes

De entender o que o luxo para o Mestre representava

Fomos ignorantes pertinazes

Olhamos o exterior, menos o que realmente importava

Quinto Zili

Púlpito, 536

Púlpito

Acima do povo se encerra

Majestoso, ao orador donde se falar

Dizer maravilhas a seu público

Fazendo todos calar

 

Odes e provérbios

Estrofes e discursos emocionantes

Orgulhos da palavra

Pungindo tudo que veio antes

 

Público muito atento

Parecia um sábio a se expressar

Quase nada de entendimento

Palmas soaram ao terminar

 

Assim são os púlpitos

Públicos e impressionantes

Por si só tocam os súditos

Sabem que lá o orador será sempre marcante

 

Jesus porém não ia a púlpito nenhum

Pregou mesmo ao rés do chão

Falava sempre ao povão

Pareceu como Deus se passando por ser comum

Quinto Zili

 

Evany, irmã querida

Oi Evany, hoje estive aqui

Feliz em te ver como a vi

Como você está bem

Como sua vida segue bem e além

 

Sim, você foi além das provas

Superou as expiações

Venceu seus resgates com sobras

Teu espírito distribuiu perdões

 

Assim é você minha querida

Que também me criou como filho

Minha irmã nesta vida

Que linda! Que vingaste no trilho

 

Tens muita sensibilidade

Nossos pais enxergaram bem isso

E o Chico te ajudou em verdade

E venceste até o corpo enfermiço

 

Teus mentores se alegram

Nossa família também

Todos que hoje te cuidam

Terão recompensas que convém

 Quinto Zili

Sorte

 

Sorte

Ganhar ou perder, dinheiro na certa

Apostar pouco ou apostar muito

Vício ou não, tentativa esperta

Atalho pedido, desejo fortuito

 

Te enganas saber do desejo maior

Pedes com o empenho de motivo justo

Precisas da ajuda que venha superior

Para realizar promessas de mais alto custo

 

De verdade o que queres é folga da vida

Que caia do céu o premio geral

E exorta que vai se manter na sua lida

De humilde ricaço, não demonstrando tal

 

Bem entende o Pai que tu pedes errado

Teu desejo te distrai de teu melhor caminho

Mas com a tua insistência tomas cuidado

Sorte ou azar, porás tua vida em definho

Quinto Zili

157

 

Poema para minha filha, 153

Poema para minha filha

Querida pequena, doce boneca minha

Nasceu do amor, feita bela princesa

Chorou de bebê, nasceu pequenina

No ventre da mãe era chama acesa

 

A vida nos trouxe você a nossos braços

Pra cuidar e velar, educar pra crescer

Veio ao mundo por nós pra guiarmos seus passos

De filhinha bondosa, olhos verdes de ver

 

Nosso amor é imenso por teu existir

Trouxe mais compreensão entre nós, podes crer

Todo dia é surpresa, conviver, te sentir

Temos toda certeza, teu futuro é crescer

 

Nos faz bem repetir, olhos verdes chegou

Com furinho no queixo, chama nossa atenção

Faz estrela e pula, uma artista em ação

 

Seus desenhos, que poesia, você mesmo os cria

Trouxe muita pureza para o meu coração

Será sempre a filha de nossa paixão

 

Cara Francesca, la nostra principessa.

Quinto Zili

Lixo mental II, 152

Lixo mental II

Nosso lixo mental sortido

Variamos os temas, sofisticamos

Além do agir errado

Por traz muito pensamento fermentamos

 

Tudo vai bem num belo dia

Então vem o apelo por mais um querer

Bastava continuar no vigiar que havia

Não frustrar, inquietar, nem rondar a agonia

 

Incompleto ou repleto, passamos viver

De um momento a outro tensão do nada

Vislumbrar um querer, criar o temer

O só ser agora, não satisfaz a jornada

 

Pensar por pensar é bobeira na certa

Fosse assim, melhor seria nada fazer

Criar fantasia embaça a alma desperta

O lixo criamos na mente, no ser

 

Lixo mental não é só o do mal

Muito sonhar à toa deixa o mesmo resíduo

Pensamento do bem sem trabalho braçal

Vira entulho também ao nosso indivíduo

 

Muito lixo mental, maior que o material.

Psicosfera poluída.

 

 

 

 

Lixo mental, 151

Lixo mental

Pensamento solto, elo frágil

Ideias tolas, vigília quebrada

Não tolera o serpenteio

Mente que opera contaminada

 

Entre espasmos de saúde

Uma e outra pincelada

Leva e traz revolta amiúde

Já no ódio foi tragada

 

Superar o fel da ira

Suportar pressão demasiada

Quase chama, fogo  em pira

Quebra o lacre, explosão deflagrada

 

Se não te agrada estes versos

Faz de conta que não é contigo

Sofre e clama por gestos reversos

Do algoz que parece inimigo

 

Triste mote deste pensamento

Que é tóxico e insuportável convívio

Falta a via do saudável alento

Lixo mental destruir para o alívio

Quinto Zili

Costumes, 244

Costumes 

O hábito faz o monge

Ditos, provérbios, costumes à tona

Andando se vai ao longe

Quem tem boca vai a Roma

 

Para ser feliz não precisa muito

Para muitos basta pouco, só o dinheiro

Para poucos só o amor como intuito

Para a maioria falta tudo, o tempo inteiro

 

Hábito se cria como o acontecer

Força se espalha ao envolver da alma

Quando ela mergulha no rio do saber

Que a leva fora dos costumes com calma

 

Alvoroço da descoberta

Os costumes bloqueavam tudo

Criou-se o caos na mente aberta

Abriu-se o lacre, novo conteúdo

 

Afinal porque toda essa mudança

Sem mudar não se descobre

O que vale é a alternância

Pois que um rico um dia vira pobre

Quinto Zili

Amores, 531

Amores

Entre campos e pastos

Nos planaltos e serras

Sem limites e vastos

Até mesmo nas guerras

 

Onde se plante o olhar

Sempre encontraremos flores

Às vezes como pedras raras

Nos revelam veios de amores

 

Homens garimpam em minas profundas

Buscando as riquezas materiais

Como seriam se nas lavras imundas

Só procurassem os bens espirituais

 

As pepitas sempre são encontradas

Não importa onde sejam buscadas

Os amores são como tais

Riquezas superiores, mais colossais

 

Esqueçamos os rancores

Plantemos alianças e compreensão

Colheremos muitos amores

Além das belas flores de Deus a paixão

Quinto Zili

Companhia, 532

Companhia

Que bom, você está aí

Me lendo

Olhando palavra por palavra

Me absorvendo

 

Agora, neste exato momento

Sou tua companhia

Você me escolheu por que quis

Não vire a página ainda, só por um triz

 

Escuta, vamos conversar

Só por um pouco

Estou sozinho também

Não dão por mim um vintém

 

Pois é , você e eu agora estamos em  companhia

E já que é assim, é bom que saiba

Sou bem como você, enquanto me lia

Me entendeu e vi teu sorriso  e empatia

 

Então, resumindo, já que me leu

Agora me compreendeu

Virou meu amigo, se atreveu

Me despeço, te digo, esse poema é teu

Quinto Zili

 

Tudo ll, 405

Tudo II

Ainda que nada falte

Mesmo que de nada se esqueça

A vida cá neste planeta

Pode só passar de leve esmalte

 

Vida plena material

Pouco fala da moral

De que vale ter-se tudo nela

Falo daquilo que não é querela

 

Digo do ser não de carne

Sem a veste após desencarne

Tudo que parecia ser alguém

Mal cai em si ao ver-se no além

 

Num átimo tudo vira nada

O vazio se expande

Pode parecer só um buraco fundo

E se ver de repente um pobre imundo

 

Todo mundo é igual

Tudo e todos ao natural

A desigualdade que se vê na vida material

Se revela outra e se nivela na vida espiritual

Quinto Zili