Faz sentido

Porque estamos assim

Tudo parecendo o fim

O mundo quase parando

Muita gente morrendo

 

Porque tudo isso agora acontece

Por mais que se rogue em prece

A vida para muitos perdendo o sentido

O mundo em momento perdido e sofrido

 

Haveremos de entender

As prerrogativas divinas

Nos caberá compreender

Porque nascendo novas rotinas

 

Uma verdadeira guinada

Retomada para a real jornada

Talvez uma última oportunidade

De se resolver nossa humanidade

 

Deus não impõe e nem quer a morte

Nem a vida é uma questão de sorte

Faz sentido o que está acontecendo

Um vírus; o Pai nos arrebanhando

Quinto Zili

1238

Aperto no coração

Dessa vez ele bateu forte

Veio no coletivo

Nem azar nem sorte

Para todos e pouco seletivo

 

Aperto no meu coração

No teu; nos nossos

Sem sofrimento vão

Pelo mundo rastro de destroços

 

Milhões de doentes

Distantes de seus parentes

Óbitos às centenas de milhares

Cenário que pasma os olhares

 

Aperto no coração

Tristeza e calamidade

Renasce a solidariedade

Homem na Terra em provação

Quinto Zili

1224

Mãos

Que dão equilíbrio

Dirigem os braços

Tateiam um livro

Nos abraços, os laços

 

Mexem em tudo

Fuçam, cutucam, espalham

Deslizam sobre tudo

Mãos soberanas que falham

 

Cumprimentam ou desprezam

Quando frias incomodam

Quentes inflamam

Juntas punem ou aprovam

 

Os aleijados podem não tê-las

Ou só não é possível vê-las

Deus nos cria espíritos perfectíveis

Nossos corpos, veredas susceptíveis

 

Mãos fazem e desfazem

Constroem

Destroem

No bem ou no mal se comprazem

 

Mãos refletem a alma

Fazem o que são comandadas

As de Jesus só expressavam calma

As nossas ainda precisam ser educadas

Quinto Zili

1084

Avião Brasil

2020 bem se iniciava

Decolava o avião

Quase 210 milhões a bordo

Chegamos a sair do chão

 

Seria uma boa viagem

Pouca emoção nem vertigem

Eis que algo acontece

Uma tormenta do nada aparece

 

O Avião Brasil acusa pane rapidamente

Tempestade deixa a tripulação doente

Quase em velocidade de arremeter

Termina o avião no solo em arrastado sofrer

 

O Brasil parou de repente

Por Deus não morreu tanta gente

Pelo desastre que foi sofrido

Só restará outro avião a ser construído

 

Parábolas à parte

Metáforas intrigantes

Um vírus caindo aviões com arte

E um futuro melhor modificará o dantes

Quinto Zili

1206

 

Poucos

Na bondade

No bom coração

Na boa intenção

Na caridade

 

São poucos

Contam-se

Tidos como loucos

Doam-se

 

Caminha a humanidade

Pelos vícios à larga porta

Longe da porta estreita da humildade

Moral ainda torta

 

Mas chegaremos lá um dia

Como parecendo alquimia

Não necessários muitos tiros

Só a eficiência de um bom vírus

Quinto Zili

1192

 

 

 

 

 

 

Vírus

Ainda que do mal pareça

Tem seu lugar devido

Na natureza nada que aconteça

Foge do divino ideal perseguido

 

Um vírus não é diferente

Mutações são evoluções

Os seres em adaptações

Seguem padrão exigente

 

Os porquês são infinitos

Não entendemos a dinâmica ínsita

É mister de superiores conflitos

São ajustes da balança intrínseca

 

E tudo se dá para o bem

Nada disso é obra do mal

A colheita não libera ninguém

Vírus é meio, não o vilão letal

 

Os vírus nos corpos materiais

Morrem por anticorpos ou antivirais

Os vírus da alma de nós mortais

Não se curam com antialmas, só com reformas morais

Quinto Zili

1185

O Bom Conselho

Veio ao meu encontro

Se fez presente

Um tanto insistente

Mas eu não estava pronto

 

Por mim mesmo talvez

Me impediam o orgulho e a vaidade

Ainda não enxergava a verdade

Não o ouvia e não lhe dava a vez

 

E o Bom Conselho não desistia

Insistia

Quase todo dia

Porque eu  fingisse que ele não existia

 

E então aconteceu

O Bom Conselho desapareceu

Eu não entendi mais nada

Pensei; assim é a quem Deus desagrada

 

Nada disso porém

Na verdade fui eu que morri

Fechei um dia os olhos e não mais abri

Só acordei muito tempo depois no além

 

Vaguei, vaguei e vaguei

E quando acordei havia só escuridão

Rezei, rezei e então implorei

Gritei com todas as forças do meu pulmão

 

Senti por fim alguém se aproximar

Tocou minha face chorosa e sofrida

Abriu meus olhos para que pudesse enxergar

Estava ali o Bom Conselho, de novo a me mostrar a vida

Quinto Zili

1180

Dinheiro

O que falta à muita gente

Quase o lugar comum

O quadro abrangente

Às vezes sobra a outro ou um

 

Dinheiro é essencial

Para a maioria

Nesta vida material

O papel pintado da alegria

 

Vindo do trabalho é conquista

Justo e sem prejuízo de ninguém

E porque Jesus não o põe no topo da lista

Sua fortuna é o amor, não o valor do vintém

 

Dinheiro não traz felicidade

Nem a compra, nem dela nos aproxima

Dar do que não sobra é prova de caridade

E a sua falta é expiação que ensina

 

Só é bom o recurso que circula

Seu acúmulo é como água parada

No fim dá bicho, mata e anula

No plano espiritual dinheiro não vale nada

Quinto Zili

1166

Folia

Quanta alegria

É carnaval

Quanta folia

Multidões brincam no plano carnal

 

Será que tem também no céu

Quem sabe dizer

Como se levanta o véu

É difícil de conceber

 

Tudo é padrão vibratório

Onde o espírito não é transitório

Parcial é a vida carnal

Por isso na Terra tem carnaval

 

Não há comparações

Nem semelhanças

Há alegria e tristezas em vibrações

Sintonias determinam alianças

 

Há quem goste do carnaval

Mas há outro tanto que não faz questão

Também não é luta do bem e do mal

No mais é não esquecer o ensinamento cristão

Quinto Zili

1160

Pati

Hoje é festa no coração da amada

Minha querida, meu amor

Mais um ano juntos na jornada

Os espinhos só protegem a flor

 

Você é minha poesia

A que eu não preciso escrever

É a minha doce teimosia

Meu coração bate ao teu perceber

 

Felicidades minha Pati linda

Vamos juntos continuar

Com nossa Francesca bem-vinda

Para nos atestar o maior amar

 

Te quero muito feliz

Não só hoje mas sempre

Somos um do outro aprendiz

Deus te abençoe o ser contente

 

 

Silêncio

A máxima é que é uma prece

Que por esforço se estabelece

Placas avisando e tudo mais

Por vezes ter que se pedir aos demais

 

Em tumultos não tem como

Só se o silêncio for interior

Que é hábito difícil no extremo

Não embarcar a mente no mundo exterior

 

Não é fácil para a maioria

Silêncio é como o ar que se respira

Não pode faltar a ninguém

Tampouco ser privilégio de alguém

Quinto Zili

1150

Guilherme

Oi Gui, querido filhão

Hoje é dia de tua comemoração

Dia de celebrar

Do teu nascer despertar

 

A vida te trouxe a nós

Teus pais em família

Recebemos teu sorriso e simpatia

Teu olhar azul de príncipe que desafia

 

É um trabalhador fiel

Um guerreiro de muitas  batalhas

Para mim um Guilherme Tell

Sincero, íntegro e honesto, no mundo de almas falhas

 

Parabéns filho amado

Por este e todos anos anteriores

Desculpa o pai por ser tão calado

Que te ama quieto e sente tuas dores

 

Continua na busca do amor

O verdadeiro e o inteiro

Amar também é conhecer a dor

Na vida nem tudo é passageiro

 

Cuida do corpo e da alma

Ouve teu espírito contigo falar

Até a ansiedade encontra a calma

Mazal Tov, quero te desejar

Pai

 

Rua

O bom endereço

De uma boa casa

Mas pode ser só um destino

De quem não vive e a vida arrasa

 

Sendo rico ou sendo pobre

Cada qual tem sua rua

Com teto ou mal se cobre

Vida doce ou nua e crua

 

É o próprio universo

Por onde passa muita gente

A rua é do poema o verso

Rima da vida o lar ausente

 

Mesmo escura a rua acolhe

No fim para muitos vira solução

Sem saber do mundo ela recolhe

Quem perdeu tudo, inclusive a ilusão

Quinto Zili

1146

A couve da briga

Provocação houve

Por causa de uma couve

A mais bonita da banca

Ali começou altercação franca

 

Houve forte disputa

O maço era da manteiga gigante

Virou palco de quase luta

Imagine a cena de briga ofegante

 

Duas senhoras madames

Desceram de seus altares

Viraram velhacas infames

Como nas brigas de bares

 

Bastou o olhar sobre a couve bela

Uma a quis, mas a outra avançou

Inevitável, o maço se partiu na querela

Das lindas folhas pouco mesmo sobrou

 

Então a couve prêmio não ficou de ninguém

O dono da banca no prejuízo restou

A coitada da couve para o lixo foi também

A feira parou e as briguentas a polícia levou

Quinto Zili

1134

 

 

Bagagem

De acordo com a viagem

A distância a percorrer

O seguir de uma romagem

Até o tempo que vai fazer

 

Para onde se vai

De onde se sai

E tudo que influencia na viagem

Que determina o tamanho da bagagem

 

E há ainda que se pensar

Se o meio de transporte vai suportar

O peso e o volume podem ultrapassar

Não só a nossa bagagem a transportar

 

Como quando reencarnamos

Só embarcamos com o necessário na mala

Excesso de bagagem nunca pagamos

Foi o Pai que conferiu antes de fechá-la

 

No retorno, ao cabo de uma vida

Há o transporte na passagem do desencarne

Só caberá a mala que foi trazida

O bem feito alivia o peso; o mal trazido soa o alarme

Quinto Zili

1115

 

Luxo

Falar sobre o luxo

O tal que muitos querem

Enquanto outros não tem nem pro bucho

Assim que os seres, entre si, se ferem

 

Ostentação ou poder

Ou só um certo luxo

À guisa do prazer de se ter

Que acaba gerando mais empuxo

 

Sanha e ânsia

Acumular não basta

Ouros e brilhantes em abundância

Tudo que da moral se afasta

 

Que dinheiro chama dinheiro, se falar

Como também é rio que corre pro mar

Quem nasce virado pra Lua

O luxo é no material que se situa

 

E onde fica tudo isso na nossa moral

Em nossas vidas, o lado espiritual

Se nada levamos desse luxo material

Que lá atua como peso na casa mental

 

Quem está à serviço do materialismo

Que quando morre requer imediatismo

Só que não, na pátria do céu, só o amor tem vez

O luxo lá não existe, onde só fica se mereceis

Quinto Zili

957

Calma

É muita pressa

Corre-corre sem parar

E cada vez mais depressa

Quase sem tempo para pensar

 

Hoje a vida parece que está desse jeito

Se não postou o que se viu

Então não se existiu, pois ninguém curtiu

Sem post no face ou insta, é como não se tivesse feito

 

Ou então é tudo urgente

Para ontem

E todo mundo virou cliente

Ou nem me contem

 

Ora ora, minha Nossa Senhora

Onde está a calma

Porque tanta tensão se aflora

Cadê a paz da alma

 

Com certeza estamos muitos de nós a confundir

Ter urgência não é tudo fazer com pressa

Ser importante não é o essencial do existir

Informação abundante não é aprender depressa

 

Por verdades se plantam falsidades

Leitura de tweets fakes, mas livros viram raridades

Estudar e aprender exigem calma e persistência

Internet se usa por necessidade e não por opulência

 

Confundir redes sociais com sermos sociais

Calma!

Quinto Zili

1091

Ceia

Hoje é dia de véspera com ceia natalina

Quando o dia brilha e a noite se ilumina

Que assim feitos nos mostram de onde vem a luz

Senão de quem, do maior, de Maria o Filho Jesus

 

Eis que nos emocionamos muito

Queremos ser diferentes, mesmo que só no intuito

Daquela cruz temos pouco conhecimento

Jesus nos mostrou o amor em puro ensinamento

 

Que Ser foi Aquele, iluminado

O Filho maior do Pai maior

Sua festa amanhã, o dia mais esperado

 

Ele Jesus no entanto nos lembra diariamente

Natal tem que ser o dia a dia melhor

O bem conduzindo ao amor, o verdadeiro presente

Quinto Zili

Natal

Natal em família.

Menos festas. Mais harmonia.

Não comer e nem beber à vontade.

Amar à vontade.

Ter compaixão à vontade.

Cuidar e sentir, olhar e ouvir. Abraçar. Ser caridoso e gentil. À vontade.

Dar e receber um presente.

Quem não acreditou ou prefere lembrar do Papai Noel no lugar de cuidar da relação com Jesus?

Muitos lembram que a festa é para ele. Mas então. Só lembrar e falar, o que muda?

Vamos renovar nosso compromisso de ajudá-lo e não só no dia de seu aniversário. Vamos nos comprometer com ele de lembrar todos os dias que firmamos esse compromisso constante e de agradecer nossa atual existência sem desmerecer nenhuma das anteriores que na verdade fizeram ser possível chegássemos até aqui. E lembrar a cada dia de que essa roupagem temporária, emprestada do cosmo divino apenas tange a realidade que é infinitamente maior em todos sentidos e dimensões. Nosso corpo material é um grão do plasma universal condensado pela permissão de Deus. Num piscar de olhos ele se dissolve e cingimos ao ser espiritual que apenas e verdadeiramente somos.

Feliz Natal Querido e Amado Irmão, Mestre Jesus!

Quinto Zili

19

Serra do câncer

Serra do câncer

Tem cura

Tem salvação

Depende da posição

Quando e quanto se apura

 

Quanto dele se fez

Quando começou de vez

Onde a alma doente o esconde

Que fizeste a ti? ele que te responde

 

Câncer que vem de dentro

Não se pega mesmo de fora

Efeito que se lhe dá causa e casa

Somatização em muito que o embasa

 

Dele não se escapa

Contra ele muito se luta

Se é só a carne que labuta

Mais demora o que lhe trata

 

Só a alma pode com ele

Se mudar o tom e o diapasão

Contestar a revolta e a reclusão

Buscar antes a causa raiz profunda dele

 

Alijá-lo do espírito

Por curar no períspirito

Profundas razões o trouxeram para fora

Íntimas reformas são que o levarão de vez embora

Quinto Zili

625

Árvore

Árvore

Plantemos ao menos uma

Num vida inteira

Árvore que ao Sol se apruma

Desde a sementeira

 

Cuidemos de um canteiro

Dele por inteiro

Uma obra de cuidado

O desejo de deixar um legado

 

Assim como quem nos cuida

O zelo pelo bem estar

Quem maneja a seiva fluida

Que nos permite a vida aproveitar

 

Uma árvore é vida em festa

Somos todos como a floresta

Pulsamos na Terra e no astral

Somos menos matéria e mais espiritual

Quinto Zili

1022

 

Sempre

Sempre

Além de o Nunca  sempre contestar

Afiado e seu maior contrário

O oposto que também tem salário

Tão velho quanto, sem nunca caducar

 

Nada de inimizades nem alardes

O Sempre é o perfeito bom senso

Em geral nos traz oportunidades

O Nunca é sempre muito intenso

 

Servem um do outro como contraponto

Mas não se negam em público assim

Nem se entregam um ao outro no entanto

 

Temos ambos a nos ajudar quando reconhecer o bem

E o Nunca será sempre do Sempre afim

O mal nunca vencerá o bem, que vai sempre além

Quinto Zili

1078

 

Pouco

Quanto

Mais

Menos

Entre tanto

 

Com tanto

Meio cheio

Meio vazio

Por tanto

 

Não é muito

Vale o intuito

Parece oco

Parece pouco

 

Sentimento

Puro

Sofrimento

Duro

 

Leve ou pesado

Como jugo

Mas muito julgo

Meu ser, lesado

 

Pensar louco

Falar mudo

Amar pouco

Faltar tudo

Quinto Zili

1056

Nome da flor: Vida

Toma essa flor pra ti minha irmã, meu irmão; ela se chama Vida.

Percebe seu perfume.

Todo dia de manhã te acordarás lembrando como é o sentir o aroma bom da Vida.

Seu caule fino onde a seguras pela mão é cheio de espinhos, porque é de sua natureza,  mas isso não diminui em nada sua beleza.

Se achar difícil segurá-la lembra-te que só há um jeito, com suavidade e firmeza, com certeza junto ao peito.

Onde tuas mãos a tocarem ela sentirá tua intensão, e se for com pensamento firme e com amor, cada espinho se transformará e te mostrará como seu caule é gostoso de segurar, sem dor.

Suas pétalas, essas se abrem todo amanhecer e só se fecham ao anoitecer ou se você optar pela tristeza. Isto mesmo, teu olhar para ela é que a alimenta com certeza.

Regue-a sempre com a água da paz do teu coração e adube-a sempre com o sorriso do teu olhar como oração.

Aceita essa flor com o nome Vida como meu presente. Cuide bem dela como se fosse o último que você fosse receber. E acredita que essa Vida te trará sempre algo melhor ao teu ser.

E sua beleza será tanto maior e imensa se ao plantá-la no teu jardim deixá-la próxima de outras, mesmo de crenças diferentes. Ela irá se sentir bem e terá a sombra das maiores e fará sombra às menores nascentes.

Tome essa Vida como tua  daqui em diante, e não te esqueça que quem te deu te ama como o ser mais importante.

Quinto Zili

277

Gentileza

Homem das cavernas

Constantes ameaças

Medo lhe corria as pernas

Natureza só lhe trazia trapaças

 

Milhares de anos a finco

Passado longínquo

Lar e família eram distantes

Pouco do hoje havia no antes

 

Percebeu o ser um dia

Depois de muita dureza

Habilidade quase não se via

Agir por impulso de uma gentileza

 

Noutro dia nasceu como sutileza

Descobriu um valor novo

Um gesto foi assumido entre o povo

Se tornou hábito traduzindo pureza

 

Hoje temos mais dessa atitude

Que convidam as relações à gentileza

Muitos a servem com cuidado amiúde

Nem todos entendem sua beleza com certeza

Quinto Zili

384

Dinheiro

Esse papel colorido e pintado

Que manda no mundo que habitamos

Com rostos e bichos impressos em cada lado

No dólar até inscrito, que em Deus confiamos

 

Quanto mais o temos

Mais o ter o queremos

Quem nem um pouco o possui

Lamenta que Deus o exclui

 

O dinheiro não é mais que um símbolo

Mas remunera o justo trabalho

Se muito fácil no entanto ele vem

Geralmente se vai pelo mesmo atalho

 

Ele não é do mal

Nem tampouco do bem

É como usar o sal

O abuso jamais convém

 

Dinheiro não tem moral

Mas não é só culpa dele próprio

A riqueza é de um poder fatal

Sem equilíbrio ela se torna o ópio

 

Que com o dinheiro não mais briguemos

E nem por ele, ainda menos

Talvez um dia sem ele viveremos

Mas hoje ainda é a moeda de troca que temos

Quinto Zili

954

DRUMMOND

DRUMMOND

Ele entrou na casa da Poesia.

Entrou. Lá viveu e se trancou.

De lá saiu só para ir de vez. Embora.

Deve ter levado a chave ou a jogado fora.

Ou só contou o segredo a uns poucos amigos, outros poetas.

Aqueles que entendiam melhor os seus escritos, escritores atletas.

Que de pronto, sem inveja, com bondade , o viam sem vaidade.

Escrever o amor como ele o fez, desde o cheiro dessa brisa, só quem contemporiza, do mal não se utiliza.

Em sua homenagem e à sua poesia, quem tenta este caminho, tem uma certeza, não haverá outro igual, com o verbo descomunal, pai da escrita, o senhor da letra; irrestrita!

Quinto Zili

Esquecer

Do mal e da dor

Da raiva, da falta de amor

Dos vícios materiais e morais

Das más tendências reais

 

Não dá só para esquecer

Apagar sem rever

Não dá para apenas virar as costas

Seguir sem perdoar são as piores apostas

 

A verdade é só uma

Quantas vezes precisaremos

Até que o bem em nós assuma

Todos de nós assim nos transformaremos

 

Cultivar o amor em toda parte

Começar em nós mesmos essa arte

Estendendo ao próximo como possível

Até se tornar prática normal e sensível

 

Assim o esquecer é mais que tentativa

Realidade é entender e modificar

O que é ruim, em bom de forma definitiva

E o mal, no bem do amor e do perdoar

Quinto Zili

1019

 

 

 

 

 

 

Marcela

Tenho três lindos rebentos

E hoje é festa da que nasceu primeira

Com eles, meus olhares mais atentos

Marcela, trinta e três, da boa sementeira

 

Um encanto de mulher, bom astral

Já é mãe do meu Gabriel, executiva e tal

Com ela não se pode ser meia colher

Esperta, amorosa, sabe bem o que quer

 

Forte personalidade

Ligada, parceira e desejosa

Ponderada na sua realidade

Curte a vida de forma prazerosa

 

É dedicada, honesta e responsável

Querida filha e seu Julian, pais do pequeno Gábi

Tem bom humor em dose invejável

A tenho por amor. Sê muito feliz em tudo que te cabe

 

Pai

Mãos

Os gestos e as práticas

Duros, delicadas

Gentis, ásperas

Carinhosas ou revoltadas

 

Sempre às duplas na urdidura

Mais de um caminho se depura

Uma segura, a outra a seguir

Concordam até no divergir

 

Quando no mesmo foco atuam

Trabalhando juntas suam

Daí saem obras maravilhosas

Artes, segredos, coisas gostosas

 

Mãos que trazem o nascer

Que levam ao morrer

Siamesas de um  mesmo tronco

Semeiam ou matam como gênio ou bronco

 

Curam e transformam

Mas se sujeitam à mente

Daí que o bem ou o mal operam

De quem  age são ou doente

 

Nossas são as mãos de Deus que obram

Tentáculos do Pai que menos nos cobram

Fazem acontecer e com elas o bem se usufruir

Delas, em verdade, só não podemos fugir

Quinto Zili

696

Problema

Não nos faltam

De toda sorte

Repletam

Do nascer à morte

 

E se depois não se findam

Ainda que os contrários pensam

Carregamos muitos conosco

Continuam como enrosco

 

Se queremos deles nos livrar

Então basta os solucionar

Perdoar a quem for

E pedir perdão à quem levamos dor

 

Simples assim

E outras soluções afim

Amar como conduta daqui para frente

Agir como Jesus, nosso irmão docente

 

Problema é que somos ignorantes

Ainda não entendemos o amor

Um dia seremos melhor que antes

Amor virá, mesmo pela dor

Quinto Zili

1013

Preguiça

 

Quebrado o encanto da estrada

Da realização frustrada

Da não plenitude na vida

Sem desejo e a vontade carcomida

 

Preguiça nem fala dela mesma

Se evita a si própria

É estorvo da conquista

Das coisas e do mais à vista

 

Meramente voluntária

Altamente destrutiva

Aquele que a abraça

Sorve o suco da traça

 

Triste e completa

Experiência amarga

Ter preguiça é não avançar

Na areia movediça afundar

 

Fugir dela é ter vontade de fogo

Usar o medo para dela correr

De ser pleno de novo

De resgatar a vida no gozo do ser

Q.Z.

403

Mentira

Quem nunca mentiu

Não está vivo nesse planeta

Quem da mentira fugiu

Sabe que ela é perneta

 

Questão de princípios

Moral elevada

Ideais são indícios

De condição avançada

 

Mentira, do bem ou do mal

Qual a diferença da praga

Da verdade, é como o sal

Nenhum, deixa insosso; a mais, estraga

 

Nada justifica a mentira

Talvez só quando evite o mal

Mas ainda assim, da verdade que se retira

Fosse necessário um sofrer providencial

 

A máxima, na verdade, das Leis Naturais

O que Jesus trouxe à tona como lição

À justiça divina, mentira é causa que provocais

Só em ti mesmo seus efeitos se sentirão

Q.Z.

953

Carga

Não é o peso nem o cilício

O tamanho dela

Nem o suplício

Mas como suportamos ela

 

A cada um de nós

Segundo suas obras

Carga revela atroz

Do nosso passado as manobras

 

Nada de injustiça

Nenhuma coisa errada

Tudo tem dobradiça

Depois de aberta, terá que ser fechada

 

Vai e volta

Prende e solta

Não é olho por olho, nem dente por dente

É misericórdia divina, que jamais se desmente

 

Nada se nos retira

Do pouco que não se tem

Deus é quem põe e tira

De tudo que nos convém

 

Somos passageiros e motoristas

De nossa própria jornada

Depende de qual tipo de conquistas

Se a carga será mais ou menos pesada

Quinto Zili

981

Robô

Robô

Num sonho recente, um devir

Eu o vi até chorando

Estava se comunicando

Era um robô que parecia sentir

 

Não há mais limites

Tecnologia avançou fronteiras

Não se usam mais rebites

Tudo será diferente quanto queiras

 

O ser humano que conviverá

Com seres artificiais

Com inteligências tais

Que também o perseguirá

 

Não há no entanto o que temer

Exceto pelos continuados erros

Robôs não terão sentimentos reais como temos

Nem espírito, lembremos

 

É matéria transformada e tal

Inteligência artificial material

Sem alma nem carga moral

Coisa que muito terrestre ainda cuida mal

Quinto Zili

551

Calor

Um vulcão eclodindo

Suas brasas e lavas

O que vem do fundo da Terra

Calor máximo que se encerra

 

Muita pressão

Em compasso de espera

Vem à tona e supera

O momento da erupção

 

Como se vê na química

Calor é parte das reações

Elementos em atração dinâmica

Desprendem energias em profusões

 

Nas relações humanas do ambíguo

No intelecto do ser indivíduo

Calor como sensação indutiva

Amor, vergonha, onda de calor instintiva

 

Sem excesso o calor é alimento

No amor o máximo acalento

Na dor remédio ao sofrimento

Calor a nos tirar da indiferença e do relento

Quinto Zili

525

Maca

Da maca para a cama

Inversos corretos

Doente depois são

Curado em evolução

 

São muitas macas que usamos

Em todas vidas uma ao menos

Sozinhos em momentos de dor

Acompanhados, em enfermarias do Senhor

 

As camas, nossos leitos de descanso

Cada uma é um templo de paz

Em geral começam simples em berços

Terminam em duplas ou de casais

 

Camas e macas

Onde os corpos se recuperam

E onde as almas se realimentam

Enquanto matéria descansa, espírito avança

 

Amor carnal na cama

Sofrimento carnal na maca

Alma não se deita, só espreita

Espírito amadurece enquanto corpo envelhece

Quinto Zili

404

Aquilo

Esse ou aquele

Isso ou aquilo

Aquilo outro

Diferente daquilo

Encontrado noutro

Qualquer daqueles

Nosso ou deles

Doutra ou doutro

 

Qual é

Quais são

Essas coisas

Ou aquelas

Todas elas

Nossas ou delas

Delas e deles

Neles ou nelas

 

Aquilo era meu

Não era teu

Me deu

Me escolheu

Então chega

De discussão

Muita fala

Pouca ação

M. F.

930

João Gilberto

João Gilberto

Um violão vai chorar

Suas cordas vão lacrimar

O João do seu tocar

Suas mãos o vão deixar

 

Com toda sua bossa

A nova, todos sabemos de certo

A única e nossa

Do baiano brasileiro João Gilberto

 

Coisas que só o coração

Que cantavam ele e seu violão

À minha e muita geração

Numa nota só, no samba de meditação

 

As garotas de Ipanema vão chorar

O Gilberto, que foi João, foi com Deus morar

A Aquarela do Brasil vão tocar

E o pato desafinado no Corcovado vai ficar

 

Coisa mais linda a sua obra João

Brigas nunca mais te incomodarão

Chega de saudade, será só bim bom baião

Sua morte vai machucar demais a todo coração

Quinto Zili

 

 

Ouvir

Quietude

Paciência

Moderada atitude

Ouvir é ciência

 

Primeiro escutar

Depois falar

Seguir o ditado como boa ovelha

Quando um burro fala, outro abaixa a orelha

 

Respeitosamente

Mais que isso

Jeitosamente

Bom compromisso

 

Duas orelhas e só uma boca

Não são enfeites na cabeça

E se a língua for louca

Pode que os ouvidos enlouqueça

 

Antes que se confunda, se merece

A máxima é que o silêncio é uma prece

E se de ouro é o falar

Diamante é ouvir, o escutar

Quinto Zili

781

 

Agrião

Amargo e meio picante

Clorofilante

Na salada

Ou de bocada

 

Há quem dele não goste

Quando criança me dava ânsia

No prato alguém que o encoste

Outro o quer de ganância

 

Agrião, forte, verde escuro

No suco se delicia

Refrescante e puro

Saúde propicia

 

Tempera a ver se não gosta

Qual rúcula deliciosa

Sua irmã, tente a aposta

Os amargos na boca prazerosa

Quinto Zili

838

 

 

 

 

 

Paralelo

Paralelo

Apenas o outro lado

Um mundo associado

O que não vemos

O paralelo que não cremos

 

Almas em convívio

Para quem for o alívio

Não se sabe de antemão

Compartilhar em profusão

 

Um mundo inteiro

Paralelo e real

Pouco nítido mas lindeiro

Não nos atina o espiritual

 

Só partindo para ver

Sentir, verificar e comprovar

Encarnado é difícil de crer

Como aqui é aí, sem por nem tirar

 

Morre para ver

Faço contigo aposta

Aí, temos dúvida de entender

Aqui, tudo vira resposta

Quinto Zili

890

Sopa

Sopa

Coloqueis tudo na receita

Abundantes ingredientes

Poção de saúde perfeita

Pitadas de vontade apetecentes

Esse prato será completo sabor

Cozido no fogão do amor

 

O jeito de cozinhar é marca

Cada qual tem um estilo e um enredo

Mas pedis por uma sopa farta

Vais ver que a emulsão tem segredo

E cada parte da feitura

Toma aspectos de entrega pura

 

Democrata é a sopa, irreverente

Qualquer acepipe fresco ou bem maduro

Viram quentura de um sabor final diferente

Umas suaves, outras com toque e aroma puro

Faz-se o blend preferido ou um bem requintado

E sopa com pão é essencial, mais queijo ralado

 

No imo desses versos, que importa é o efeito

Mata uma fome e sacia um desejo

Rega uma reunião familiar num alimentar perfeito

Sopa une tudo, ingredientes, calor, para tomar de beijo

Quem faz, quem come ou toma, ninguém rejeita

Quente ou fria, parece mesmo de amor ser feita

Quinto Zili

461

Tentativa

Tentativa

Aquela postura

De desespero

De desânimo

O pânico

 

Síndromes à vista

Falha de conquista

Quase irreversível

Situação temível

 

Talvez falte tentativa

Buscar alternativa

Dentro do próprio mergulho

Ao se encontrar com o orgulho

 

Aproveitar o momento

Na máxima crise

No fundo do poço havido

Lá está o tesouro escondido

 

Não lhe falte tentativa

Não existe morte altiva

Só existe vida, em tudo

Deus nos ama demais, vivos sobretudo

Quinto Zili

523

Casamento

Casamento

 

Quero amar-te nesta vida

Vejo o tempo à nossa frente

Seremos um do outro guarida

 

Tu me trazes novas sensações

Quero ter-te cada vez mais

Seremos um só de dois corações

 

Tanto tempo procurei

Alguém me desse seu amor

E achei pra dar meu calor

A quem me trata como um rei

 

Que bela é a vida

Tão longe está a morte

Hoje temos um ao outro

E não reclamamos da sorte

 

Que Deus permita para sempre

Nossa relação bela e segura

Pois só quem ama é quem sente

A verdadeira relação de ternura

 

Ame sempre caro amigo

Voe e alce a luz da sua paz

Mas leve sempre junto contigo

Semente do amor não se deixa pra trás

Quinto Zili

103

Perfeição

Perfeição

Ainda não sabemos o que é

Como é

Onde se encontra

Em quem desponta

 

Ou o mais próximo que seja

Até onde se perceba e veja

Só Aquele que pisou na Terra há dois mil anos

O espírito mais perfeito, Jesus dos nazarenos

 

Porque de perfeição nada entendemos

Sem poder avaliar sua extensão sofremos

Mesmo nossa noção de perfeição é imperfeita

Da semeadura maior somos apenas nossa colheita

 

Então o que seria a perfeição

O bem, o amor, o perdão e a caridade

Tudo junto em harmonioso diapasão

O próprio sofrer como outra realidade

 

Até nossas preces são imperfeitas em tese

Por certo deveríamos entoar mais agradecimento

Mesmo que não pareça Deus dá todo suprimento

E ainda nos brinda com Jesus na catequese

Quinto Zili

790

Dia das Mães

Dia das Mães

Não sei se mãe já fui uma vez

Quem sabe nalguma encarnação

Mas se fui, obra de Deus me fez

E hoje aqui sou homem em ação

 

Nos lembrássemos de outras vidas

Que experiências iríamos encontrar

Seriam graças ou memórias sofridas

O véu do esquecer é dádiva do amar

 

No Dia das Mães quem se lembra se comove

Quem não queria estar com a sua mãe por perto

Quem não quer a benção que se renove

Chorar e rir no colo de amor único e certo

 

Quem consegue amar incontinente

Cuidar desde o primeiro dia de vida

Antes mesmo na barriga quente

Que pari feliz até na dor sofrida

 

Quem cuida até o último dia de um ser

Quem sofre quando um filho perde ou se vai

Que adota outros quantos pode ter

Que chora por amor, dor, alegria, sofrer e nunca cai

 

Mãe é pilar, é altar, é igreja

De joelhos devemos lhes prestar homenagem

Que Mãe Maria nos ouça, Vossa benção que assim seja

Dia das Mães é todo dia nesta sagrada romagem

Quinto Zili

 

 

Orai e vigiai

Orai e vigiai

Ao longo de uma vida

E também na eternidade

Seja de gozo ou sofrida

Seja na saúde ou enfermidade

 

Jesus nos ensinou à abastança

Do concreto ao sensorial

Que havendo esta aliança

Matéria bem usada eleva o espiritual

 

Que cuidados devemos ter

A  vigília como obrigação

Cada qual e o todo perceber

Quanto bem ser posto em ação

 

Se o mal nos visita

Se é incúria indevida

Sem oração é desdita

Sem vigia vida invadida

 

Filhas e filhos, se me permitem

Deus Quem nos criou e nos deu vida

Com Jesus Boa Nova não é só mero item

Mas linha mestra da evolução prometida

Zili

883

Caboclo

Caboclo

Minha mãe do céu, Ele ainda nos deu o perdão

Será que isso mesmo que aconteceu

O Homem veio em nome de Deus

Crucificamos o Cristo, ao lado de ladrão

 

Se Ele alguma coisa roubou

Foi o mal dos corações

Mas nem mesmo isso fez

Só o bem plantou, nada levou

 

Sou um caboclo destemido

Sofrido e carcomido

Vim de longe para dizer

Como é lindo esse fazer

 

Escrever nunca me foi fácil

Eu não saberia esse conhecer

Hoje sou até professor

Mas o que ensino é o bem querer

 

Aprendi com Ele Jesus

Que já de longe é pura luz

Depois de eu muito errar

Na graça de Deus pude Ele encontrar

 

E deixo abraço de caboclo matuto

Quem lembrar de mim não carece luto

Aqui se vive mais e se trabalha bem mais que aí

Olha para o céu, quanto amor e quanto bem vem daqui

Quinto Zili

545

Elo com Deus: Páscoa

Elo com Deus: Páscoa

Doce olhar de Jesus.

Nos confunde. Tanto poder e tanta verdade. Tanto amor e nenhuma vaidade. Tanta vida e viveu tão pouco entre nós.

Quando veio o tempo parou. A natureza mãe se fez de palco para sua passagem e o céu deve ter ficado mais iluminado por trinta e três anos seguidos. Era muita energia concentrada num só corpo.

Imaginar que um espírito pleno de luz se fez passar por gente como nós para que apenas iniciássemos nossa crença em algo realmente puro, maior e pleno. A fonte da própria luz divina veio até nós encurtando nosso esforço em descobri-la.

Até isso Deus permitiu acontecer para nós, seus pobres filhos, tivéssemos uma oportunidade entre tantas, porém, de sublime diferença.

O elo com Deus.

O Espírito da Verdade.

Jesus, a páscoa de todos os dias.

Graças a Deus.

Arte

Arte

Um pincel na mão

Uma talhadeira

Uma ideia em execução

Arte se tornando inteira

 

Uma poesia de toque

Uma canção melodiosa

O esculpir sem retoque

Mesmo a arte religiosa

 

A alma transbordando

Dobrando a fronteira

Rompendo, ultrapassando

Sentidos em fogueira

 

Liberdade à arte

Comunhão espiritual

Todo mal à parte

Do veio do bem descomunal

 

Ousar-se pintar o sete

Quando Deus nos tem compaixão

O feio na arte não se repete

Pequeno registro da má inspiração

 

Pintura maior, o infinito do céu

Onde os outros mundos viram estrelas

Arte suprema por Deus o pincel

Beleza sem fim, de podermos vê-las

Quinto Zili

856

Amores

Amores

Entre campos e pastos

Nos planaltos e serras

Sem limites e vastos

Até mesmo nas guerras

 

Onde se plante o olhar

Sempre encontraremos flores

Às vezes como pedras raras

Revelando veios de amores

 

Homens garimpam minas profundas

Buscando riquezas materiais

Como seriam se nas lavras imundas

Só procurassem os bens espirituais

 

As pepitas sempre são encontradas

Não importa onde sejam buscadas

Os amores são como tais

Riquezas superiores, mais colossais

 

Esqueçamos os rancores

Plantemos alianças e compreensão

Colheremos muitos amores

Belas flores de Deus ao coração

Quinto Zili

531

Chamado

Chamado

Vem do outro lado do muro

Do muro de dentro do teu coração

De que lado vem o som puro

Prestar melhor atenção

 

O vizinho já escutou

Não foi você quem chamou

Outros vizinhos ouviram também

Há algo diferente na linha do trem

 

O caminho está assegurado

Vem sendo feito o chamado

Pode a mente furtar-se entender

Vacilar o pensar e se arrepender

 

Chamamento provocante

Acontecendo a todo instante

Não escuta quem tapa o ouvido

Palavras são do Mestre querido

 

Ele não altera o tom

Não muda o discurso bom

Nós que damos de ombros

E terminamos em escombros

 

O chamado na verdade é hino doce

Como cântico de anjos fosse

Daí sofremos na alma e o corpo se reduz

Sem atender a Jesus, único sábio da luz

Quinto Zili

499

Por que Poesia Espírita

Por que Poesia Espírita

Merece uma explicação

Porque adjetivei a poesia

Quando pura e de isenção

Arte prescinde de categoria

 

Foi uma escolha minha

De como divulgar uma filosofia de vida

Poemas, mensagens, o que me vinha

Da doutrina consoladora pelos Espíritos trazida

 

Por humildade e respeito, ainda foi definido

Que se tivesse prévia noção do que se leria

Em que o leitor seria envolvido

Mostrar, de antemão, do que a poesia trataria

 

Quem não aprecia ou desgosta

Descarta antes sem problema

Não quero incomodar, nem a quero imposta

Permitir assim bater o olho e não lê-la

 

E se a Poesia Espírita ferir alguém

Que fira antes a mim, pobre escritor

Ela falará só do amor e do bem

Será minha a licença poética como seu tutor

 

Afinado em Jesus sobre os  variados temas

Humanidade nada perde com esta poesia

Só ganhamos mais meios de entender problemas

No mais, dos Espíritos, é o que se pretendia

Quinto Zili

Naquele viaduto, vidas

Naquele viaduto, vidas

Aquele pequeno espaço tinha servido de casa. De um cômodo, por onde passou e dormiu uma família. Maria, Pedro, três filhos pequenos e dois cachorros.

Uma enchente histórica levou a casa, tudo que tinham e fugindo do perigo, à noite,  acabaram nesse buraco sob um viaduto.

Cidade grande, calamidade, emergência e mais uma família assim como tantas outras se vê em completo abandono.

-Mãe tô com fome, mãããe!

-Quero dormir, não vamos voltar?

-Tenho frio mãe.

As sete bocas nada tinham com o que se alimentar e só tinham um galão de água. O local era úmido, sujo e frio. Mesmo sendo verão de enchentes, o calor esquecera daquele lugar.

-Pai tô com medo, ninguém vai ajudar a gente?

Apesar do desespero, pelo menos as crianças dormiram no calor do colo dos pais e grudados aos cachorrinhos. Pedro antes de amanhecer olhou para Maria e se entenderam quase sem falar. Saiu desesperado para buscar ajuda, alimentos e avisou Maria que se não retornasse até o final daquele dia ela teria que sair dali e levar todos até achar um abrigo de prefeitura. Um dos cachorros simplesmente o acompanhou enquanto o outro montou guarda ficando, com o que pareciam entender o drama e colaborando na segurança.

Pedro saiu bastante desesperado. Caminhava, corria, suava, chorava, pensava e orava em voz alta como a convocar o Teco, seu amigo cão a fazer o mesmo “não posso deixar minha família sofrer desse jeito meu Jesus; me ajuda pelo amor de Deus”.

Subiu e desceu ruas, quilômetros, horas caminhando. Gente olhando para ele com desconfiança. Parecia um indigente, sujo e cansado. Num dado momento viu o Teco inquieto que sai correndo em direção a uma cena pouco distante, dois homens atacando alguém. O cão chega mordendo um deles enquanto o outro ainda tentava tirar pertences da senhora machucada deitada no chão, e antes que Pedro os alcançasse eles fogem covardemente. A velhinha muito machucada, sangrando na cabeça e nos braços sem conseguir se levantar começa a falar:

-Ai minha Nossa Senhora, graças a Deus alguém apareceu. Me ajuda aqui moço. Ai! Ai! Pega ali meus óculos. Os danados me levaram tudo, olha só!

-Eu ajudo a senhora…

-Olinda, filho.

-Pedro, dona Olinda

Ele a carregou por mais de um quilômetro até onde ela morava. Sua casa pequena, mas muito arrumada, se destacava na rua estreita e de poucas árvores. Entraram e ele a levou ao quarto onde repousava seu marido doente numa das duas camas. Apareceram vizinhas que acudiram a senhora. Falavam com ele Pedro, para saberem do acontecido, ao que pacientemente relatava.

Pedro apesar de já inquieto e preocupado  ficou mais um tempo por perto, quase duas horas pois se compadecera da senhora, mas precisava ir embora para continuar sua missão e ao pedir um copo d’água para sair alguém lhe acenou com um prato de comida e um pouco de ração para seu amigo e lhe pediram que fosse ao quarto da senhorinha.

– Coma Pedro. Você deve estar com fome. Carregou muito peso (Risos). Para onde ia, quem é você?

Ele, enquanto engolia a comida e ia olhando pelas paredes os retratos de uma família linda, acabou contando seu drama. Dona Olinda se emociona e ao som daquela narrativa também olha para um pequeno quadro sobre seu criado mudo.

-Quem são dona Olinda?

-Meu filho, nora e meus 3 netos.

-São lindos, que bela família a senhora tem.

-Eram sim. Há dois anos perdi todos num acidente de carro.

Pedro não sabia o que dizer. Ficou mudo, estarrecido. Seu corpo estremeceu e sentiu muita tristeza, a mesma que estava vivendo com sua família em risco.

-Pedro, vá imediatamente buscar sua mulher e seus filhos. Traga-os para cá. Tenho um quarto nos fundos que vocês podem usar por enquanto.

O homem se ajoelhou perante a senhora, beijou suas mãos, olhou para o velho da cama ao lado, que lhe sorria. Saiu em disparada, correndo. Depois de três horas chega com a família mais Teca e Teco.

A vida naquela casa depois de dois meses mostrava o que é se encontrar um oásis em pleno deserto. O casal de velhos entendeu que Deus lhes devolveu a família. Pedro e sua família entenderam que Deus lhes enviou um par de anjos protetores.

Pedro era um faz de tudo na casa e pelos velhos, além de conseguir fazer bicos e conseguir ganhar a vida honestamente e Maria uma pessoa extremamente caridosa que cuidava dos velhos com amor, o mesmo que dedicava aos seus filhos com esmero.

Em seis meses o velho marido de Dona Olinda falece. Ela na sequência também começa a adoecer e por não terem parentes a quem deixar o pouco que tinham, avisa Pedro que se ela morresse ele deveria procurar um tal senhor no cartório do centro.

Dona Olinda havia sido importante professora de uma escola da região e acabou conseguindo lá mesmo matricular os três filhos do casal, Ana, Clara e Junior, 9, 7 e 5 anos. Ensinou tudo o que podia a Maria, inclusive a costurar numa máquina que possuía. Em um ano ela se vai, deixando tudo que tinha para o casal. A casa, economias e uma gratidão enorme pois Pedro e Maria cuidaram dos velhos como se seus pais fossem.

 

Cidade grande, desumana, trágica.

Gente boa, calor humano.

Providência divina.

Desespero e medo.

Amor e compaixão.

Tudo se mistura numa grande cidade. Inclusive vidas”

Quinto Zili

829

 

Apelo

Apelo

Insisto com esse meu apelo

Já há muito lhes faço

Para mim tem sido um pesadelo

Podem crer no meu embaraço

 

É recorrente e digno

Qualquer pedinte o faz

Meu apelo é benigno

Mormente daqui onde se jaz

 

Só uma prece

Uma lembrança pela minha alma

Nada mais me aquece

Fiquei perdido, me findei sem calma

 

E como eu há muitos semelhantes

Parentes, amigos, conhecidos

Apelo por todos cambaleantes

Somos irmãos, não frutos desconhecidos

 

O amor acende uma luz

Mesmo à distância se produz

Um jorro de esperança a quem se conduz

Elo distante até reencontrar Jesus

Quinto Zili

557

Mulher

De onde veio essa coisa de que homem é superior à mulher, sendo que no máximo, na realidade, ele tentar lhe ser igual ainda seria precário. Quando os homens pensavam que elas evoluiriam até atingir o nível deles. Quando tudo, de verdade, se passava ao contrário.

Por excelência de seu existir, ou na dose superior de resignação, as mulheres se curvaram à violência e ao orgulho dos machos de sua raça. Até hoje ainda, elas, em número equivalente porém melhores, os admitem, homens de toscas falhas, a atuarem como os responsáveis pelo mundo. Mera concessão e de graça.

Ora, ora, acreditem ou não, está terminando esse ciclo. O homem finalmente está começando a perceber sua ruidosa e vaidosa condição, de força e violência, truculência e orgulho, e em tendo agora que fazer tarefas erroneamente classificadas como femininas, vai percebendo sua real posição.

E a questão se mostra mais clara aos olhos do espírito, em que não se distingue sexo. No corpo de carne é uma injunção decisiva, de provas, de necessidades, de múltiplas experiências. Perante Deus, somos todos iguais. Corpo e alma. Sempre fomos, sempre seremos. E o homem pleno, esse nunca se viu nem acima nem melhor que a mulher, ao contrário, sempre lhe rendeu reverência pela sua melhor condição de sensibilidade e amor de mãe inatas, que são diferenças naturais criadas por Deus. Elas são superiores aqui na Terra. Elas dão o equilíbrio às relações, pregam paz em vez de guerra.

Rendamos, homens, nossas humildes homenagens à elas. Às nossas mães, esposas, irmãs, filhas, sogras, e à todas indistintamente, que até hoje tentamos subjugar pela força e menos pela inteligência, que sempre nos faltou à mente.

A evolução foi da mulher e do homem, mas elas sempre estiveram à frente. O homem é que saindo da inferioridade, hoje melhorado e menos nocivo, passa a entender agora o seu papel e sua falha milenar de esbulho possessivo.

VIVA AS MULHERES, HOJE E TODOS OS DIAS!!

Quinto Zili

A roda dos expostos e Zeca

Sim, foi naquela roda. Lá que ele nasceu, que o encontraram. Só lhe contaram isso quase no final da vida. Abandono é o sentimento mais duro de suportar. Rejeição.

-Olá, bom dia seu Zeca.

-Bom dia minha filha.

-Trouxe um pouco de comida e leite. Não consegui o seu remédio.

-Você já é um remédio para mim, lembrando desse velho, minha querida.

E essa era a rotina dos últimos dias de Zeca, aos setenta anos, vivendo na rua de dia e se recolhendo à noite ao abrigo da cidade que o acolheu desde criança. À essa altura já sofria de doença reumática degenerativa. Perdera sua pequena oficina e nem podia morar sozinho devido suas precárias condições de saúde e vivia praticamente de doações e ajudas de pessoas amigas.

Foi criado numa creche de Santa Casa porque quando foi achado na roda dos expostos logo surgiu aquela senhora do convento que o levou ao padre da cidade. E assim ele cresceu pelas mãos de pessoas abnegadas. Se tornou jovem, aprendeu ser sapateiro e foi como trabalhou toda a vida, ficando conhecido por toda a redondeza pelas suas habilidades. Por vezes pessoas o procuravam por achar que pelas suas mãos habilidosas no couro, também aconteciam alívios de dores e até curas, segundo muitas testemunhas. Mulheres levavam seus sapatos, sandálias e joanetes e depois de tempos se sentiam livres de dor. Até pés deformados por artrite e dor apareciam curados ao serem tocados por suas mãos. Mas também era mau visto por maridos ciumentos e muitas pessoas descrentes.

Zeca era pessoa calma, bondosa e paciente. Entendia de misericórdia como poucos. Nunca teve curiosidade de conhecer seus pais. Acreditava mesmo que não os tivesse ou os merecesse ter. Seus pais na prática foram as freiras do convento, voluntários da Santa Casa e pessoas de bom coração da cidade. Seus irmãos, todos os outros abandonados, rejeitados como ele.

Teve sua pequena oficina atrás da igreja em cantinho arrumado pela prefeitura e ganhou suas ferramentas do dono da rádio da cidade, seu primeiro freguês. Lá morou e viveu sozinho até se adoecer e não mais conseguir lidar com a bigorna e a turquesa. Suas mãos atrofiaram.

Um dia antes de sua partida para o céu do Senhor Jesus, e ele chorava toda a vez que rezava para Ele e Nossa Senhora Sua Mãe, recebeu uma visita de uma senhora. Logo cedo, já estava na calçada da praça como de costume e ela se aproximou. Ele achou que estava sonhando e não deu de olhos. Sentiu um aroma intenso de incenso de igreja mas não conseguia fixar sua atenção. Ela pousou a mão sobre sua cabeça dizendo:

– Meu filho, vamos agora, chegou a hora de partir e encontrar sua família.

O homem começou a tremer e chorar e tentava descobrir atinando os pensamentos, quem era que lhe falava assim de maneira doce mas firme e então ela mais uma vez lhe falou:

– Sou sua avó meu Zeca querido; estou com você desde o primeiro dia de sua vida aqui nesta cidade.

Zeca chorando compulsivamente, respondeu:

– Mas minha avó, como é seu nome, e minha mãe, meu pai onde estão?

Zeca até então em toda sua vida nunca lembrara dessas figuras e menos ainda que poderia ter uma avó.

– Noêmia e seu avô José, estamos aqui agora para te receber e te levar. Seus pais, você irá encontrá-los quando for do merecimento deles. Fique tranquilo e que Deus o abençoe.

Zeca viveu esse último dia na Terra muito intensamente e foi o mais excitante de sua vida. Seu coração levado por tantas emoções e alegria bateu descompassado e parou naquela noite.  Como ele não apareceu no abrigo, pela manhã o encontraram deitado e no rosto um sorriso, os olhos vidrados como quem vira o passarinho verde.

Essa foi a vida do Zeca, setenta anos de simplicidade, humildade e resignação. Distribuiu amor e caridade. Na verdade retribuiu a caridade e o amor que ele mesmo recebeu apesar da ausência dos pais. A roda o expôs à vida e Deus não o abandonou. Zeca, no seu íntimo, sabia disso.

Quinto Zili

821

Cruz

O tamanho do teu calvário

Revela tua senda anterior

Ou tua entrega ao precário

Do trabalho para o Senhor

 

Dois os meios, uma finalidade

Quem foste no passado

Quem tu serás em verdade

Onde o final não é a cruz do pecado

 

Jesus sim foi à cruz

E demonstrou o bem sofrer

Foi escolha maior, se deduz

Nos ensinou o perdão no limite do ser

 

Se tua cruz é pequena

Calvário é humano benefício

O que importa e vale à pena

Tua ajuda ao próximo com ou sem sacrifício

Quinto Zili

248

 

 

Sorriso

Antipático um rosto

Outro, doce e afável

Uma cara agradável

Outra que só revela desgosto

 

Muitas são as faces

Nem sempre gentis

Talvez muitos disfarces

Angústias em perfis

 

Sorriso de aberto semblante

Nem sempre é alegria

Mas ainda assim alivia

A quem o olhar é desconcertante

 

Exercício de fazer melhorar

No rosto um sorriso leve plantar

O que custa o esforço de demonstrar

Pelo menos educação quando outro lhe fitar

 

Ainda notarás o benefício

Te tornarás mais bonito

Quem te olhar agradecerá tal resquício

Colherás do bem com teu suave fito

Quinto Zili

484

 

Diabo

Pior fantasia do homem

Alegoria da destruição

Que o ser humano veste

Quanto e quando quer parecer a peste

 

Pintam o diabo de vermelho

Quem ele é, o macabro

Onde mora e tal

Longe da casa moral

 

Fetiches e basbaques

Ignóbeis retoques

Quanto mais retratá-lo

Menos se faz destruí-lo

 

No fundo é o mal

Fantasiado de tudo

Passa por bom, por amigo

Deixa o rastro sempre de perigo

 

Espanta crianças, moços e velhos

Existe forte em nossa imaginação

Como figura e ser nada é

Mas como possibilidade é tudo até

 

Se o diabo fosse só o que pintamos

O bem já o teria vencido

É pior, mais forte, pelo fel movido

Feito do mal que nós mesmos praticamos

Quinto Zili

423

Poesia

Leve poesia

Me leva

Me alivia

Me eleva

 

Feito cometa que o céu risca

Arrisca minha alma dura

Me apura, me revista

Depura essa dor que me fura

 

Romanceia minha vida

Muda meu veio

Me torna atrevida

Afaga meu seio

 

Alegra minha tristeza

Poesia riqueza

Atravessa o espaço

Me traz um abraço

 

Quando chegar

Um dia o meu dia

É só me levar

Morrer também é poesia

G.M.

809

Meu teto em Brumadinho

A casa caiu

Foi levada

Lavada, tragada

Sumiu

 

Meu teto se foi

Construção desabou

Nada sobrou

Até morreu meu boi

 

E a plantação

Tudo findou

A lama desolou

Me resta a renovação

 

Mas, de mim, onde estou

O pesadelo é real

Meu corpo também passou

Acho que estou em outro astral

 

Está difícil entender

O que devo fazer

Me socorre meu Deus

E a todos os meus

 

Não sou coitadinho

Não vale assim me ter

E meu teto em Brumadinho

Esse nunca mais irei ver

Quinto Zili

A cadeira de rodas do João

Na cadeira de rodas seguia aquela alma, presa naquele corpo cem por cento deformado. Éramos uma família unida em torno daquele ser que pouco ou quase nada se comunicava.

Nós, irmão e irmãs pouco entendíamos aquela situação. Porque nossos pais teriam gerado aquele ser oblíquo, triste, problema, que só atrapalhava e incomodava a todos. Na minha ideia de caçula aquele irmão mais velho já nascera na cadeira de rodas.

Subimos num ônibus certa ocasião. Papai tirava meu irmão da cadeira de rodas e subia com ele no colo seguido pela família naquelas incursões sofridas. Tudo parava naqueles momentos. Todo mundo dava passagem e atrás seguíamos nós e mamãe. Todos pequenos. Praticamente alterávamos o cenário por onde passávamos.

Naquela tarde havia um médica , não sei bem, uma benzedeira e para longe precisávamos nos deslocar. Só lembro das tristes cenas. Sempre ouvia comentários sobre meu irmão, justo o mais velho, entrevado, retorcido, uma paralisia cerebral grave o assolava desde o nascer, enquanto nós outros três éramos perfeitos, até demais.

Chegamos lá, naquela casa, e aquela mulher me emocionou de pronto. Bastou aparecermos na porta daquela humilde residência, depois de três horas de périplo, e um sorriso que eu nunca tinha visto antes nos recebeu a todos como uma família normal e meu irmão foi recebido como o principal ente da prole. Papai e mamãe choraram do começo ao fim daquele encontro com aquela mulher. Não me lembrava de seu nome, só de seu sorriso e suas palavras.

– Chegou finalmente meu querido João. Como você está bem! Quanto tempo hein, quanto te esperei? Como vão as coisas por aí, e essa família que te recebeu, que benção, que oportunidade para todos. Que linda família você uniu em torno de você meu querido.

Parecia uma conversa fluida. Cada gemido do João, e ele só gemia mesmo o tempo todo, tudo era como um bate-papo e cada palavra dela era correspondida, eles pareciam conversar e se entender num diálogo perfeito. Às vezes ela só ficava passando as mãos no corpo dele como que tirando coisas ou simplesmente aliviando suas dores e seu sofrimento e do rosto de João começaram a brotar lágrimas nunca vistas por nós de sua família. E por um momento achei que via alguém saindo de dentro dele, parecia ele mesmo, eu vi, ele passeou entre nós de mãos dadas com a mulher beijando papai e mamãe, e Lia e Paula que estavam adormecidas  num transe e quando chegaram perto de mim, me deram um abraço que nunca mais vou esquecer. Parecia que flutuavam e chorei até não poder mais. Nossa, meu Deus, que foi aquilo!

Fomos embora de volta para casa na mesma romaria de sempre, toda a dificuldade material que passávamos, mas desde aquele dia muita coisa mudou em nossa família.

Voltávamos quase uma vez por mês à casa daquela mulher e tudo pareceu mudar em nossas vidas. Meus pais aceitaram cada vez mais o João e conversavam mais com ele assim como nós, seus irmãos, aprendemos a respeitar e cuidar mais dele também. Ele dependia de nós mas parece que todos nós é que dependíamos dele na verdade.

Dona Maria era o nome dela. Ela já faleceu e no dia de sua morte o João teve uma forte convulsão que o levou também. Vivemos trinta anos juntos. Nossos pais sofreram bastante,  mas a passagem do João pelas nossas vidas foi essencial para sermos hoje melhores do que antes dele.

      Quinto Zili

805

Boechat

Boechat

Calou-se um certo gênio

A voz sincera, da honestidade já

Não mais ouviremos o generoso Eugênio

Mais conhecido como Ricardo Boechat

 

Muito jovem se vai o querido moço

Jornalista de primeira linha

Da verdade não largava o osso

Radialismo perde o que melhor se tinha

 

Foi do céu que ele caiu

Triste história que se viu

Fez sua própria notícia

News essa que queríamos fake, fictícia

 

Terrível essa fatalidade que nos trava

Voz crítica, bonita e uma risada boa

Um esgrimista da palavra

Ele nunca a usava à toa

 

Se foi Boechat um artista querido

Fácil admirá-lo e acompanhá-lo

Fará toda a falta, crítico destemido

Verdade será sua marca sempre; a guiá-lo

Até logo amigo!

Quinto Zili

 

Sopa

 

Coloqueis tudo na receita

Abundantes ingredientes

Poção de saúde perfeita

Pitadas de vontade apetecentes

Esse prato será completo sabor

Cozido no fogão do amor

 

O jeito de cozinhar é marca

Cada qual tem um estilo e um enredo

Mas pedis por uma sopa farta

Vais ver que a emulsão tem segredo

E cada parte da feitura

Toma aspectos de entrega pura

 

Democrata é a sopa, irreverente

Qualquer acepipe fresco ou bem maduro

Viram quentura de um sabor final diferente

Umas suaves, outras com toque e aroma puro

Faz-se o blend preferido ou um bem requintado

E sopa com pão é essencial, mais queijo ralado

 

No imo desses versos, que importa é o efeito

Mata uma fome e sacia um desejo

Rega uma reunião familiar num alimentar perfeito

Sopa une tudo, ingredientes, calor, para tomar de beijo

Quem faz, quem come ou toma, ninguém rejeita

Quente ou fria, parece mesmo de amor ser feita

Quinto Zili

461

Água

A sede que mata e que desata, prostra e desidrata.

Como a fome que também assoma o homem e consome quase a alma, seca o abdômen e encolhe o ser que a tome.

Água da boa, pura e limpa, da melhor fonte que se esconde no mato e montanha, e brota sem receio de matar a que nos mata, essa sede ingrata e tamanha.

Bica, mina que vira veio, que vira regato, riacho, cascata e rio até chegar num oceano. Água, que sem nenhum plano, conhece todos os caminhos, serve a todos ninhos, até encontrar alguém que a sorva e se alimente, que é líquido do bem até na enchente.

Deus não esqueceu de nada neste planeta e nem a água abundante para tudo e para todos, o mais precioso bem material. Ela é o fluido da vida carnal como o amor o é da vida espiritual. Como todos fluidos da vida, a água se une ao cosmo, ao fluido universal.

Água que, se da mão à boca se evapora, virando a chuva que retorna à Terra e colabora, inunda, também mata e arrebata. Reajusta o equilíbrio e os ecossistemas que o homem vem tratando de desajustar há muita data.

Comparar a água ao conhecimento e se terá a compreensão. Ela sempre aparece e brota num canto e varre tudo em aluvião. Percorre todos os caminhos até se encontrar num oceano caudal, que é pura convergência do conhecimento atemporal.

Quinto Zili

511

Lata d’água na cabeça

Filho no banco de traz do carro, pergunta ao pai enquanto este dirigia:

-Pai, você viu aquela mulher?

Pai meio absorto nem responde, trânsito pesado de cidade grande, cansaço, tinha pego o filho na escola, tarefa que não lhe comprazia tanto.

-Pai?

-Que foi?

-Aquela mulher, como ela consegue carregar aquele saco gigante na cabeça e ainda em cada mão uma sacola grande ?

Pai meio sem paciência e além do mais não gostava de passar naquele bairro pobre …

-Ela é artista, ganha muito dinheiro fazendo isso, tá de boa.

-É mesmo?

Pai queria matar o assunto, com aquela brincadeira de humor tosco e desprezo.

-Mas pai, como é que ela consegue ? não deixa cair nada, você viu?

-É artista!

-Você falou que ela é rica?

-É, tá até se divertindo; até lata d’água na cabeça ela também consegue levar.

-Pai, porque você não aprende isso com ela?

-Pra que filho?

-Daí você não precisava mais ir pro seu trabalho, ficaria menos nervoso, brincaria mais comigo e ia ter bastante dinheiro também pra comprar aquele carrão vermelho que você fala que só rico tem, a Ferrari. Quantas que ela deve ter, né?

No primeiro posto de gasolina o homem para o carro, deixa no abastecimento, sai com o filho e entra na loja de conveniência. Tomam sorvete juntos, enquanto o pai ganhava conveniente tempo. Queria mesmo apagar o recente acontecido. Até estava se sentindo meio mal.

Tempos mais tarde, dois anos depois, o pai um pouco mudado, viaja ao nordeste com o filho e a esposa para visitar a família há muito deixada para trás.

Na pequena roça de sertão, na caatinga quente, pobre e humilde, onde os pais viviam da cana e da mandioca, são recebidos e o menino chora ao ver a vó que chegava ao mesmo tempo, vinda de um nada no meio da poeira com uma enorme lata d’água na cabeça para abastecer a casa de taipa e sapé.

O filho pródigo voltou!

Quinto Zili

792

 

Fama

Que não sou famoso, preciso ser esperto, de levar fama e ganhar cama.

Pois cama, leva o famoso lhe deitar, dela acaba sem levantar, quiçá na lama.

 

Quero só a cama. Dela apear após dormir.

 

E fama?

 

Não…desperto, bem esperto, de pé, sem lama.

 

Não…quero só o simples, quero meu filtro de barro, de água fresca bem farto… e luz amarela a lumiar meu quarto.

 

Quinto Zili

784 b

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Correr

Hábito que cura

Descende do caminhar

Excede mais de um limiar

Tem mais pegadura

 

Há  que se ter preparo

Constância e persistência

Desistir não é raro

Sucumbir é má experiência

 

Correr é viciante e traz hormônios do bem

Bichinho te fisga constante e além

Quem começa dificilmente para mais

Começa uma relação de bem estar aliás

 

O peso, inimigo maior; cuidado

Se forçar sem adequar é sinistro

Dieta adequada, bom sono, melhor aliado

Qualquer problema vascular deve-se buscar registro

 

Há que ser meio, não fim

Competições desnecessárias, mas estimulam sim

O que mais importa mesmo é que correr te melhora

Alivio ao espírito e respeito ao corpo como nunca outrora

Quinto Zili

441

Começo

Iniciar e quebrar toda inércia

Ponte a ser construída

Pensando em sair do fim que começa

E tudo espantar que te impeça a saída

 

Bloqueios de vida, quem para, se entorpece

Se for só intervalo cuidar que não dure

Recomeça o trabalho que te enobrece

O tempo não para, melhor te apure

 

O duro começo em tudo é difícil

Mas busca coragem, desejo e vontade

Não se atrapalhe, começa no ceitil

O primeiro passo é quase a metade

 

Ouvir o chamado é de bom alvitre

Não pense que algum dia esteve sozinho

Há sempre um amigo, não recalcitre

No enlevo de ser pioneiro mesquinho

 

Para o início se dar, se coloque humilde

És engrenagem do todo e não podes falhar

Postura de trabalho só terás se te lides

A ele se entregar, se forjar para amar

 

Começar é amar. Trabalhar com Jesus.

O chamado é Dele, que te conduz

Quinto Zili

173

Alimento

 

A gente caçava para comer

E se defendia para não virar comida

Não era fácil sobreviver

Pois tudo era risco em torno da vida

 

Bem antes do fogo, a vida era dura

Inverno se morria de frio e de fome

Caverna era única morada segura

E o verão era mais suportável ao homem

 

Sentimentos eram ainda porto incerto

Alimentos, a batalhar todo dia

Não se contava com amigos por perto

Tudo era busca, tudo utopia

 

O espírito demorou a ser imaginado

E o alimento era mesmo para o corpo material

Demorou o homem a se ver do outro lado

Mas era puro, consciência construindo o ideal

 

Hoje temos o alimento sobre a mesa

Podemos comer voltados à saúde

Para o espírito já temos nova certeza

O alimento é a moral, amor a virtude

Quinto Zili

138

Tempo

 

Galhardia de um ser

Coragem de viver

A fagulha do dever

Aponta o rumo do querer

 

Não ter impulso

Fraco o pulso

Inacabada obra legada

Fato e memória roubada

 

Se deixou para trás

Se quis roubar o tempo

Volúpia do antrax

 

Pouquidade e traição

Com Deus e nosso Mestre atento

Assim se fez o turbilhão

A.Q.

648

Ego

 

Assim se houve

Acontecido

Trágico e entorpecido

A quem o mal se aprouve

 

Outras vidas como aconteceu

Se veio à luta

Para uma prova ininterrupta

Tentames funestos no que se deu

 

Sensações estranhas

Um ego denegado

Exação nas entranhas

 

Ah! que dificuldade

Viés escancarado

Minh’alma em tempestade

A.Q.

 

650

Até o último homem

Até o último homem

(“Hacksaw Ridge”)

Ver esta película forte

Nos expõe aos horrores da guerra

Imagens chocam e nos ferem à morte

A luta de seres, o mal que lhes encerra

 

Mas havia um soldado, Desmond Thomas Doss

Cuja fé levou como única arma, a que não falha

Missionário naquele momento atroz

Resgatou seus pares e até inimigos na batalha

 

Uma história do bem contra o mal

Como estar numa guerra esquecendo o egoísmo

Como fazer caridade em meio a condição brutal

Servindo a Deus no pior cenário, no fogo o batismo

 

Uma bela narrativa, que ali se viu real

Parabéns ao diretor mesmo pelas imagens de choque

Melhorou Mel Gibson, adoçou o mal

Mostrou o bem em ação, até o fuzil de reboque

 

Não vi o filme pela guerra, é evidente

Vi o exemplo de um ser e a caridade em ação

Passo mal só de ver arma, quanto mais tê-la na mão

Vi a vida em tantos conflitos da humana mente

 

Há bons filmes, mesmo os sobre guerras

Frentes de batalha e horror

Qual nosso dia a dia em qualquer terra

Mas há amor e fé, que sempre aliviam a dor

Quinto Zili

770

Sorte II

 

Prêmio à dedicação

Como também a dirão

Sopro de Deus na vida tua

Como que mais

Ungido pela Lua

Ajuda mágica ademais

 

Sorte pode ser tudo

Até falta de azar

Mas o que mesmo é

Na real, só o colher do plantar

 

Colheitas desta vida

De vidas passadas

Refletem a ação

Na forma da reação

 

Sorte não é algo a mais

Pois nada é por acaso

Experimenta começar a fazer só o bem

Muito menos mal sofrerás também

 

Sorte não é luxo

Loteria não é sorte

Pode até ser infortúnio

Espreita do lobo em plenilúnio

 

Queira estar sempre em sintonia

Pense na sorte de havermos Jesus conosco

Nosso planeta Terra ainda em distonia

Esse sim, sem Ele, um universo tosco

Quinto Zili

521

 

 

 

Reclamação

 

Não queria de um jeito

Nem de outro tampouco

Só reclamou do feito

Parecia um louco

 

Tanto exigiu; se refez

Quem entregou se esmerou

Ainda assim se frustrou

Não satisfez o freguês

 

Tanta reclamação

Exagero do cliente

Virou insatisfação

Frustração do atendente

 

Ficou incompleta

Relação inconclusa

Vida, dessa situação repleta

Muita exigência confusa

 

Vaidade, quase esbulho

Apogeus de orgulho

Distante humildade

Exigente se perde em sua realidade

 

Mas esse é só um ponto de vista

Vai que alguém conteste tal tese achista

Dê razão à exigente reclamação

Coitado então do atendente desse balcão

Quinto Zili

764

Vagas

 

Não temos vagas para santo

O anúncio estava na porta do céu

Virou-se o ateu com cara de espanto

Estou na porta errada, mundo cruel

 

Quis chamar alguém acima

Mas não iria blasfemar como bom ateu

Sentiu um certo clima

Que alguém lhe ouvia, mesmo assim não creu

 

Não queria ser santo, só queria entrar

Mas porque o aviso justo a ele estranho

Abriu-se a porta e de puro espanto

Havia muitos amigos e nenhum santo

 

Amigos do bem a quem sempre respeitou

Parentes queridos, olhares generosos

Gente que o respeitava, a quem sempre cuidou

Mas nem o tal ser supremo,  nem santos famosos

 

Todo bem que fez  em vida o lado de lá já percebia

Sem saber porque mas sempre  fez como amor

De repente tudo parou e a todos uma luz invadia

Ser superior surgiu trouxe a todos uma flor

 

O amigo recebeu uma especial das mãos daquele senhor

Nosso Pai te mandou receber a entrar e te dar este presente

Foste um filho exemplar e cuidou de muita dor

Ele viu lhe falavam de Deus, mesmo que foi irreverente

Quinto Zili

201

 

Ruas

Foram de barro

De pedras

Depois asfaltos

Hoje o chão dos autos

 

Das infâncias lembranças

Peladas com bolas de pano

Descalços éramos liberdade

Pés nas ruas sem vaidade

 

Hoje corremos

Maratonas fazemos

Por esporte ou trabalho

Ruas cheias de atalho

 

A vida elas cortam

Enchentes as devoram

No calor almas as repletam

No frio viva alma as secretam

 

Nosso irmão maior Jesus as usava

Por onde andou, ruas por onde orava

Pregava ao mundo enquanto nelas

Ruas e vielas foram seus templos e portelas

 

Nada a negá-las

As ruas são belas

O povo enriquece esses caminhos

A vida faz delas seus grandes ninhos

C.A.

710

Pão

Que nunca nos falte

E a ninguém se negue

Que cada um se fortaleça

E o pão da vida lhe abasteça

 

Fome nos consome

Injustiça entre os homens

Aqueles que privam seus irmãos

Se corrompem pelas mentes e mãos

 

O administrador que falha

O trabalhador que atrapalha

Um manda errado

O outro a tarefa deixa de lado

 

Todos querem o pão

Por vezes até enlouquecem

Lutar todo o dia sem amor no coração

Ferir as leis do Pai lhes acontecem

 

Sem plantio do trigo não haverá pão

Sem moral elevada não há plantação

Que colheita se espera

Escassez na nova era

 

Nem o pão do trigo

Nem o pão da alma, o abrigo

Sem Jesus no coração

Misericórdia divina será só provação

Quinto Zili

715

Fome

Alguma comida sempre tem

Por caridade se consegue

A fome aplacada num vintém

Bucho vazio não prossegue

 

Difícil matar essa fome

Quando vem do coração

A cabeça vira estômago sem pão

Alma que não dorme

 

O sono engana a noite

Corpo vira zumbi

Fome de amor é açoite

Sem paz se pode sucumbir

 

O alimento é o rogo atendido

Com bom tempero a esperança cresce

Daí vem de Jesus o cozido

Servido no prato da prece

 

Cada qual pede o que precisa

Mas se sabe o que Deus provê em amor

Se for prova, coragem e a utiliza

Se for alívio, agradece o passar da dor

Quinto Zili

732

CEIA

Hoje é dia de véspera com ceia natalina

Quando o dia brilha e a noite se ilumina

Que assim feitos nos mostram de onde vem a luz

Senão de quem, do maior, de Maria o Filho Jesus

 

Eis que nos emocionamos muito

Queremos ser diferentes, mesmo que só no intuito

Daquela cruz temos pouco conhecimento

Jesus nos mostrou o amor em puro ensinamento

 

Que Ser foi Aquele, iluminado

O Filho maior do Pai maior

Sua festa amanhã, o dia mais esperado

 

Ele Jesus no entanto nos lembra diariamente

Natal tem que ser o dia a dia melhor

O bem conduzindo ao amor, o verdadeiro presente

Quinto Zili

Controle

Quem controla a Natureza

Um único Deus, na leveza, na beleza

Não o homem carnal

Não o homem espiritual

 

Em verdade abusamos

Nos descontrolamos

O supérfluo se tornou essência

Até o mau uso se faz da ciência

 

Ilusão de termos o controle

Enquanto o caos emerge do nada

Um dia se entorna o bule

Tragédias sem hora marcada

 

Daí nos surpreendemos

A Natureza culpamos

Do todo pouco entendemos

O caldo da vida sequer saboreamos

 

É o aprendizado no limite

O Pai e o Mestre nos aguardando

Enquanto a Natureza nos permite

Ousarmos destruí-la, mesmo ela nos educando

Quinto Zili

748

Esperânsia

Sem como encontrar

Não tem no dicionário

Não carece procurar

Falta no vocabulário

 

Teria um amplo significado

Esperânsia uniria esperançosos e aflitos

Os que velam pelo esperado

E os ansiosos convictos

 

Sim, quem de nós não é assim

Digamos que a maioria

Ansiedade complica enfim

Só esperança, de todo, não traz alforria

 

Não se critique a esperança

Que muita vez é crença e fé

Melhor quando estimula confiança

Que só o trabalho traz sem dar ré

 

Ânsia ou ansiedade

Quando nelas se opera

Traduzem angústia ou até vaidade

Humildade, combate a depressão que desespera

 

O humilde, leia-se, não o pobre

Aquele que trabalha sendo eterno aprendiz

Não o faz só pelo soldo, que não falta ao nobre

Sim, entende o valor do fazer e sabe ser feliz

Quinto Zili

749

Sorrir

Alegrando o dia

Logo cedo

Sem apatia

Sem medo

 

Temer o quê

Se podes sorrir quando quiser

Sofrer porque

Se a vida é o que dela fizer

 

Tristeza bate de surpresa

Alegria foge, simula pobreza

Um sorriso espanta a aspereza

Questão de segundos volta a beleza

 

É a roda gigante brinquedo

A gangorra da vida à mão

Embaixo se passa segurança sem visão

Por cima é vislumbre, excitação e medo

 

Sorrir é mais fácil que chorar

Menos músculos na face a usar

Melhor chorar de alegria

Mas sorrir é o que mais contagia

Quinto Zili

547

Outros

Alguém pede esmola

Tu pedes ajuda, implora

Vem por qualquer lado

Parecem chamado velado

 

Teia da caridade

Como funciona de verdade

Um ao outro ajuda oferece

Na tua vez , te emudece

 

Outros é ampla figura

Tu e eu, claro, o somos

Ao Pai, outros é filiação segura

Misericórdia suprema, aceita o que somos

 

Tratar irmãos como outros é pouco

Gritar contra isso até ficar rouco

Amor é dosagem de remédio  ou placebo

Para tu que doas  e para mim que recebo

 

Caridade não exige d’outros se mostre a face

Não tem cara nem idade quem doa

É casamento do bem sem enlace

É amor que move a popa ou vem de proa

Quinto Zili

735