Cego,220

Cego

Tempo faz que tempo voa, da minha janela vejo que o sino soa, mas fico à toa se não vejo o céu, parece que sou cego, no meu olho um véu. Me apego no que não me torna morto, ou nego, não me quero torto, e saber que só sou cego quando quero, ou no aborto de quando me altero.

Viver não é fácil não. Ser são é bom, mas na verdade, de antemão, o melhor mesmo é ser sem defeito e dar-se um jeito de bater no peito e dizer sou bom de alma e não só do que sou feito. Deus me fez todo perfeito, mas sempre causo efeito, ousando no desrespeito a esse Pai que me deu o leito. E o pão a que tenho direito é feito tudo para que eu seja bom e perfeito.

Se eu fosse cego do meu corpo, talvez desse mais valor, pois quando se nasce torto tudo parece morto e só cabe mais esforço para fugir da dor.

Se a vista fosse zero, podia dizer o que mais quero e sentir pelo amor sincero que continuo filho do pai e, uai, que bom foi só a vista que não tenho mais e seguir com empenho pela pista que um dia tudo vem pelo esforço da conquista.

Quinto Zili