Calma

Quando tudo para
Se tudo para
Porque tudo para
Então calma
 
Os dias continuam
Com vinte quatro horas 
As noites permanecem escuras
Tenhamos calma
 
Sobra tempo na verdade
O mesmo que antes faltava
Onde está a pressa da humanidade
Por isso, calma
 
Tudo desacelerou em realidade
E a natureza manteve seu curso normal
Talvez agora quebrou-se a ansiedade
Ajamos com calma
 
Qual será o retorno ao normal
Do ritmo alucinante do corpo e da alma
Mas a natureza não mudará e continuará igual
Precisaremos aprender com ela, pensar com calma



1208

Feliz

É quem consegue sua noite de sono
Plena, descanso, paz
É quem trabalha até o pôr do Sol sem dono
Consciente de todo o bem que faz
 
É no caminho que se encontra
Felicidade não é um destino
Há muito que se levar em conta
Vem de Deus o ensino
 
Como ser feliz
Sem só o buscar
Como o ditado que diz
A borboleta é que escolhe seu pousar
 


1383

Pendor

Certos traços
Da nossa alma imperfeita
Mais parecem laços
De velha trama refeita
 
Como os vícios
E as más tendências
Donde vem tantos resquícios
Nos impregnam tantas latências
 
O pendor de cada um
Ou mesmo os vários
Tem real explicação comum
Livre arbítrio dos reencarnacionários


1369

Liberdade

Portas abertas
Deixaram flancos no passado
Como o ser questionado
Julgar das mazelas encobertas
 
Transparece aqui nosso ser
O carvão virou cristal
Alma virou espírito como tal
Aflora o eu do agora ver
 
Descoberta a verdadeira vida
Que não se via simplesmente
Os destroços da alma recolhida
 
Liberdade antes que tardia
Que aprisionou o renitente
Agora a consciência que o alivia
 
A.Q.


651

Amor

Amplitude de uma palavra
Nos domínios do sentimento
A caridade na origem da lavra
O todo como seu complemento
 
Do mínimo ao mais amplo
O ar do aroma do campo
Como em astral celestial
Desde sempre elemental
 
Nada existe sem
Conserta o mal
Sinônimo do bem
Só o amor tem esse sinal
 

1321

Dores

Vasos bem plantados
Sementes de boas flores
Regadas com cuidados
Porque colher dores
 
A terra era de qualidade
O tempo ajudou
Havia oportunidade
De olhar o que plantou
 
As dores do passado
Não voltam iguais
São flores de um legado
Que teu espírito plantais
 
Aprendeste muito com elas
Marcaram fundo em raiz
São ajudas hoje que apelas 
Do teu ser, forças de aprendiz
 
Agradece as dores ao Pai
São os caminhos que encontramos
Sofrer não é regra, nem cai
Na cabeça, se não a semeamos

247

Casamento

Foi quando aconteceu
Um elo se fechou
União se completou
Casamento, ao namoro sucedeu
 
São ciclos que se repetem
Materiais, mas espirituais
Na vida prevalecem
E seguem contratuais
 
No entanto há separações
Almas em evolução, distratos são realidade
E são como provações
Soluções à bem da verdade
 

1354

Beleza

Não se põe à mesa
Conta o dito popular
Qual efêmera riqueza
Beleza enfeita o olhar
 
Que vem a ser
Mais que a aparência
O belo todos podem ter
Só depende da referência
 
O que é mais belo que o amor
Que cura doenças e absorve a dor
O que é mais belo que o bem
Que nos trouxe Jesus e não o nega a ninguém


1345

Preço

Bem se sabe desde o começo
Qual a diferença
Valor não é preço
Preço é recompensa
 
Quanto se pode pagar
Quanto nos custa o comprar
Preço é pelo exterior
Valor é pelo interior
 
Bom entender o essencial
Valor é falar da moral
Preço é recurso de se pagar
Valor, capacidade de se doar


1303

Diferenças

Graças a elas
Ou por suas existências
Diferenças é que são belas
Exceções ou excelências
 
Somos sim diferentes
Mas iguais perante às leis naturais
Humildade e caridade seriam mais presentes
Fôssemos menos materiais que espirituais 
 
O benefício das diferenças
Pois divergimos em crenças
Mas nos unimos em Deus pela fé
O Único que sabe quem cada um de nós realmente é


1315

Pais

Em tempos como estes

Difíceis de pandemia

Estar com o pai é uma benção

É tudo que se queria

 

Lembrados e amados

Em pensamento ou em companhia

Nossos pais são alquimia

Relações de carinhos trocados

 

Onde estejam

Em espírito ou cá por perto

Que todos sejam

Abençoados por Deus, o Pai certo

Dias dos Pais Poesia Francesca 2020-08-09

Francesca,  10

Última

Quando se espera

Na fila da vez

E a providência opera

A demora tem seus porquês

 

Quem chega primeiro

Tem sua razão

Tanto quanto o derradeiro

Que aguarda na última posição

 

Segundo nosso Mestre na bondade

O último será o primeiro

E o menor será o maior em verdade

Lições de humildade e amor verdadeiro

 

1305

Cedo

Acordado

Pronto, de pé

Rosto lavado

Não volto à ré

 

Novo dia

A vida já acordou

Isso me alivia

A morte não me levou

 

Não que eu dela tenha medo…

No fundo muito a respeito

Tenho medo só de dor no peito

Caso esse venha a ser o meu enredo

 

Hoje acordei ainda mais cedo

Gosto muito de minha vida

Realmente não tenho medo

Acredito em Deus, em Sua misericórdia sentida

 

1106

 

Tinta fresca

Aquela casinha

Bonitinha

Da vielinha

Pequenininha

 

Acabaram de pintar

De reformar

Nova gente vai a ocupar

Novos donos a usar

 

Tinta fresca, o aviso

Cuidado

Mas nada foi feito de improviso

Projeto esmerado

 

Minha alma também precisa

Reforma e completa pintura

A condição em que está sinaliza

Talvez até mexer na estrutura

 

Tinta fresca, no coração

Sincera reforma concluída

Sob nova direção

Minh’alma reerguida

 

1100

 

Mundo

O quanto conhecemos

O quanto saibamos

Por mais que imaginemos

Por mais que queiramos

 

O que nos é dado saber

Não só para nos entreter

Pois se há um infinito ao olhar o céu

Não há imaginação a desvendar esse véu

 

Há um infinito a se descobrir

Há vários mundos a se procurar

Não parece só um universo a existir

As muitas moradas do Pai a se habitar

 

Incontestável nossa pequenez

Se a Terra é um grão de poeira nas galáxias

O que cada ser de nós será por sua vez

Nossas relativas importâncias parecem falácias

 

Só há uma explicação para tudo isso

Um Deus único que rege tudo por amor

Vivemos ainda na ignorância em rebuliço

Cada um em seu mundo e com sua dor

 

1093

Erros

São ruins e indigestos

Do próximo e os nossos

Como atos desonestos

Nos traem os passos

 

Voluntários ou não

Se repetem e são muitos

Estão sempre em nosso porão

Erros medidos ou fortuitos

 

Que saibamos reconhecer

Quando um deles acontecer

O melhor é se arrepender

Com todos eles se aprender

1295

Espíritas

Todos que creem nos espíritos.

Que entendem o que os espíritos do bem e os espíritos superiores nos disseram no passado e continuam a nos dizer ainda hoje.

Sem dogmas.

Sem mitos.

Sem mistificações.

 

O Espírito da Verdade nos trouxe o Evangelho, desde Jesus.

Deus é o bem maior. O amor supremo.

 

Espíritas são todos aqueles que praticam o bem.

Cristãos ou não.

Ateus ou não.

 

Espíritas são todos aqueles que ouvem ou assimilam as inspirações do bem, do amor e da caridade.

 

O bom espírita é o que não contesta a religião do outro.

 

Kardec codificou a obra e as mensagens evangélicas.

 

Jesus muito antes nos trouxe a prática, além da teoria. Há mais de vinte séculos.

 

Espírita é todo ser sensível desse planeta.

 

Só há uma religião a ser seguida, a da caridade, da compaixão, e da bondade entre o seres humanos dentre todos os povos do planeta Terra!

Quinto Zili

1184

 

Aperto no coração

Dessa vez ele bateu forte

Veio no coletivo

Nem azar nem sorte

Para todos e pouco seletivo

 

Aperto no meu coração

No teu; nos nossos

Sem sofrimento vão

Pelo mundo rastro de destroços

 

Milhões de doentes

Distantes de seus parentes

Óbitos às centenas de milhares

Cenário que pasma os olhares

 

Aperto no coração

Tristeza e calamidade

Renasce a solidariedade

Homem na Terra em provação

Quinto Zili

1224

Mãos

Que dão equilíbrio

Dirigem os braços

Tateiam um livro

Nos abraços, os laços

 

Mexem em tudo

Fuçam, cutucam, espalham

Deslizam sobre tudo

Mãos soberanas que falham

 

Cumprimentam ou desprezam

Quando frias incomodam

Quentes inflamam

Juntas punem ou aprovam

 

Os aleijados podem não tê-las

Ou só não é possível vê-las

Deus nos cria espíritos perfectíveis

Nossos corpos, veredas susceptíveis

 

Mãos fazem e desfazem

Constroem

Destroem

No bem ou no mal se comprazem

 

Mãos refletem a alma

Fazem o que são comandadas

As de Jesus só expressavam calma

As nossas ainda precisam ser educadas

Quinto Zili

1084

Avião Brasil

2020 bem se iniciava

Decolava o avião

Quase 210 milhões a bordo

Chegamos a sair do chão

 

Seria uma boa viagem

Pouca emoção nem vertigem

Eis que algo acontece

Uma tormenta do nada aparece

 

O Avião Brasil acusa pane rapidamente

Tempestade deixa a tripulação doente

Quase em velocidade de arremeter

Termina o avião no solo em arrastado sofrer

 

O Brasil parou de repente

Por Deus não morreu tanta gente

Pelo desastre que foi sofrido

Só restará outro avião a ser construído

 

Parábolas à parte

Metáforas intrigantes

Um vírus caindo aviões com arte

E um futuro melhor modificará o dantes

Quinto Zili

1206

 

Poucos

Na bondade

No bom coração

Na boa intenção

Na caridade

 

São poucos

Contam-se

Tidos como loucos

Doam-se

 

Caminha a humanidade

Pelos vícios à larga porta

Longe da porta estreita da humildade

Moral ainda torta

 

Mas chegaremos lá um dia

Como parecendo alquimia

Não necessários muitos tiros

Só a eficiência de um bom vírus

Quinto Zili

1192

 

 

 

 

 

 

Vírus

Ainda que do mal pareça

Tem seu lugar devido

Na natureza nada que aconteça

Foge do divino ideal perseguido

 

Um vírus não é diferente

Mutações são evoluções

Os seres em adaptações

Seguem padrão exigente

 

Os porquês são infinitos

Não entendemos a dinâmica ínsita

É mister de superiores conflitos

São ajustes da balança intrínseca

 

E tudo se dá para o bem

Nada disso é obra do mal

A colheita não libera ninguém

Vírus é meio, não o vilão letal

 

Os vírus nos corpos materiais

Morrem por anticorpos ou antivirais

Os vírus da alma de nós mortais

Não se curam com antialmas, só com reformas morais

Quinto Zili

1185

O Bom Conselho

Veio ao meu encontro

Se fez presente

Um tanto insistente

Mas eu não estava pronto

 

Por mim mesmo talvez

Me impediam o orgulho e a vaidade

Ainda não enxergava a verdade

Não o ouvia e não lhe dava a vez

 

E o Bom Conselho não desistia

Insistia

Quase todo dia

Porque eu  fingisse que ele não existia

 

E então aconteceu

O Bom Conselho desapareceu

Eu não entendi mais nada

Pensei; assim é a quem Deus desagrada

 

Nada disso porém

Na verdade fui eu que morri

Fechei um dia os olhos e não mais abri

Só acordei muito tempo depois no além

 

Vaguei, vaguei e vaguei

E quando acordei havia só escuridão

Rezei, rezei e então implorei

Gritei com todas as forças do meu pulmão

 

Senti por fim alguém se aproximar

Tocou minha face chorosa e sofrida

Abriu meus olhos para que pudesse enxergar

Estava ali o Bom Conselho, de novo a me mostrar a vida

Quinto Zili

1180

Dinheiro

O que falta à muita gente

Quase o lugar comum

O quadro abrangente

Às vezes sobra a outro ou um

 

Dinheiro é essencial

Para a maioria

Nesta vida material

O papel pintado da alegria

 

Vindo do trabalho é conquista

Justo e sem prejuízo de ninguém

E porque Jesus não o põe no topo da lista

Sua fortuna é o amor, não o valor do vintém

 

Dinheiro não traz felicidade

Nem a compra, nem dela nos aproxima

Dar do que não sobra é prova de caridade

E a sua falta é expiação que ensina

 

Só é bom o recurso que circula

Seu acúmulo é como água parada

No fim dá bicho, mata e anula

No plano espiritual dinheiro não vale nada

Quinto Zili

1166

Folia

Quanta alegria

É carnaval

Quanta folia

Multidões brincam no plano carnal

 

Será que tem também no céu

Quem sabe dizer

Como se levanta o véu

É difícil de conceber

 

Tudo é padrão vibratório

Onde o espírito não é transitório

Parcial é a vida carnal

Por isso na Terra tem carnaval

 

Não há comparações

Nem semelhanças

Há alegria e tristezas em vibrações

Sintonias determinam alianças

 

Há quem goste do carnaval

Mas há outro tanto que não faz questão

Também não é luta do bem e do mal

No mais é não esquecer o ensinamento cristão

Quinto Zili

1160

Pati

Hoje é festa no coração da amada

Minha querida, meu amor

Mais um ano juntos na jornada

Os espinhos só protegem a flor

 

Você é minha poesia

A que eu não preciso escrever

É a minha doce teimosia

Meu coração bate ao teu perceber

 

Felicidades minha Pati linda

Vamos juntos continuar

Com nossa Francesca bem-vinda

Para nos atestar o maior amar

 

Te quero muito feliz

Não só hoje mas sempre

Somos um do outro aprendiz

Deus te abençoe o ser contente

 

 

Silêncio

A máxima é que é uma prece

Que por esforço se estabelece

Placas avisando e tudo mais

Por vezes ter que se pedir aos demais

 

Em tumultos não tem como

Só se o silêncio for interior

Que é hábito difícil no extremo

Não embarcar a mente no mundo exterior

 

Não é fácil para a maioria

Silêncio é como o ar que se respira

Não pode faltar a ninguém

Tampouco ser privilégio de alguém

Quinto Zili

1150

Guilherme

Oi Gui, querido filhão

Hoje é dia de tua comemoração

Dia de celebrar

Do teu nascer despertar

 

A vida te trouxe a nós

Teus pais em família

Recebemos teu sorriso e simpatia

Teu olhar azul de príncipe que desafia

 

É um trabalhador fiel

Um guerreiro de muitas  batalhas

Para mim um Guilherme Tell

Sincero, íntegro e honesto, no mundo de almas falhas

 

Parabéns filho amado

Por este e todos anos anteriores

Desculpa o pai por ser tão calado

Que te ama quieto e sente tuas dores

 

Continua na busca do amor

O verdadeiro e o inteiro

Amar também é conhecer a dor

Na vida nem tudo é passageiro

 

Cuida do corpo e da alma

Ouve teu espírito contigo falar

Até a ansiedade encontra a calma

Mazal Tov, quero te desejar

Pai

 

Rua

O bom endereço

De uma boa casa

Mas pode ser só um destino

De quem não vive e a vida arrasa

 

Sendo rico ou sendo pobre

Cada qual tem sua rua

Com teto ou mal se cobre

Vida doce ou nua e crua

 

É o próprio universo

Por onde passa muita gente

A rua é do poema o verso

Rima da vida o lar ausente

 

Mesmo escura a rua acolhe

No fim para muitos vira solução

Sem saber do mundo ela recolhe

Quem perdeu tudo, inclusive a ilusão

Quinto Zili

1146

A couve da briga

Provocação houve

Por causa de uma couve

A mais bonita da banca

Ali começou altercação franca

 

Houve forte disputa

O maço era da manteiga gigante

Virou palco de quase luta

Imagine a cena de briga ofegante

 

Duas senhoras madames

Desceram de seus altares

Viraram velhacas infames

Como nas brigas de bares

 

Bastou o olhar sobre a couve bela

Uma a quis, mas a outra avançou

Inevitável, o maço se partiu na querela

Das lindas folhas pouco mesmo sobrou

 

Então a couve prêmio não ficou de ninguém

O dono da banca no prejuízo restou

A coitada da couve para o lixo foi também

A feira parou e as briguentas a polícia levou

Quinto Zili

1136

 

 

 

Luxo

Falar sobre o luxo

O tal que muitos querem

Enquanto outros não tem nem pro bucho

Assim que os seres, entre si, se ferem

 

Ostentação ou poder

Ou só um certo luxo

À guisa do prazer de se ter

Que acaba gerando mais empuxo

 

Sanha e ânsia

Acumular não basta

Ouros e brilhantes em abundância

Tudo que da moral se afasta

 

Que dinheiro chama dinheiro, se falar

Como também é rio que corre pro mar

Quem nasce virado pra Lua

O luxo é no material que se situa

 

E onde fica tudo isso na nossa moral

Em nossas vidas, o lado espiritual

Se nada levamos desse luxo material

Que lá atua como peso na casa mental

 

Quem está à serviço do materialismo

Que quando morre requer imediatismo

Só que não, na pátria do céu, só o amor tem vez

O luxo lá não existe, onde só fica se mereceis

Quinto Zili

957

Calma

É muita pressa

Corre-corre sem parar

E cada vez mais depressa

Quase sem tempo para pensar

 

Hoje a vida parece que está desse jeito

Se não postou o que se viu

Então não se existiu, pois ninguém curtiu

Sem post no face ou insta, é como não se tivesse feito

 

Ou então é tudo urgente

Para ontem

E todo mundo virou cliente

Ou nem me contem

 

Ora ora, minha Nossa Senhora

Onde está a calma

Porque tanta tensão se aflora

Cadê a paz da alma

 

Com certeza estamos muitos de nós a confundir

Ter urgência não é tudo fazer com pressa

Ser importante não é o essencial do existir

Informação abundante não é aprender depressa

 

Por verdades se plantam falsidades

Leitura de tweets fakes, mas livros viram raridades

Estudar e aprender exigem calma e persistência

Internet se usa por necessidade e não por opulência

 

Confundir redes sociais com sermos sociais

Calma!

Quinto Zili

1091

Ceia

Hoje é dia de véspera com ceia natalina

Quando o dia brilha e a noite se ilumina

Que assim feitos nos mostram de onde vem a luz

Senão de quem, do maior, de Maria o Filho Jesus

 

Eis que nos emocionamos muito

Queremos ser diferentes, mesmo que só no intuito

Daquela cruz temos pouco conhecimento

Jesus nos mostrou o amor em puro ensinamento

 

Que Ser foi Aquele, iluminado

O Filho maior do Pai maior

Sua festa amanhã, o dia mais esperado

 

Ele Jesus no entanto nos lembra diariamente

Natal tem que ser o dia a dia melhor

O bem conduzindo ao amor, o verdadeiro presente

Quinto Zili

Serra do câncer

Serra do câncer

Tem cura

Tem salvação

Depende da posição

Quando e quanto se apura

 

Quanto dele se fez

Quando começou de vez

Onde a alma doente o esconde

Que fizeste a ti? ele que te responde

 

Câncer que vem de dentro

Não se pega mesmo de fora

Efeito que se lhe dá causa e casa

Somatização em muito que o embasa

 

Dele não se escapa

Contra ele muito se luta

Se é só a carne que labuta

Mais demora o que lhe trata

 

Só a alma pode com ele

Se mudar o tom e o diapasão

Contestar a revolta e a reclusão

Buscar antes a causa raiz profunda dele

 

Alijá-lo do espírito

Por curar no períspirito

Profundas razões o trouxeram para fora

Íntimas reformas são que o levarão de vez embora

Quinto Zili

625

Árvore

Árvore

Plantemos ao menos uma

Num vida inteira

Árvore que ao Sol se apruma

Desde a sementeira

 

Cuidemos de um canteiro

Dele por inteiro

Uma obra de cuidado

O desejo de deixar um legado

 

Assim como quem nos cuida

O zelo pelo bem estar

Quem maneja a seiva fluida

Que nos permite a vida aproveitar

 

Uma árvore é vida em festa

Somos todos como a floresta

Pulsamos na Terra e no astral

Somos menos matéria e mais espiritual

Quinto Zili

1022

 

Sempre

Sempre

Além de o Nunca  sempre contestar

Afiado e seu maior contrário

O oposto que também tem salário

Tão velho quanto, sem nunca caducar

 

Nada de inimizades nem alardes

O Sempre é o perfeito bom senso

Em geral nos traz oportunidades

O Nunca é sempre muito intenso

 

Servem um do outro como contraponto

Mas não se negam em público assim

Nem se entregam um ao outro no entanto

 

Temos ambos a nos ajudar quando reconhecer o bem

E o Nunca será sempre do Sempre afim

O mal nunca vencerá o bem, que vai sempre além

Quinto Zili

1078

 

Pouco

Quanto

Mais

Menos

Entre tanto

 

Com tanto

Meio cheio

Meio vazio

Por tanto

 

Não é muito

Vale o intuito

Parece oco

Parece pouco

 

Sentimento

Puro

Sofrimento

Duro

 

Leve ou pesado

Como jugo

Mas muito julgo

Meu ser, lesado

 

Pensar louco

Falar mudo

Amar pouco

Faltar tudo

Quinto Zili

1056

Nome da flor: Vida

Toma essa flor pra ti minha irmã, meu irmão; ela se chama Vida.

Percebe seu perfume.

Todo dia de manhã te acordarás lembrando como é o sentir o aroma bom da Vida.

Seu caule fino onde a seguras pela mão é cheio de espinhos, porque é de sua natureza,  mas isso não diminui em nada sua beleza.

Se achar difícil segurá-la lembra-te que só há um jeito, com suavidade e firmeza, com certeza junto ao peito.

Onde tuas mãos a tocarem ela sentirá tua intensão, e se for com pensamento firme e com amor, cada espinho se transformará e te mostrará como seu caule é gostoso de segurar, sem dor.

Suas pétalas, essas se abrem todo amanhecer e só se fecham ao anoitecer ou se você optar pela tristeza. Isto mesmo, teu olhar para ela é que a alimenta com certeza.

Regue-a sempre com a água da paz do teu coração e adube-a sempre com o sorriso do teu olhar como oração.

Aceita essa flor com o nome Vida como meu presente. Cuide bem dela como se fosse o último que você fosse receber. E acredita que essa Vida te trará sempre algo melhor ao teu ser.

E sua beleza será tanto maior e imensa se ao plantá-la no teu jardim deixá-la próxima de outras, mesmo de crenças diferentes. Ela irá se sentir bem e terá a sombra das maiores e fará sombra às menores nascentes.

Tome essa Vida como tua  daqui em diante, e não te esqueça que quem te deu te ama como o ser mais importante.

Quinto Zili

277

Gentileza

Homem das cavernas

Constantes ameaças

Medo lhe corria as pernas

Natureza só lhe trazia trapaças

 

Milhares de anos a finco

Passado longínquo

Lar e família eram distantes

Pouco do hoje havia no antes

 

Percebeu o ser um dia

Depois de muita dureza

Habilidade quase não se via

Agir por impulso de uma gentileza

 

Noutro dia nasceu como sutileza

Descobriu um valor novo

Um gesto foi assumido entre o povo

Se tornou hábito traduzindo pureza

 

Hoje temos mais dessa atitude

Que convidam as relações à gentileza

Muitos a servem com cuidado amiúde

Nem todos entendem sua beleza com certeza

Quinto Zili

384

Dinheiro

Esse papel colorido e pintado

Que manda no mundo que habitamos

Com rostos e bichos impressos em cada lado

No dólar até inscrito, que em Deus confiamos

 

Quanto mais o temos

Mais o ter o queremos

Quem nem um pouco o possui

Lamenta que Deus o exclui

 

O dinheiro não é mais que um símbolo

Mas remunera o justo trabalho

Se muito fácil no entanto ele vem

Geralmente se vai pelo mesmo atalho

 

Ele não é do mal

Nem tampouco do bem

É como usar o sal

O abuso jamais convém

 

Dinheiro não tem moral

Mas não é só culpa dele próprio

A riqueza é de um poder fatal

Sem equilíbrio ela se torna o ópio

 

Que com o dinheiro não mais briguemos

E nem por ele, ainda menos

Talvez um dia sem ele viveremos

Mas hoje ainda é a moeda de troca que temos

Quinto Zili

954

DRUMMOND

DRUMMOND

Ele entrou na casa da Poesia.

Entrou. Lá viveu e se trancou.

De lá saiu só para ir de vez. Embora.

Deve ter levado a chave ou a jogado fora.

Ou só contou o segredo a uns poucos amigos, outros poetas.

Aqueles que entendiam melhor os seus escritos, escritores atletas.

Que de pronto, sem inveja, com bondade , o viam sem vaidade.

Escrever o amor como ele o fez, desde o cheiro dessa brisa, só quem contemporiza, do mal não se utiliza.

Em sua homenagem e à sua poesia, quem tenta este caminho, tem uma certeza, não haverá outro igual, com o verbo descomunal, pai da escrita, o senhor da letra; irrestrita!

Quinto Zili

Esquecer

Do mal e da dor

Da raiva, da falta de amor

Dos vícios materiais e morais

Das más tendências reais

 

Não dá só para esquecer

Apagar sem rever

Não dá para apenas virar as costas

Seguir sem perdoar são as piores apostas

 

A verdade é só uma

Quantas vezes precisaremos

Até que o bem em nós assuma

Todos de nós assim nos transformaremos

 

Cultivar o amor em toda parte

Começar em nós mesmos essa arte

Estendendo ao próximo como possível

Até se tornar prática normal e sensível

 

Assim o esquecer é mais que tentativa

Realidade é entender e modificar

O que é ruim, em bom de forma definitiva

E o mal, no bem do amor e do perdoar

Quinto Zili

1019

 

 

 

 

 

 

Marcela

Tenho três lindos rebentos

E hoje é festa da que nasceu primeira

Com eles, meus olhares mais atentos

Marcela, trinta e três, da boa sementeira

 

Um encanto de mulher, bom astral

Já é mãe do meu Gabriel, executiva e tal

Com ela não se pode ser meia colher

Esperta, amorosa, sabe bem o que quer

 

Forte personalidade

Ligada, parceira e desejosa

Ponderada na sua realidade

Curte a vida de forma prazerosa

 

É dedicada, honesta e responsável

Querida filha e seu Julian, pais do pequeno Gábi

Tem bom humor em dose invejável

A tenho por amor. Sê muito feliz em tudo que te cabe

 

Pai

Problema

Não nos faltam

De toda sorte

Repletam

Do nascer à morte

 

E se depois não se findam

Ainda que os contrários pensam

Carregamos muitos conosco

Continuam como enrosco

 

Se queremos deles nos livrar

Então basta os solucionar

Perdoar a quem for

E pedir perdão à quem levamos dor

 

Simples assim

E outras soluções afim

Amar como conduta daqui para frente

Agir como Jesus, nosso irmão docente

 

Problema é que somos ignorantes

Ainda não entendemos o amor

Um dia seremos melhor que antes

Amor virá, mesmo pela dor

Quinto Zili

1013

Preguiça

 

Quebrado o encanto da estrada

Da realização frustrada

Da não plenitude na vida

Sem desejo e a vontade carcomida

 

Preguiça nem fala dela mesma

Se evita a si própria

É estorvo da conquista

Das coisas e do mais à vista

 

Meramente voluntária

Altamente destrutiva

Aquele que a abraça

Sorve o suco da traça

 

Triste e completa

Experiência amarga

Ter preguiça é não avançar

Na areia movediça afundar

 

Fugir dela é ter vontade de fogo

Usar o medo para dela correr

De ser pleno de novo

De resgatar a vida no gozo do ser

Q.Z.

403

Mentira

Quem nunca mentiu

Não está vivo nesse planeta

Quem da mentira fugiu

Sabe que ela é perneta

 

Questão de princípios

Moral elevada

Ideais são indícios

De condição avançada

 

Mentira, do bem ou do mal

Qual a diferença da praga

Da verdade, é como o sal

Nenhum, deixa insosso; a mais, estraga

 

Nada justifica a mentira

Talvez só quando evite o mal

Mas ainda assim, da verdade que se retira

Fosse necessário um sofrer providencial

 

A máxima, na verdade, das Leis Naturais

O que Jesus trouxe à tona como lição

À justiça divina, mentira é causa que provocais

Só em ti mesmo seus efeitos se sentirão

Q.Z.

953

Carga

Não é o peso nem o cilício

O tamanho dela

Nem o suplício

Mas como suportamos ela

 

A cada um de nós

Segundo suas obras

Carga revela atroz

Do nosso passado as manobras

 

Nada de injustiça

Nenhuma coisa errada

Tudo tem dobradiça

Depois de aberta, terá que ser fechada

 

Vai e volta

Prende e solta

Não é olho por olho, nem dente por dente

É misericórdia divina, que jamais se desmente

 

Nada se nos retira

Do pouco que não se tem

Deus é quem põe e tira

De tudo que nos convém

 

Somos passageiros e motoristas

De nossa própria jornada

Depende de qual tipo de conquistas

Se a carga será mais ou menos pesada

Quinto Zili

981

Robô

Robô

Num sonho recente, um devir

Eu o vi até chorando

Estava se comunicando

Era um robô que parecia sentir

 

Não há mais limites

Tecnologia avançou fronteiras

Não se usam mais rebites

Tudo será diferente quanto queiras

 

O ser humano que conviverá

Com seres artificiais

Com inteligências tais

Que também o perseguirá

 

Não há no entanto o que temer

Exceto pelos continuados erros

Robôs não terão sentimentos reais como temos

Nem espírito, lembremos

 

É matéria transformada e tal

Inteligência artificial material

Sem alma nem carga moral

Coisa que muito terrestre ainda cuida mal

Quinto Zili

551

Calor

Um vulcão eclodindo

Suas brasas e lavas

O que vem do fundo da Terra

Calor máximo que se encerra

 

Muita pressão

Em compasso de espera

Vem à tona e supera

O momento da erupção

 

Como se vê na química

Calor é parte das reações

Elementos em atração dinâmica

Desprendem energias em profusões

 

Nas relações humanas do ambíguo

No intelecto do ser indivíduo

Calor como sensação indutiva

Amor, vergonha, onda de calor instintiva

 

Sem excesso o calor é alimento

No amor o máximo acalento

Na dor remédio ao sofrimento

Calor a nos tirar da indiferença e do relento

Quinto Zili

525

Aquilo

Esse ou aquele

Isso ou aquilo

Aquilo outro

Diferente daquilo

Encontrado noutro

Qualquer daqueles

Nosso ou deles

Doutra ou doutro

 

Qual é

Quais são

Essas coisas

Ou aquelas

Todas elas

Nossas ou delas

Delas e deles

Neles ou nelas

 

Aquilo era meu

Não era teu

Me deu

Me escolheu

Então chega

De discussão

Muita fala

Pouca ação

M. F.

930

João Gilberto

João Gilberto

Um violão vai chorar

Suas cordas vão lacrimar

O João do seu tocar

Suas mãos o vão deixar

 

Com toda sua bossa

A nova, todos sabemos de certo

A única e nossa

Do baiano brasileiro João Gilberto

 

Coisas que só o coração

Que cantavam ele e seu violão

À minha e muita geração

Numa nota só, no samba de meditação

 

As garotas de Ipanema vão chorar

O Gilberto, que foi João, foi com Deus morar

A Aquarela do Brasil vão tocar

E o pato desafinado no Corcovado vai ficar

 

Coisa mais linda a sua obra João

Brigas nunca mais te incomodarão

Chega de saudade, será só bim bom baião

Sua morte vai machucar demais a todo coração

Quinto Zili

 

 

Ouvir

Quietude

Paciência

Moderada atitude

Ouvir é ciência

 

Primeiro escutar

Depois falar

Seguir o ditado como boa ovelha

Quando um burro fala, outro abaixa a orelha

 

Respeitosamente

Mais que isso

Jeitosamente

Bom compromisso

 

Duas orelhas e só uma boca

Não são enfeites na cabeça

E se a língua for louca

Pode que os ouvidos enlouqueça

 

Antes que se confunda, se merece

A máxima é que o silêncio é uma prece

E se de ouro é o falar

Diamante é ouvir, o escutar

Quinto Zili

781

 

Agrião

Amargo e meio picante

Clorofilante

Na salada

Ou de bocada

 

Há quem dele não goste

Quando criança me dava ânsia

No prato alguém que o encoste

Outro o quer de ganância

 

Agrião, forte, verde escuro

No suco se delicia

Refrescante e puro

Saúde propicia

 

Tempera a ver se não gosta

Qual rúcula deliciosa

Sua irmã, tente a aposta

Os amargos na boca prazerosa

Quinto Zili

838

 

 

 

 

 

Sopa

Sopa

Coloqueis tudo na receita

Abundantes ingredientes

Poção de saúde perfeita

Pitadas de vontade apetecentes

Esse prato será completo sabor

Cozido no fogão do amor

 

O jeito de cozinhar é marca

Cada qual tem um estilo e um enredo

Mas pedis por uma sopa farta

Vais ver que a emulsão tem segredo

E cada parte da feitura

Toma aspectos de entrega pura

 

Democrata é a sopa, irreverente

Qualquer acepipe fresco ou bem maduro

Viram quentura de um sabor final diferente

Umas suaves, outras com toque e aroma puro

Faz-se o blend preferido ou um bem requintado

E sopa com pão é essencial, mais queijo ralado

 

No imo desses versos, que importa é o efeito

Mata uma fome e sacia um desejo

Rega uma reunião familiar num alimentar perfeito

Sopa une tudo, ingredientes, calor, para tomar de beijo

Quem faz, quem come ou toma, ninguém rejeita

Quente ou fria, parece mesmo de amor ser feita

Quinto Zili

461

Tentativa

Tentativa

Aquela postura

De desespero

De desânimo

O pânico

 

Síndromes à vista

Falha de conquista

Quase irreversível

Situação temível

 

Talvez falte tentativa

Buscar alternativa

Dentro do próprio mergulho

Ao se encontrar com o orgulho

 

Aproveitar o momento

Na máxima crise

No fundo do poço havido

Lá está o tesouro escondido

 

Não lhe falte tentativa

Não existe morte altiva

Só existe vida, em tudo

Deus nos ama demais, vivos sobretudo

Quinto Zili

523

Casamento

Casamento

 

Quero amar-te nesta vida

Vejo o tempo à nossa frente

Seremos um do outro guarida

 

Tu me trazes novas sensações

Quero ter-te cada vez mais

Seremos um só de dois corações

 

Tanto tempo procurei

Alguém me desse seu amor

E achei pra dar meu calor

A quem me trata como um rei

 

Que bela é a vida

Tão longe está a morte

Hoje temos um ao outro

E não reclamamos da sorte

 

Que Deus permita para sempre

Nossa relação bela e segura

Pois só quem ama é quem sente

A verdadeira relação de ternura

 

Ame sempre caro amigo

Voe e alce a luz da sua paz

Mas leve sempre junto contigo

Semente do amor não se deixa pra trás

Quinto Zili

103

Perfeição

Perfeição

Ainda não sabemos o que é

Como é

Onde se encontra

Em quem desponta

 

Ou o mais próximo que seja

Até onde se perceba e veja

Só Aquele que pisou na Terra há dois mil anos

O espírito mais perfeito, Jesus dos nazarenos

 

Porque de perfeição nada entendemos

Sem poder avaliar sua extensão sofremos

Mesmo nossa noção de perfeição é imperfeita

Da semeadura maior somos apenas nossa colheita

 

Então o que seria a perfeição

O bem, o amor, o perdão e a caridade

Tudo junto em harmonioso diapasão

O próprio sofrer como outra realidade

 

Até nossas preces são imperfeitas em tese

Por certo deveríamos entoar mais agradecimento

Mesmo que não pareça Deus dá todo suprimento

E ainda nos brinda com Jesus na catequese

Quinto Zili

790

Elo com Deus: Páscoa

Elo com Deus: Páscoa

Doce olhar de Jesus.

Nos confunde. Tanto poder e tanta verdade. Tanto amor e nenhuma vaidade. Tanta vida e viveu tão pouco entre nós.

Quando veio o tempo parou. A natureza mãe se fez de palco para sua passagem e o céu deve ter ficado mais iluminado por trinta e três anos seguidos. Era muita energia concentrada num só corpo.

Imaginar que um espírito pleno de luz se fez passar por gente como nós para que apenas iniciássemos nossa crença em algo realmente puro, maior e pleno. A fonte da própria luz divina veio até nós encurtando nosso esforço em descobri-la.

Até isso Deus permitiu acontecer para nós, seus pobres filhos, tivéssemos uma oportunidade entre tantas, porém, de sublime diferença.

O elo com Deus.

O Espírito da Verdade.

Jesus, a páscoa de todos os dias.

Graças a Deus.

Arte

Arte

Um pincel na mão

Uma talhadeira

Uma ideia em execução

Arte se tornando inteira

 

Uma poesia de toque

Uma canção melodiosa

O esculpir sem retoque

Mesmo a arte religiosa

 

A alma transbordando

Dobrando a fronteira

Rompendo, ultrapassando

Sentidos em fogueira

 

Liberdade à arte

Comunhão espiritual

Todo mal à parte

Do veio do bem descomunal

 

Ousar-se pintar o sete

Quando Deus nos tem compaixão

O feio na arte não se repete

Pequeno registro da má inspiração

 

Pintura maior, o infinito do céu

Onde os outros mundos viram estrelas

Arte suprema por Deus o pincel

Beleza sem fim, de podermos vê-las

Quinto Zili

856

Sorriso

Antipático um rosto

Outro, doce e afável

Uma cara agradável

Outra que só revela desgosto

 

Muitas são as faces

Nem sempre gentis

Talvez muitos disfarces

Angústias em perfis

 

Sorriso de aberto semblante

Nem sempre é alegria

Mas ainda assim alivia

A quem o olhar é desconcertante

 

Exercício de fazer melhorar

No rosto um sorriso leve plantar

O que custa o esforço de demonstrar

Pelo menos educação quando outro lhe fitar

 

Ainda notarás o benefício

Te tornarás mais bonito

Quem te olhar agradecerá tal resquício

Colherás do bem com teu suave fito

Quinto Zili

484

 

Poesia

Leve poesia

Me leva

Me alivia

Me eleva

 

Feito cometa que o céu risca

Arrisca minha alma dura

Me apura, me revista

Depura essa dor que me fura

 

Romanceia minha vida

Muda meu veio

Me torna atrevida

Afaga meu seio

 

Alegra minha tristeza

Poesia riqueza

Atravessa o espaço

Me traz um abraço

 

Quando chegar

Um dia o meu dia

É só me levar

Morrer também é poesia

G.M.

809

Meu teto em Brumadinho

A casa caiu

Foi levada

Lavada, tragada

Sumiu

 

Meu teto se foi

Construção desabou

Nada sobrou

Até morreu meu boi

 

E a plantação

Tudo findou

A lama desolou

Me resta a renovação

 

Mas, de mim, onde estou

O pesadelo é real

Meu corpo também passou

Acho que estou em outro astral

 

Está difícil entender

O que devo fazer

Me socorre meu Deus

E a todos os meus

 

Não sou coitadinho

Não vale assim me ter

E meu teto em Brumadinho

Esse nunca mais irei ver

Quinto Zili

Boechat

Boechat

Calou-se um certo gênio

A voz sincera, da honestidade já

Não mais ouviremos o generoso Eugênio

Mais conhecido como Ricardo Boechat

 

Muito jovem se vai o querido moço

Jornalista de primeira linha

Da verdade não largava o osso

Radialismo perde o que melhor se tinha

 

Foi do céu que ele caiu

Triste história que se viu

Fez sua própria notícia

News essa que queríamos fake, fictícia

 

Terrível essa fatalidade que nos trava

Voz crítica, bonita e uma risada boa

Um esgrimista da palavra

Ele nunca a usava à toa

 

Se foi Boechat um artista querido

Fácil admirá-lo e acompanhá-lo

Fará toda a falta, crítico destemido

Verdade será sua marca sempre; a guiá-lo

Até logo amigo!

Quinto Zili

 

Sopa

 

Coloqueis tudo na receita

Abundantes ingredientes

Poção de saúde perfeita

Pitadas de vontade apetecentes

Esse prato será completo sabor

Cozido no fogão do amor

 

O jeito de cozinhar é marca

Cada qual tem um estilo e um enredo

Mas pedis por uma sopa farta

Vais ver que a emulsão tem segredo

E cada parte da feitura

Toma aspectos de entrega pura

 

Democrata é a sopa, irreverente

Qualquer acepipe fresco ou bem maduro

Viram quentura de um sabor final diferente

Umas suaves, outras com toque e aroma puro

Faz-se o blend preferido ou um bem requintado

E sopa com pão é essencial, mais queijo ralado

 

No imo desses versos, que importa é o efeito

Mata uma fome e sacia um desejo

Rega uma reunião familiar num alimentar perfeito

Sopa une tudo, ingredientes, calor, para tomar de beijo

Quem faz, quem come ou toma, ninguém rejeita

Quente ou fria, parece mesmo de amor ser feita

Quinto Zili

461

Água

A sede que mata e que desata, prostra e desidrata.

Como a fome que também assoma o homem e consome quase a alma, seca o abdômen e encolhe o ser que a tome.

Água da boa, pura e limpa, da melhor fonte que se esconde no mato e montanha, e brota sem receio de matar a que nos mata, essa sede ingrata e tamanha.

Bica, mina que vira veio, que vira regato, riacho, cascata e rio até chegar num oceano. Água, que sem nenhum plano, conhece todos os caminhos, serve a todos ninhos, até encontrar alguém que a sorva e se alimente, que é líquido do bem até na enchente.

Deus não esqueceu de nada neste planeta e nem a água abundante para tudo e para todos, o mais precioso bem material. Ela é o fluido da vida carnal como o amor o é da vida espiritual. Como todos fluidos da vida, a água se une ao cosmo, ao fluido universal.

Água que, se da mão à boca se evapora, virando a chuva que retorna à Terra e colabora, inunda, também mata e arrebata. Reajusta o equilíbrio e os ecossistemas que o homem vem tratando de desajustar há muita data.

Comparar a água ao conhecimento e se terá a compreensão. Ela sempre aparece e brota num canto e varre tudo em aluvião. Percorre todos os caminhos até se encontrar num oceano caudal, que é pura convergência do conhecimento atemporal.

Quinto Zili

511

Fama

Que não sou famoso, preciso ser esperto, de levar fama e ganhar cama.

Pois cama, leva o famoso lhe deitar, dela acaba sem levantar, quiçá na lama.

 

Quero só a cama. Dela apear após dormir.

 

E fama?

 

Não…desperto, bem esperto, de pé, sem lama.

 

Não…quero só o simples, quero meu filtro de barro, de água fresca bem farto… e luz amarela a lumiar meu quarto.

 

Quinto Zili

784 b

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Correr

Hábito que cura

Descende do caminhar

Excede mais de um limiar

Tem mais pegadura

 

Há  que se ter preparo

Constância e persistência

Desistir não é raro

Sucumbir é má experiência

 

Correr é viciante e traz hormônios do bem

Bichinho te fisga constante e além

Quem começa dificilmente para mais

Começa uma relação de bem estar aliás

 

O peso, inimigo maior; cuidado

Se forçar sem adequar é sinistro

Dieta adequada, bom sono, melhor aliado

Qualquer problema vascular deve-se buscar registro

 

Há que ser meio, não fim

Competições desnecessárias, mas estimulam sim

O que mais importa mesmo é que correr te melhora

Alivio ao espírito e respeito ao corpo como nunca outrora

Quinto Zili

441

Começo

Iniciar e quebrar toda inércia

Ponte a ser construída

Pensando em sair do fim que começa

E tudo espantar que te impeça a saída

 

Bloqueios de vida, quem para, se entorpece

Se for só intervalo cuidar que não dure

Recomeça o trabalho que te enobrece

O tempo não para, melhor te apure

 

O duro começo em tudo é difícil

Mas busca coragem, desejo e vontade

Não se atrapalhe, começa no ceitil

O primeiro passo é quase a metade

 

Ouvir o chamado é de bom alvitre

Não pense que algum dia esteve sozinho

Há sempre um amigo, não recalcitre

No enlevo de ser pioneiro mesquinho

 

Para o início se dar, se coloque humilde

És engrenagem do todo e não podes falhar

Postura de trabalho só terás se te lides

A ele se entregar, se forjar para amar

 

Começar é amar. Trabalhar com Jesus.

O chamado é Dele, que te conduz

Quinto Zili

173

Alimento

 

A gente caçava para comer

E se defendia para não virar comida

Não era fácil sobreviver

Pois tudo era risco em torno da vida

 

Bem antes do fogo, a vida era dura

Inverno se morria de frio e de fome

Caverna era única morada segura

E o verão era mais suportável ao homem

 

Sentimentos eram ainda porto incerto

Alimentos, a batalhar todo dia

Não se contava com amigos por perto

Tudo era busca, tudo utopia

 

O espírito demorou a ser imaginado

E o alimento era mesmo para o corpo material

Demorou o homem a se ver do outro lado

Mas era puro, consciência construindo o ideal

 

Hoje temos o alimento sobre a mesa

Podemos comer voltados à saúde

Para o espírito já temos nova certeza

O alimento é a moral, amor a virtude

Quinto Zili

138

Tempo

 

Galhardia de um ser

Coragem de viver

A fagulha do dever

Aponta o rumo do querer

 

Não ter impulso

Fraco o pulso

Inacabada obra legada

Fato e memória roubada

 

Se deixou para trás

Se quis roubar o tempo

Volúpia do antrax

 

Pouquidade e traição

Com Deus e nosso Mestre atento

Assim se fez o turbilhão

A.Q.

648

Ego

 

Assim se houve

Acontecido

Trágico e entorpecido

A quem o mal se aprouve

 

Outras vidas como aconteceu

Se veio à luta

Para uma prova ininterrupta

Tentames funestos no que se deu

 

Sensações estranhas

Um ego denegado

Exação nas entranhas

 

Ah! que dificuldade

Viés escancarado

Minh’alma em tempestade

A.Q.

 

650

Até o último homem

Até o último homem

(“Hacksaw Ridge”)

Ver esta película forte

Nos expõe aos horrores da guerra

Imagens chocam e nos ferem à morte

A luta de seres, o mal que lhes encerra

 

Mas havia um soldado, Desmond Thomas Doss

Cuja fé levou como única arma, a que não falha

Missionário naquele momento atroz

Resgatou seus pares e até inimigos na batalha

 

Uma história do bem contra o mal

Como estar numa guerra esquecendo o egoísmo

Como fazer caridade em meio a condição brutal

Servindo a Deus no pior cenário, no fogo o batismo

 

Uma bela narrativa, que ali se viu real

Parabéns ao diretor mesmo pelas imagens de choque

Melhorou Mel Gibson, adoçou o mal

Mostrou o bem em ação, até o fuzil de reboque

 

Não vi o filme pela guerra, é evidente

Vi o exemplo de um ser e a caridade em ação

Passo mal só de ver arma, quanto mais tê-la na mão

Vi a vida em tantos conflitos da humana mente

 

Há bons filmes, mesmo os sobre guerras

Frentes de batalha e horror

Qual nosso dia a dia em qualquer terra

Mas há amor e fé, que sempre aliviam a dor

Quinto Zili

770

Sorte II

 

Prêmio à dedicação

Como também a dirão

Sopro de Deus na vida tua

Como que mais

Ungido pela Lua

Ajuda mágica ademais

 

Sorte pode ser tudo

Até falta de azar

Mas o que mesmo é

Na real, só o colher do plantar

 

Colheitas desta vida

De vidas passadas

Refletem a ação

Na forma da reação

 

Sorte não é algo a mais

Pois nada é por acaso

Experimenta começar a fazer só o bem

Muito menos mal sofrerás também

 

Sorte não é luxo

Loteria não é sorte

Pode até ser infortúnio

Espreita do lobo em plenilúnio

 

Queira estar sempre em sintonia

Pense na sorte de havermos Jesus conosco

Nosso planeta Terra ainda em distonia

Esse sim, sem Ele, um universo tosco

Quinto Zili

521

 

 

 

Reclamação

 

Não queria de um jeito

Nem de outro tampouco

Só reclamou do feito

Parecia um louco

 

Tanto exigiu; se refez

Quem entregou se esmerou

Ainda assim se frustrou

Não satisfez o freguês

 

Tanta reclamação

Exagero do cliente

Virou insatisfação

Frustração do atendente

 

Ficou incompleta

Relação inconclusa

Vida, dessa situação repleta

Muita exigência confusa

 

Vaidade, quase esbulho

Apogeus de orgulho

Distante humildade

Exigente se perde em sua realidade

 

Mas esse é só um ponto de vista

Vai que alguém conteste tal tese achista

Dê razão à exigente reclamação

Coitado então do atendente desse balcão

Quinto Zili

764

Vagas

 

Não temos vagas para santo

O anúncio estava na porta do céu

Virou-se o ateu com cara de espanto

Estou na porta errada, mundo cruel

 

Quis chamar alguém acima

Mas não iria blasfemar como bom ateu

Sentiu um certo clima

Que alguém lhe ouvia, mesmo assim não creu

 

Não queria ser santo, só queria entrar

Mas porque o aviso justo a ele estranho

Abriu-se a porta e de puro espanto

Havia muitos amigos e nenhum santo

 

Amigos do bem a quem sempre respeitou

Parentes queridos, olhares generosos

Gente que o respeitava, a quem sempre cuidou

Mas nem o tal ser supremo,  nem santos famosos

 

Todo bem que fez  em vida o lado de lá já percebia

Sem saber porque mas sempre  fez como amor

De repente tudo parou e a todos uma luz invadia

Ser superior surgiu trouxe a todos uma flor

 

O amigo recebeu uma especial das mãos daquele senhor

Nosso Pai te mandou receber a entrar e te dar este presente

Foste um filho exemplar e cuidou de muita dor

Ele viu lhe falavam de Deus, mesmo que foi irreverente

Quinto Zili

201

 

Ruas

Foram de barro

De pedras

Depois asfaltos

Hoje o chão dos autos

 

Das infâncias lembranças

Peladas com bolas de pano

Descalços éramos liberdade

Pés nas ruas sem vaidade

 

Hoje corremos

Maratonas fazemos

Por esporte ou trabalho

Ruas cheias de atalho

 

A vida elas cortam

Enchentes as devoram

No calor almas as repletam

No frio viva alma as secretam

 

Nosso irmão maior Jesus as usava

Por onde andou, ruas por onde orava

Pregava ao mundo enquanto nelas

Ruas e vielas foram seus templos e portelas

 

Nada a negá-las

As ruas são belas

O povo enriquece esses caminhos

A vida faz delas seus grandes ninhos

C.A.

710

Pão

Que nunca nos falte

E a ninguém se negue

Que cada um se fortaleça

E o pão da vida lhe abasteça

 

Fome nos consome

Injustiça entre os homens

Aqueles que privam seus irmãos

Se corrompem pelas mentes e mãos

 

O administrador que falha

O trabalhador que atrapalha

Um manda errado

O outro a tarefa deixa de lado

 

Todos querem o pão

Por vezes até enlouquecem

Lutar todo o dia sem amor no coração

Ferir as leis do Pai lhes acontecem

 

Sem plantio do trigo não haverá pão

Sem moral elevada não há plantação

Que colheita se espera

Escassez na nova era

 

Nem o pão do trigo

Nem o pão da alma, o abrigo

Sem Jesus no coração

Misericórdia divina será só provação

Quinto Zili

715

Fome

Alguma comida sempre tem

Por caridade se consegue

A fome aplacada num vintém

Bucho vazio não prossegue

 

Difícil matar essa fome

Quando vem do coração

A cabeça vira estômago sem pão

Alma que não dorme

 

O sono engana a noite

Corpo vira zumbi

Fome de amor é açoite

Sem paz se pode sucumbir

 

O alimento é o rogo atendido

Com bom tempero a esperança cresce

Daí vem de Jesus o cozido

Servido no prato da prece

 

Cada qual pede o que precisa

Mas se sabe o que Deus provê em amor

Se for prova, coragem e a utiliza

Se for alívio, agradece o passar da dor

Quinto Zili

732

CEIA

Hoje é dia de véspera com ceia natalina

Quando o dia brilha e a noite se ilumina

Que assim feitos nos mostram de onde vem a luz

Senão de quem, do maior, de Maria o Filho Jesus

 

Eis que nos emocionamos muito

Queremos ser diferentes, mesmo que só no intuito

Daquela cruz temos pouco conhecimento

Jesus nos mostrou o amor em puro ensinamento

 

Que Ser foi Aquele, iluminado

O Filho maior do Pai maior

Sua festa amanhã, o dia mais esperado

 

Ele Jesus no entanto nos lembra diariamente

Natal tem que ser o dia a dia melhor

O bem conduzindo ao amor, o verdadeiro presente

Quinto Zili

Controle

Quem controla a Natureza

Um único Deus, na leveza, na beleza

Não o homem carnal

Não o homem espiritual

 

Em verdade abusamos

Nos descontrolamos

O supérfluo se tornou essência

Até o mau uso se faz da ciência

 

Ilusão de termos o controle

Enquanto o caos emerge do nada

Um dia se entorna o bule

Tragédias sem hora marcada

 

Daí nos surpreendemos

A Natureza culpamos

Do todo pouco entendemos

O caldo da vida sequer saboreamos

 

É o aprendizado no limite

O Pai e o Mestre nos aguardando

Enquanto a Natureza nos permite

Ousarmos destruí-la, mesmo ela nos educando

Quinto Zili

748

Esperânsia

Sem como encontrar

Não tem no dicionário

Não carece procurar

Falta no vocabulário

 

Teria um amplo significado

Esperânsia uniria esperançosos e aflitos

Os que velam pelo esperado

E os ansiosos convictos

 

Sim, quem de nós não é assim

Digamos que a maioria

Ansiedade complica enfim

Só esperança, de todo, não traz alforria

 

Não se critique a esperança

Que muita vez é crença e fé

Melhor quando estimula confiança

Que só o trabalho traz sem dar ré

 

Ânsia ou ansiedade

Quando nelas se opera

Traduzem angústia ou até vaidade

Humildade, combate a depressão que desespera

 

O humilde, leia-se, não o pobre

Aquele que trabalha sendo eterno aprendiz

Não o faz só pelo soldo, que não falta ao nobre

Sim, entende o valor do fazer e sabe ser feliz

Quinto Zili

749

Sorrir

Alegrando o dia

Logo cedo

Sem apatia

Sem medo

 

Temer o quê

Se podes sorrir quando quiser

Sofrer porque

Se a vida é o que dela fizer

 

Tristeza bate de surpresa

Alegria foge, simula pobreza

Um sorriso espanta a aspereza

Questão de segundos volta a beleza

 

É a roda gigante brinquedo

A gangorra da vida à mão

Embaixo se passa segurança sem visão

Por cima é vislumbre, excitação e medo

 

Sorrir é mais fácil que chorar

Menos músculos na face a usar

Melhor chorar de alegria

Mas sorrir é o que mais contagia

Quinto Zili

547

Outros

Alguém pede esmola

Tu pedes ajuda, implora

Vem por qualquer lado

Parecem chamado velado

 

Teia da caridade

Como funciona de verdade

Um ao outro ajuda oferece

Na tua vez , te emudece

 

Outros é ampla figura

Tu e eu, claro, o somos

Ao Pai, outros é filiação segura

Misericórdia suprema, aceita o que somos

 

Tratar irmãos como outros é pouco

Gritar contra isso até ficar rouco

Amor é dosagem de remédio  ou placebo

Para tu que doas  e para mim que recebo

 

Caridade não exige d’outros se mostre a face

Não tem cara nem idade quem doa

É casamento do bem sem enlace

É amor que move a popa ou vem de proa

Quinto Zili

735

Rápido

Vejo teus olhos

Percorrerem essas letras

Correndo o papel

Muito rápido

Sem perder tempo

Estressa à toa

Escoa

Como água

Cascata do assimilar

Com pressa

À beça

Para que

Correr tanto

Vivemos tanto quanto o cágado

Cem anos, por aí

E o homem

Não mais que quarenta mil anos existe

Inteligência quando surgiu

Muito rápido

Nossa vida

Corrida

Para que

 

Deus não tem pressa

Mas é tão rápido quanto não podemos imaginar

Natureza nunca se apressa

O bem ajuda o amor a qualquer um conquistar

 

Caridade é a única necessidade

Compaixão a principal urgência

O amor a máxima qualidade

E o mal é rápido, na sua própria demência

Quinto Zili

570

Terras

Chão de pisar

Por onde ando

Terra de plantar

Colheitando

 

Ciclo de vida

Plantar, colher

Terra servida

Nos dá de comer

 

Terra não é propriedade

Deus não nomeou tabelião

Nada nosso, nem metade

Documentos não vão no caixão

 

Toda terra é de Deus

Natureza é dádiva maior

Retiras dela o sustento dos teus

Tuas cinzas a adubarão melhor

 

Destruir o orbe como o homem faz

Esquecendo de quem é a real propriedade

Talvez um dia seja capaz

Compreender seu papel aqui, pura necessidade

Quinto Zili

278

Máscaras

Não sendo carnaval

Porque usar todo dia

Cara lavada não faz mal

Ou sinceridade é utopia

 

Nós humanos da Terra

Raça da inteligência

Supremacia em si encerra

Tememos o confronto na essência

 

Ser claro e despojado

Mostrar semblante altero

Orgulho é redobrado

O medo mais sincero

 

Somos dúvida pura

De tudo e todos duvidamos

Orgulho é tese segura

Abrange tudo que pensamos

 

Sem máscaras seria razoável

Alvitre e aceitação sem vaidade

Impera no entanto o insondável

O achar superior, distinta humildade

Quinto Zili

274

Quem ama não reclama

Amar é para os fortes

Tempestades irão nos abater

Olhar de quem ama sem recortes

Pensar desses seres, eterno viver

 

Todo dia, novas sendas

Novos ramos, nossa árvore a crescer

Natureza abrindo e criando fendas

A nos dar condição de perceber

 

Inseguro mas tendo amor

Temeroso e seguindo a luz

Sofrendo de qualquer dor

Mas confiante em nosso Jesus

 

Percebes que não falo a reclamar

Não te pegues a resmungar

Todos os dias se pode sofrer e lutar

Pois dessa vinha que vem o aliviar

 

Por fim querido irmão

Não se deixe levar debalde

Tome o amor deste refrão

Não se torne sua própria fraude

Quinto Zili

110

Restrições, 282

Nos modificam

Alteram hábitos

Nos retificam

Mudam hálitos

 

Se queres dar valor

Privas o uso de uma mão

Ao voltares no pleno labor

É comum externares gratidão

 

Sim é assim mesmo

Perdes um órgão do corpo são

Nunca mais ages a esmo

Notas os diferentes, não mais os fita em vão

 

Restrições são caroços na fruta doce

É esmola do universo para tu, pedinte

Luz que falta na caverna sem posse

Cego no circo, só como ouvinte

 

Se te faltas, apuras a percepção

Humildade a te recolocar no eixo

A inteligência a explorar intuição

És filho de Deus tanto como o freixo

Quinto Zili

Teto, 290

Relento

Sozinho

Ao vento

 

Entristecido

Esquecido

Desmerecido

 

Acolher este ser

Com ternura de filho

É seu irmão, seu dever

Apenas perdeu seu trilho

 

Um teto é tudo

Para quem não tem nada

Tua casa o deixou mudo

Observa a necessidade velada

 

Agradeças tu pela casa, teu teto

Nunca te faltou nada, nem abrigo

Divides o que podes com afeto

Deus nunca te pediu nada amigo

Quinto Zili

Culpa

Sentimentos de culpa

Ultrajam nossas almas

Que pena morrermos às vezes

Lamentamos sob palmas

 

Já fomos perversos

Espíritos ao bem reversos

Hoje estamos melhorados

Nos sentimos mais amados

 

Fomos algozes

Fomos vítimas

Hoje queremos ser bons e velozes

Fazer caridades legítimas

 

Calma com o andor

O barro desanda e dói

A vida se reconstrói

Nada justifica o temor

 

Umbral, 150

Umbral

Jesus nos inspire, guie, ilumine e proteja!

 

Calvário, expurgo, libertação

Tormenta, expiação e paga

Sofrer de homens, mulheres, crianças

Idosos esquecidos, aleijados, doentes

Universo em mutação e redenção

 

Notícias e aspectos da humanidade

Pensamentos em desalinho

Torpor e sono

 

Beleza morta

Discurso oco

Declarações espúrias

 

Não há rima neste contexto

Não há sinal de união

O umbral é aqui mesmo

O céu é tela pintada da imaginação

                                                                      Deus tenha piedade de nós

Quinto Zili