A couve da briga

Provocação houve

Por causa de uma couve

A mais bonita da banca

Ali começou altercação franca

 

Houve forte disputa

O maço era da manteiga gigante

Virou palco de quase luta

Imagine a cena de briga ofegante

 

Duas senhoras madames

Desceram de seus altares

Viraram velhacas infames

Como nas brigas de bares

 

Bastou o olhar sobre a couve bela

Uma a quis, mas a outra avançou

Inevitável, o maço se partiu na querela

Das lindas folhas pouco mesmo sobrou

 

Então a couve prêmio não ficou de ninguém

O dono da banca no prejuízo restou

A coitada da couve para o lixo foi também

A feira parou e as briguentas a polícia levou

Quinto Zili

1134

 

 

Bagagem

De acordo com a viagem

A distância a percorrer

O seguir de uma romagem

Até o tempo que vai fazer

 

Para onde se vai

De onde se sai

E tudo que influencia na viagem

Que determina o tamanho da bagagem

 

E há ainda que se pensar

Se o meio de transporte vai suportar

O peso e o volume podem ultrapassar

Não só a nossa bagagem a transportar

 

Como quando reencarnamos

Só embarcamos com o necessário na mala

Excesso de bagagem nunca pagamos

Foi o Pai que conferiu antes de fechá-la

 

No retorno, ao cabo de uma vida

Há o transporte na passagem do desencarne

Só caberá a mala que foi trazida

O bem feito alivia o peso; o mal trazido soa o alarme

Quinto Zili

1115

 

Luxo

Falar sobre o luxo

O tal que muitos querem

Enquanto outros não tem nem pro bucho

Assim que os seres, entre si, se ferem

 

Ostentação ou poder

Ou só um certo luxo

À guisa do prazer de se ter

Que acaba gerando mais empuxo

 

Sanha e ânsia

Acumular não basta

Ouros e brilhantes em abundância

Tudo que da moral se afasta

 

Que dinheiro chama dinheiro, se falar

Como também é rio que corre pro mar

Quem nasce virado pra Lua

O luxo é no material que se situa

 

E onde fica tudo isso na nossa moral

Em nossas vidas, o lado espiritual

Se nada levamos desse luxo material

Que lá atua como peso na casa mental

 

Quem está à serviço do materialismo

Que quando morre requer imediatismo

Só que não, na pátria do céu, só o amor tem vez

O luxo lá não existe, onde só fica se mereceis

Quinto Zili

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