DRUMMOND

DRUMMOND

Ele entrou na casa da Poesia.

Entrou. Lá viveu e se trancou.

De lá saiu só para ir de vez. Embora.

Deve ter levado a chave ou a jogado fora.

Ou só contou o segredo a uns poucos amigos, outros poetas.

Aqueles que entendiam melhor os seus escritos, escritores atletas.

Que de pronto, sem inveja, com bondade , o viam sem vaidade.

Escrever o amor como ele o fez, desde o cheiro dessa brisa, só quem contemporiza, do mal não se utiliza.

Em sua homenagem e à sua poesia, quem tenta este caminho, tem uma certeza, não haverá outro igual, com o verbo descomunal, pai da escrita, o senhor da letra; irrestrita!

Quinto Zili

Esquecer

Do mal e da dor

Da raiva, da falta de amor

Dos vícios materiais e morais

Das más tendências reais

 

Não dá só para esquecer

Apagar sem rever

Não dá para apenas virar as costas

Seguir sem perdoar são as piores apostas

 

A verdade é só uma

Quantas vezes precisaremos

Até que o bem em nós assuma

Todos de nós assim nos transformaremos

 

Cultivar o amor em toda parte

Começar em nós mesmos essa arte

Estendendo ao próximo como possível

Até se tornar prática normal e sensível

 

Assim o esquecer é mais que tentativa

Realidade é entender e modificar

O que é ruim, em bom de forma definitiva

E o mal, no bem do amor e do perdoar

Quinto Zili

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Marcela

Tenho três lindos rebentos

E hoje é festa da que nasceu primeira

Com eles, meus olhares mais atentos

Marcela, trinta e três, da boa sementeira

 

Um encanto de mulher, bom astral

Já é mãe do meu Gabriel, executiva e tal

Com ela não se pode ser meia colher

Esperta, amorosa, sabe bem o que quer

 

Forte personalidade

Ligada, parceira e desejosa

Ponderada na sua realidade

Curte a vida de forma prazerosa

 

É dedicada, honesta e responsável

Querida filha e seu Julian, pais do pequeno Gábi

Tem bom humor em dose invejável

A tenho por amor. Sê muito feliz em tudo que te cabe

 

Pai

Mãos

Os gestos e as práticas

Duros, delicadas

Gentis, ásperas

Carinhosos ou revoltadas

 

Sempre às duplas na urdidura

Mais de um caminho se depura

Uma segura, a outra a seguir

Concordam até no divergir

 

Quando no mesmo foco atuam

Trabalhando juntas suam

Daí saem obras maravilhosas

Artes, segredos, coisas gostosas

 

Mãos que trazem o nascer

Que levam ao morrer

Siamesas de um  mesmo tronco

Semeiam ou matam como gênio ou bronco

 

Curam e transformam

Mas se sujeitam à mente

Daí que o bem ou o mal operam

De quem  age são ou doente

 

Nossas são as mãos de Deus que obram

Tentáculos do Pai que menos nos cobram

Fazem acontecer e com elas o bem se usufruir

Delas, em verdade, só não podemos fugir

Quinto Zili

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