Ruas

Foram de barro

De pedras

Depois asfaltos

Hoje o chão dos autos

 

Das infâncias lembranças

Peladas com bolas de pano

Descalços éramos liberdade

Pés nas ruas sem vaidade

 

Hoje corremos

Maratonas fazemos

Por esporte ou trabalho

Ruas cheias de atalho

 

A vida elas cortam

Enchentes as devoram

No calor almas as repletam

No frio viva alma as secretam

 

Nosso irmão maior Jesus as usava

Por onde andou, ruas por onde orava

Pregava ao mundo enquanto nelas

Ruas e vielas foram seus templos e portelas

 

Nada a negá-las

As ruas são belas

O povo enriquece esses caminhos

A vida faz delas seus grandes ninhos

C.A.

710

Pão

Que nunca nos falte

E a ninguém se negue

Que cada um se fortaleça

E o pão da vida lhe abasteça

 

Fome nos consome

Injustiça entre os homens

Aqueles que privam seus irmãos

Se corrompem pelas mentes e mãos

 

O administrador que falha

O trabalhador que atrapalha

Um manda errado

O outro a tarefa deixa de lado

 

Todos querem o pão

Por vezes até enlouquecem

Lutar todo o dia sem amor no coração

Ferir as leis do Pai lhes acontecem

 

Sem plantio do trigo não haverá pão

Sem moral elevada não há plantação

Que colheita se espera

Escassez na nova era

 

Nem o pão do trigo

Nem o pão da alma, o abrigo

Sem Jesus no coração

Misericórdia divina será só provação

Quinto Zili

715

Fome

Alguma comida sempre tem

Por caridade se consegue

A fome aplacada num vintém

Bucho vazio não prossegue

 

Difícil matar essa fome

Quando vem do coração

A cabeça vira estômago sem pão

Alma que não dorme

 

O sono engana a noite

Corpo vira zumbi

Fome de amor é açoite

Sem paz se pode sucumbir

 

O alimento é o rogo atendido

Com bom tempero a esperança cresce

Daí vem de Jesus o cozido

Servido no prato da prece

 

Cada qual pede o que precisa

Mas se sabe o que Deus provê em amor

Se for prova, coragem e a utiliza

Se for alívio, agradece o passar da dor

Quinto Zili

732