Reclamação

 

Não queria de um jeito

Nem de outro tampouco

Só reclamou do feito

Parecia um louco

 

Tanto exigiu; se refez

Quem entregou se esmerou

Ainda assim se frustrou

Não satisfez o freguês

 

Tanta reclamação

Exagero do cliente

Virou insatisfação

Frustração do atendente

 

Ficou incompleta

Relação inconclusa

Vida, dessa situação repleta

Muita exigência confusa

 

Vaidade, quase esbulho

Apogeus de orgulho

Distante humildade

Exigente se perde em sua realidade

 

Mas esse é só um ponto de vista

Vai que alguém conteste tal tese achista

Dê razão à exigente reclamação

Coitado então do atendente desse balcão

Quinto Zili

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Vagas

 

Não temos vagas para santo

O anúncio estava na porta do céu

Virou-se o ateu com cara de espanto

Estou na porta errada, mundo cruel

 

Quis chamar alguém acima

Mas não iria blasfemar como bom ateu

Sentiu um certo clima

Que alguém lhe ouvia, mesmo assim não creu

 

Não queria ser santo, só queria entrar

Mas porque o aviso justo a ele estranho

Abriu-se a porta e de puro espanto

Havia muitos amigos e nenhum santo

 

Amigos do bem a quem sempre respeitou

Parentes queridos, olhares generosos

Gente que o respeitava, a quem sempre cuidou

Mas nem o tal ser supremo,  nem santos famosos

 

Todo bem que fez  em vida o lado de lá já percebia

Sem saber porque mas sempre  fez como amor

De repente tudo parou e a todos uma luz invadia

Ser superior surgiu trouxe a todos uma flor

 

O amigo recebeu uma especial das mãos daquele senhor

Nosso Pai te mandou receber a entrar e te dar este presente

Foste um filho exemplar e cuidou de muita dor

Ele viu lhe falavam de Deus, mesmo que foi irreverente

Quinto Zili

201