Terras

Chão de pisar

Por onde ando

Terra de plantar

Colheitando

 

Ciclo de vida

Plantar, colher

Terra servida

Nos dá de comer

 

Terra não é propriedade

Deus não nomeou tabelião

Nada nosso, nem metade

Documentos não vão no caixão

 

Toda terra é de Deus

Natureza é dádiva maior

Retiras dela o sustento dos teus

Tuas cinzas a adubarão melhor

 

Destruir o orbe como o homem faz

Esquecendo de quem é a real propriedade

Talvez um dia seja capaz

Compreender seu papel aqui, pura necessidade

Quinto Zili

278

Máscaras

Não sendo carnaval

Porque usar todo dia

Cara lavada não faz mal

Ou sinceridade é utopia

 

Nós humanos da Terra

Raça da inteligência

Supremacia em si encerra

Tememos o confronto na essência

 

Ser claro e despojado

Mostrar semblante altero

Orgulho é redobrado

O medo mais sincero

 

Somos dúvida pura

De tudo e todos duvidamos

Orgulho é tese segura

Abrange tudo que pensamos

 

Sem máscaras seria razoável

Alvitre e aceitação sem vaidade

Impera no entanto o insondável

O achar superior, distinta humildade

Quinto Zili

274

Quem ama não reclama

Amar é para os fortes

Tempestades irão nos abater

Olhar de quem ama sem recortes

Pensar desses seres, eterno viver

 

Todo dia, novas sendas

Novos ramos, nossa árvore a crescer

Natureza abrindo e criando fendas

A nos dar condição de perceber

 

Inseguro mas tendo amor

Temeroso e seguindo a luz

Sofrendo de qualquer dor

Mas confiante em nosso Jesus

 

Percebes que não falo a reclamar

Não te pegues a resmungar

Todos os dias se pode sofrer e lutar

Pois dessa vinha que vem o aliviar

 

Por fim querido irmão

Não se deixe levar debalde

Tome o amor deste refrão

Não se torne sua própria fraude

Quinto Zili

110

Restrições

Nos modificam
Alteram hábitos
Nos retificam
Mudam hálitos
 
Se queres dar valor
Privas o uso de uma mão
Ao voltares no pleno labor
É comum externares gratidão
 
Sim é assim mesmo
Perdes um órgão do corpo são
Nunca mais ages a esmo
Notas os diferentes, não mais os fita em vão
 
Restrições são caroços na fruta doce
É esmola do universo para tu, pedinte
Luz que falta na caverna sem posse
Cego no circo, só como ouvinte
 
Se te faltas algo, apuras a percepção
Humildade a te recolocar no eixo
A inteligência a explorar intuição
És filho de Deus tanto como o seixo


282

Teto

Relento

Sozinho

Ao vento

Entristecido

Esquecido

Desmerecido

Acolher este ser

Com ternura de filho

É seu irmão, seu dever

Apenas perdeu seu trilho

Um teto é tudo

Para quem não tem nada

Tua casa o deixou mudo

Observa a necessidade velada

Agradeças tu pela casa, teu teto

Nunca te faltou nada, nem abrigo

Divides o que podes com afeto

Deus nunca te pediu nada amigo

290

Culpa

Sentimentos de culpa

Ultrajam nossas almas

Que pena morrermos às vezes

Lamentamos sob palmas

 

Já fomos perversos

Espíritos ao bem reversos

Hoje estamos melhorados

Nos sentimos mais amados

 

Fomos algozes

Fomos vítimas

Hoje queremos ser bons e velozes

Fazer caridades legítimas

 

Calma com o andor

O barro desanda e dói

A vida se reconstrói

Nada justifica o temor

 

Umbral

Jesus nos inspire, guie, ilumine e proteja!

Calvário, expurgo, libertação

Tormenta, expiação e paga

Sofrer de homens, mulheres, crianças

Idosos esquecidos, aleijados, doentes

Universo em mutação e redenção

Notícias e aspectos da humanidade

Pensamentos em desalinho

Torpor e sono

Beleza morta

Discurso oco

Declarações espúrias

Não há rima neste contexto

Não há sinal de união

O umbral é aqui mesmo

O céu é tela pintada da imaginação

                                                                      Deus tenha piedade de nós

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