Restrições

Nos modificam
Alteram hábitos
Nos retificam
Mudam hálitos
 
Se queres dar valor
Privas o uso de uma mão
Ao voltares no pleno labor
É comum externares gratidão
 
Sim é assim mesmo
Perdes um órgão do corpo são
Nunca mais ages a esmo
Notas os diferentes, não mais os fita em vão
 
Restrições são caroços na fruta doce
É esmola do universo para tu, pedinte
Luz que falta na caverna sem posse
Cego no circo, só como ouvinte
 
Se te faltas algo, apuras a percepção
Humildade a te recolocar no eixo
A inteligência a explorar intuição
És filho de Deus tanto como o seixo


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Teto

Relento

Sozinho

Ao vento

Entristecido

Esquecido

Desmerecido

Acolher este ser

Com ternura de filho

É seu irmão, seu dever

Apenas perdeu seu trilho

Um teto é tudo

Para quem não tem nada

Tua casa o deixou mudo

Observa a necessidade velada

Agradeças tu pela casa, teu teto

Nunca te faltou nada, nem abrigo

Divides o que podes com afeto

Deus nunca te pediu nada amigo

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