DRUMMOND

“ Para a virtude da discrição, ou de modo geral qualquer virtude, aparecer em seu fulgor, é necessário que faltemos à sua prática. “

Carlos Drummond de Andrade

 

DRUMMOND

Ele entrou na casa da poesia.

Entrou. Lá viveu e se trancou.

De lá saiu só para ir de vez. Embora.

Deve ter levado a chave ou a jogado fora.

Ou só contou o segredo a uns poucos amigos, outros poetas.

Aqueles que entendiam melhor os seus escritos, escritores atletas.

Que de pronto, sem inveja, com bondade , o viam sem vaidade.

Escrever o amor como ele o fez, desde o cheiro dessa brisa, só quem contemporiza, do mal não se utiliza.

Em sua homenagem e à sua poesia, quem tenta este caminho, tem uma certeza, não haverá outro igual, com o verbo descomunal, pai da escrita, o senhor da letra.

Quinto Zili

Eleições

Eleições

Não são eleições que mudam nossas vidas

Nossas vidas que mudam eleições

Somos políticos em essência

Ainda fazemos política sem excelência

 

Povos precisam de líderes

Vez por outra eles aparecem

Eleições podem trazê-los

Mas eles surgem, vem de sê-los

 

Votar é arte linda

Aceitar o voto do outro mais ainda

Sufrágios no bem

O eleito também

 

Não te queixes de quem o povo elege

Tu és povo e podes também fazer mais

Tua nação é você antes de tudo

Teu voto nunca será grito mudo

 

Moral elevada prescinde eleições

Evolução espiritual da mesma forma

Humildade de um verdadeiro líder

Amor maior, sem condições, retorna

 

Nosso Governador excelso, que a Terra conduz

Não de eleições, nem de partido precisou

Chegou lá, Quem a Deus Se provou

Sem candidato assim para votar, no comando, Jesus

 

Educar, 427

Educar

Tarefa da mais antiga

Educar a si mesmo

Aos filhos nossos

Aos filhos do próximo

 

Professor sim educa

Ensina as lições das matérias

E os pais, as lições da moral

Sem quadro negro; pelos exemplos como tal

 

Educação é progresso

Avesso da perdição

No contexto da Terra

O que não falta em profusão

 

Esquecer o educar

Como faltar água à sêde do amor

Alimento do espírito pensante

Embrutecer da alma no exilio ignorante

 

Sofrimento para educar, se faltar o amor

Alento para quem consegue se dedicar

O ser que pede esse alimento

É seu irmão, não lhe negue tal provento

Quinto Zili

Professor, 683

Professor

Almas dedicadas

Protetoras em Terra

Em a Natureza associadas

Das sementes que cada um encerra

 

São os semeadores, eles e elas

Nossas madrinhas do alfabeto

Como fadas, muitas, de tão belas

Que tudo ensinam em qualquer dialeto

 

Professoras, eles e elas até em reveses

Nas nossas infâncias nos conduziam

Foram mães, duas, ene vezes

Tomaram a si filhos que não conheciam

 

Pastoras, pastores de verdade

Das ovelhas em toda parte

Dos primários em infâncias às faculdades

Nos conduziram com fé nessa arte

 

De tudo nos ensinaram

A todos inspiraram

Transformaram frio da ignorância no calor do saber

Deram, se nos faltava à casa, o amor a nosso ser

Quinto Zili

Temperos, 265

Temperos

Fortes ou suaves

Doces, apimentados

Alteram os sabores

Pratos requintados

 

Nem sempre os temperos ajudam

Mas sempre alteram o paladar

Fornecem o que o gosto mudam

Temperam o sonso, melhoram o degustar

 

Na vida conhecemos bons temperos

Paciência, gentileza, doçura e amor

Ingredientes bons de esmeros

Aos chefes gourmets, comida de muito sabor

 

Há porém quem tempere às avessas

Muita pimenta, intensidade e muito sal

Quem não tem mão boa para dosar

Cria os pratos do relacionar pelo mal

 

Quem prova o tempero do amor não quer outro prato

Só olhar sentimos o paladar do tempero de fino trato

Atestar o sabor deste pasto, sorver o amor é de fato

O melhor tempero entre dois , o ideal de um bom contrato

Quinto Zili

Estrutura, 262

Estrutura

O prédio não cair

A viga não desabar

O teto a cobrir

Estrutura sobrestar

 

A mão que executou

O intelecto que projetou

A força que trabalhou

A estrutura suportou

 

Complexas ou simples

Elas moldam no suporte

Em argilas, sem requintes

Mais profundo o corte

 

No cerne do espírito em evolução

Na própria carne que o está a conduzir

Temos o projeto do Pai em ação

Única estrutura híbrida a existir

 

Tudo que existe tem sua estrutura

A Mãe Natureza, arquiteta suprema

Que nos permite haver sem ruptura

Alicerce da vida, estrutura extrema

Quinto Zili

Volta, 512

Volta

 Quando partir

A vida também irá

O corpo ficará

Sensações, tudo mais findará

 

Assim pensava

Chorava de pesar

Tristeza a me amparar

Contrito rogava

 

Onde fui parar

Que lugar é esse

Não há céu

Me cobre denso véu

 

Sim a vida está comigo

Mas faltam os sentidos

Meu Deus, onde vim parar

Só me resta orar

 

Foi assim a minha volta

Cá estou agora melhor, sem revolta

Ainda cego, mas vivo, aqui estou

É o espírito de mim que me restou

 

Acho que ainda vou melhorar

Mas ainda não vejo onde cheguei

Ouço tudo e pouco sinto ainda

Deve ser a volta a anunciar nova vinda

Quinto Zili

Prece do caído, 638

Prece do caído

Contigo me deito

Contigo  me levanto

Mestre divino e perfeito

Acolhe por amor esse meu pranto

 

Me sinto caído

Doído, sofrido

Me ajuda a reerguer

Mais uma vez reviver

 

Sei de minha culpa

Falhei feio de novo

Nem sei se mereço

De ti este apreço

 

Na carne falhamos

Ainda que lá buscamos

Livramento de pecados

De nossos erros gravados

 

Expiação e restrição

Falhar e refazer

Mestre me ajuda a compreensão

Que é meu este dever

 

Eu sei que consigo crescer

Mesmo neste sofrer que eu mesmo me fiz merecer

Rogo de novo que renove sempre o meu querer

A cada dia um pouco mais; Pai me faz assim crer

Quinto Zili