Lixo mental II, 152

Lixo mental II

Nosso lixo mental sortido

Variamos os temas, sofisticamos

Além do agir errado

Por traz muito pensamento fermentamos

 

Tudo vai bem num belo dia

Então vem o apelo por mais um querer

Bastava continuar no vigiar que havia

Não frustrar, inquietar, nem rondar a agonia

 

Incompleto ou repleto, passamos viver

De um momento a outro tensão do nada

Vislumbrar um querer, criar o temer

O só ser agora, não satisfaz a jornada

 

Pensar por pensar é bobeira na certa

Fosse assim, melhor seria nada fazer

Criar fantasia embaça a alma desperta

O lixo criamos na mente, no ser

 

Lixo mental não é só o do mal

Muito sonhar à toa deixa o mesmo resíduo

Pensamento do bem sem trabalho braçal

Vira entulho também ao nosso indivíduo

 

Muito lixo mental, maior que o material.

Psicosfera poluída.

 

 

 

 

Lixo mental, 151

Lixo mental

Pensamento solto, elo frágil

Ideias tolas, vigília quebrada

Não tolera o serpenteio

Mente que opera contaminada

 

Entre espasmos de saúde

Uma e outra pincelada

Leva e traz revolta amiúde

Já no ódio foi tragada

 

Superar o fel da ira

Suportar pressão demasiada

Quase chama, fogo  em pira

Quebra o lacre, explosão deflagrada

 

Se não te agrada estes versos

Faz de conta que não é contigo

Sofre e clama por gestos reversos

Do algoz que parece inimigo

 

Triste mote deste pensamento

Que é tóxico e insuportável convívio

Falta a via do saudável alento

Lixo mental destruir para o alívio

Quinto Zili